Schnittke (1934 - 1998) - Concerto Grosso No.1 - Quasi una Sonata - Moz-art à la Haydn - A Paganini
Por pouco deixei que minhas idéias sobre música moderna limitassem as minhas experiências sonoras. “Não entendo esta música”. Claro, um ouvinte sempre salvo pelo tom dominante; não poderia se sentir seguro quando esta luz era apagada. Mas a música de Schnittke, mesmo quando tonal, é escura, angustiosa e macabra. O ouvinte não terá conforto com esta música. Mas neste disco, além disso, temos o virtuosismo e o humor.
Com o concerto grosso n.1 de Schnittke (talvez sua obra mais importante) caímos na música pós-moderna (ou pós-tudo) que muitas vezes é chamada de poli-estilística. Aqui Schnittke coloca Vivaldi, Webern, Mozart, Beethoven, Cage (piano preparado) e até tango num liquidificador e faz uma música única, uma obra de primeira grandeza, um resumo de tudo, mas com um humor negro típico de Schnittke. A formação é simples: dois violinos solistas, um cravo, uma orquestra de cordas e um piano preparado (basicamente um piano comum com pregos, bacias com água e outras coisitas sobre as cordas). A estrutura segue o velho estilo barroco à la Corelli com 6 movimentos. Música empolgante e perturbadora.
Este disco está recheado de obras-primas, pois a próxima peça, Quasi uma sonata, está entre as mais importantes composições das últimas décadas. Originalmente escrita para violino e piano (sonata n.2), neste disco encontramos o formato violino e orquestra de câmara. Schnittke vai desconstruíndo a forma sonata com extremo virtuosismo, humor (negríssimo, claro) mas sem entregar uma obra retalhada. Dificilmente uma obra de Schnittke não tem unidade.
Moz-art à la Haydn já é um clássico? Possivelmente. Aliás, Schnittke talvez seja o compositor de sua geração mais executado atualmente. Claro que aqui Schnittke segue a velha tradição russa dos mestres Prokofiev e Shostakovich que usavam o humor em obras refinadas.
Quem lembra das variações sobre aquele famoso tema dos caprice de Paganini? Claro, Brahms, Rachmaninov, Lutoslawski…Mas aqui Schnittke se aproxima do método de Paganini: ferrar o violinista. A Paganini é uma obra pra violino solo insuportavelmente difícil, mas nem de longe uma obra só virtuosística. Gidon Kremer dá um show. Enfim, o disco todo é uma obra-prima e merece ser comprado. Um marco da música pós-moderna (todas as obras são pós-anos 60).
Este foi praticamente meu primeiro disco de música moderna, e todas aquelas minhas idéias preconcebidas foram pro ralo.
1. Con grosso No.1: 1. Prelude: Andante
2. Con grosso No.1: 2. Toccata: Allegro
3. Con grosso No.1: 3. Recitativo: Lento
4. Con grosso No.1: 4. Cadenza [without tempo marking]
5. Con grosso No.1: 5. Rondo. Agitato
6. Con grosso No.1: 6. Postludio. Andante-Allegro-Andante
7. Quasi una sonata
8. Moz-Art a la Haydn
9. A Paganini
Gidon Kremer, Yuri Smirnov, Tatiana Grindenko,
The Chamber Orchestra of Europa
Conducted by Heinrich Schiff


abril 25th, 2008 às 23:14
Shnittke é dez.
abril 26th, 2008 às 3:10
Obrigado, obrigado, obrigado!
Ainda não baixei, minha conexão é discada… mas obrigado!
Vc não teria o concerto para viola e orquestra, C. D. F. ? Estou atrás dele a algum tempo…
Será que algum outro compositor moderno desfruta desse prestígio que Schnittke parece ter na Europa?
Um abraço.
abril 26th, 2008 às 7:14
Bruno, eu tenho este concerto em DVD com Bashmet e Gergiev, talvez eu possa convertê-lo em MP3 no futuro.
abril 26th, 2008 às 8:34
Tem alguns que desfrutam, Bruno: Gubaidulina, Rautavaara, Pärt e principalmente Penderecki (tem mais). O negócio é Shnittke morreu aí já está começando a estar revestido de alguma aura.
abril 26th, 2008 às 9:18
Peço licença a CDF para fazer uma pergunta a PQP que está me intrigando: PQP qual o melhor intérprete das obras para órgão de Bach, Helmut Walcha, Karl Richter ou Simon Preston??
abril 26th, 2008 às 9:44
Sander, Walcha e Koopman, provavelmente.
CDF, poderia falar linhas e linhas sobre o Concerto Grosso e seu tango de com episódios de cordas enlouquecidas, mas já fiz uns três comentários longos em outros blogs e, bem, estou atrasado.
Grande postagem. Tenho este CD com outra capa. Um clássico moderno, sem dúvida.
abril 26th, 2008 às 15:38
Eu conversei com uma alemã algum tempo atrás, e ela me disse que Schnittke é a sensação, ao menos nas terras germânicas. As pessoas montam trios e quartetos, e saem para tocar Schnittke.
De Penderecki eu também conheço apenas o concerto para viola e orquestra, porém a orquestração dele ainda não me desceu.
C.D.F., sabe onde eu poderia comprar esse dvd do concerto de Schnittke com o Bashmet?
fevereiro 25th, 2009 às 22:08
O Concerto Grosso no. 1 de Schnittke é obra-prima. Maluco e coerente do início ao fim.
Alguém aí conhece o no. 2? É um pouquinho menos coeso, mas é ainda mais rico e apaixonante. E é repleto um senso de humor incrível. Vale o post. Posso mandar o link.
(Ainda estou tentando entender o no. 5… sigamos em frente…)
março 27th, 2009 às 11:40
thank you. this will be the first time i listen to Schnittke.
maio 26th, 2009 às 2:37
Muito Legal!! Chegará o dia em que em jantares românticos, ouviremos Schnittke ou Penderecki, assim como hoje ouvimos Djavan ou Bob Dylan… Que sabe daqui a cem anos…