Há artistas que iluminam a Arte, quer pela sua mestria na sua mesma, quer pelo seu  magnetismo na performance: é o caso de Emma Kirkby, cuja fotografia que ostenta a capa do cd enaltece a sua figura, colhida de um quadro de um pintor pré-rafaelita, talvez Dante Gabriel Rossetti, remetendo-a para ambiente medieval e/ou Renascentista. (Confiram a capa do cd, por favor!)
Emma Kirkby posssui um registo vocal verdadeiramente dramático que, a meu ver, se adequa à liquidez langorosa deste conjunto. Considero, a título de exemplo, que Can she excuse my wrongs with virtue’s cloack? paradigmático para uma evocação renascentista (atentem no meu golpezinho perspicaz: evocar, cuja ressonância do radical transporta já uma concentração da transpiração dessa mesma voz renascentista..Sim, cum grano salis do meu humor inglês do sul, er… )
Relembro que já dissertei sobre tópico da melancolia como uma marca indelével no paradigma Dowlandiano, sobre a forma de patologia independente (conforme arquétipo Renascentista), quando postei uma edição da Naxos, neste blog, pelo que, se considerarem este texto pouco credível, poderão, sempre, confirmar com a face mais grave dos meus juízos muiiiiiiito acutilantes.

John Dowland (1563-1626) - The English Orpheus, Emma Kirkby, voice, Anthony Rooley, lute, London: EMI Classics, 1992.

The first booke of songes or ayres

01. Awake, sweet love
02. Can she excuse my wrongs?
03. All ye whom love
04. Dear, if you change
05. Semper Dowland semper dolens (orpharion)
06. Mister Dowland’s midnight (orpharion)

The second booke of songs or ayres

07. Sorrow, stay!
08. Die not before thy day
09. Mourn! mourn!
10. Woeful heart
11. Now cease, my wandering eyes

The third and last booke of songs or ayres

12. Behold a wonder here
13. The lowest trees
14. Me, me, and none but me
15. Farewell, too fair
16. Earl of Derby his galliard (orpharion)
17. Mistress Winter’s jump (orpharion)

A pilgrim’s solace

18. Stay, time
19. Shall I strive
20. Thou mighty God

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Clara Schumann