Schnittke (1934 -1998): Gogol Suite; Labyrinths
Quem nunca se deliciou com as obras de Gogol entende pouco a alma russa. O descrédito às instituições e à burocracia é fonte, por exemplo, da ótima e engraçada peça Inspetor Geral, o conto O Nariz e o grande romance semi-queimado Almas Mortas. O humor de Gogol transcende seu tempo e parece impregnar a arte russa. Algo que também surge na música de Prokofiev e principalmente de Shostakovich. Foi dessa fonte literária e musical que Schnittke escreveu várias brincadeiras musicais reunidas na chamada Suíte Gogol. Uma das obras mais divertidas e empolgantes que ouvi (aliás, inúmeras vezes). Essa obra é um refresco que contrapõe a pesada e densa peça chamada Labyrinths. Um grande obra de Schnittke que mereceria um texto mais longo e detalhado. Mas como hoje é dia dos namorados, um evento de absoluta importância, é realmente a Suíte Gogol que destaco aqui.
Gogol Suite
1. I. Overture. Allegro
2. II. Chichikov’s Childhood. Andantino
3. III. The Portrait. Slow Valse
4. IV. The Cloak. Andante-Accelerando
5. V. Ferdinand VIII
6. VI. The Bureaucrats. Allegro
7. VII. The Ball. In Tempo Di Valse
8. VIII. The Legacy. Pesante
Labyrinths
9. I. Moderato-Allegretto Scherzando-Meno Mosso-Adagio
10. II. Moderato
11. III. Allegretto
12. IV. Agitato
13. V. Cadenza-Andante-Maestoso
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junho 12th, 2008 às 20:21
estou sentindo falta da Clara Schumann e seus franceses.
ela poderia voltar postando alguma daquelas opera-ballet do Rameau.
um abraço
junho 12th, 2008 às 22:03
É incrivel como passamos a gostar de alguns compositores, que não conheciamos, com uma velocidade tão grande. Velocidade exata de 2 posts… 1 post, só o primeiro foi suficiente.
Grato por proporcionar-me tão agradável descoberta.
junho 13th, 2008 às 9:03
Maravilha, CDF; sou um grande admirador de Schnittke, de seu bom humor mas não posso imaginar o que acontece quando ele se inspira em “apenas” Gogol, um dos escritores mais espetaculares que conheço.
E vamo que vamo!
junho 13th, 2008 às 9:14
Maestro obrigado!!!
Schnittke es el ultimo!
Tengo todos sus symph. pero no sus obras pequeñas.
Gracias.
Mas Schnittke!
Un opera?
Saludos desde Buenos Aires
junho 13th, 2008 às 17:51
CDF:
Será que vocês poderiam postar algo do Vaughan Williams? Conheço pouco desse compositor inglês. Tenho sua Sinfonia nº 05 com o Colin Davis e a acho muito interessante.
Será que vocês teriam alguma obra (uma sinfonia ou um concerto) dele para postar?
junho 13th, 2008 às 18:02
Fabio ZF,
Há muito tempo atrás eu tive alguns discos com as sinfonias de Vaughan Williams. Ouvi com calma boa parte delas, mas não deu certo. Acabei dando os cds pra um amigo. Hoje penso em rever a música desse compositor. Quem sabe eu coloque alguma coisa dele no futuro.
junho 13th, 2008 às 18:51
CDF:
Eu conheço muito pouco da música dele. Por isso que gostaria que postassem algo…Fico aguardando!!!
agosto 25th, 2008 às 9:35
sendo um grande fa de literatura, foi com um enorme prazer que descobri esta homenagem a Gogol, um dos meus escritores favoritos.
Agora preciso de uma ajuda sua: gostava que me indicasse mais exemplos de composiçoes inspiradas ou dedicadas a livros ou autores, como o caso de gogol.
obrigado, cumprimentos de Portugal
agosto 25th, 2008 às 12:40
Basarov, tem o caso paradigmático de Tolstoi: “Sonata a Kreuzer”, a ópera “Wozec”, do Berg e tantos outros…
Acena-lhe uma conterrânea sua, portuguesa, daqui!
Respeitos!
Basarov Reply:
agosto 25th, 2008 at 22:43
muito agradecido!
setembro 2nd, 2008 às 22:41
Caro PQP, eu realmente dei boas risadas com a Jews Harp nos concertos do Albrechtsberger, mas foi um riso meio maldoso, já que o velho professor levava tais concertos tão a sério. Agora essa abertura da Suite Gogol é a coisa mais hilária que eu jamais ouvi, essa colagem da 5a de Beethoven é engraçadíssima - e encaixa! A música vai te levando para lá, mesmo sem você perceber, ou mesmo querer. Numa segunda ouvida, você vê que já estava sendo preparada a piada desde muitos compassos atrás. Fantástica, hilária, e é música de primeira! Ah, e quanto àquela Flauta Mágica dos Burocratas? E a suite segue oscilando entre ironia, sarcasmo, humor negro descarado e maldade explícita. Não conhecia a suite e estou fascinado por ela. Obrigado pelo post. Grande abraço!