Heitor Villa-Lobos (1887-1959) - Bachianas Brasileiras n° 1, 4 e 5

Depois de Villa por chorões e do Villa regendo a Orquestra da RIAS de Berlim, outra jóia da Kuarup - jóia ma non troppo, já que este CD só vale pela Bachianas n° 1.

A quarta Bachianas, interpretada na versão original, para piano, até tem uma emoção própria nas mãos de Antônio Guedes Barbosa, mas estão cheias de errinhos nos ataques das notas, principalmente nos dois últimos movimentos (ainda que o Prelúdio esteja sublime, com as teclas batendo nas cordas como pingos d’água), sem falar que sete compassos do Coral são engolidos sem qualquer explicação - quem conhecer a peça, vai saber exatamente onde é.

A transcrição para piano da quinta Bachianas, feita pelo próprio Villa, peca mortalmente por não trazer o ponteado que embala o vocalise do soprano - só tem a linha do baixo e, na mão direita, a duplicação da melodia - e ainda é assassinada pela mão pesada de JCA Brasil.

Confiram se é exagero meu ou não.

Adiante segue o texto do encarte do CD.

***

Villa-Lobos e as Bachianas

Victor Giudice

A Bachiana Brasileira nº 1, destinada a uma orquestra de violoncelos e composta em 1930, teve sua primeira audição no Rio de Janeiro em 13 de novembro de 1938, sob a regência do próprio Villa. Na época, os ouvintes mais seníveis ficaram meio assombrados com a façanha obtida pelo compositor, no sentido de aproximar o estilo intocável de Johann Sebastian Bach, à música brasileira aparentemente rudimentar. Talvez ninguém tivesse desconfiado de que esta seria a grande invenção de Villa-Lobos. A obra se divide em três partes: Introdução, Prelúdio e Fuga. A Introdução se apresenta sob a forma de uma popular “embolada”, em ritmo acelerado,guardando a ambiência harmônica assegurada pelos padrões de Bach. Já no Prelúdio, ou “modinha”, uma ária tipicamente bachiana, mas obediente aos padrões característicos da melodia nacional, obedece à indicação Lamentoso e subjuga o ouvinte com um solo de violoncelo da melhor qualidade.
A parte final é uma Fuga, talvez o distintivo máximo da obra de Bach. Uma vez Bach declarou a um interessado em sua arte: “Se você quiser compor uma fuga tão perfeita quanto as minhas, componha tantas quantas eu compus.” No caso de Villa-Lobos ele dá um banho de originalidade ao transformar as “vozes” da fuga numa animada conversa musical entre quatro tocadores de choro. O clímax é determinado por um crescendo, até a conversa se transformar em acirrada discussão.

A Bachiana nº4 foi composta inicialmente para piano, mas, devido ao sucesso, foi logo transcrita para grande orquestra. Na verdade, o Prelúdio, conhecido como “Introdução”, é dominado por uma dessas melodias tão raras quanto simples, capazes de uma fixação imediata na memória popular. Os compassos iniciais do Samba em prelúdio, de Baden Powell e Vinicius de Morais, são os mesmos da quarta Bachiana. O segundo movimento, deniminado Coral ou “Canto do sertão”, é outro achado melódico. A ordenação das notas, lógica e sobretudo original, que Villa consegue impor às seqüências melódicas, é um resultado direto de seu íntimo contato com nossa música popular e , principalmente, com os chorões. Mais uma vez, a terceira parte se concentra numa Ária nos perfeitos moldes bachianos, mas sempre temperada com os estilemas nacionais. Para o movimento final, Villa-Lobos compôs uma Dança, “miudinho”, de grande impacto rítmico e enormes dificuldades interpretativas, tanto para a versão de piano quanto para a orquestra. O sucesso obtido fez com que Bachiana Brasileira nº4 logo se transformasse num dos grandes hits do século XX.

Mas a maior fonte da popularidade mundial de Villa-Lobos é, sem sombra de dúvida, a Bachiana Brasileira nº5. Otto Maria Carpeaux afirma que a mais bela melodia do século XX é a Pavane pour une Infante Defuncte, de Ravel. É possível que ele esteja certo. Mas a mais perfeita invenção melódica do século, para solo vocal sem palavras, é a célebre Ária, “Cantilena”, da quinta Bachiana. Nem mesmo o Vocalise, de Rachmaninoff, consegue atingir o mesmo nível de comunicação em peças para solo de soprano sem palavras. A Ária apresenta uma seção intermediária sobre os versos de Ruth Valladares Correia. Composta na forma A-B-A, a parte sem palavras é retomada no final, a bocca chiusa (boca fechada), traduzindo toda a nostalgia de um certo tipo de mulher brasileira. A segunda parte da Bachiana nº5 é o Martelo, composta com versos de Manuel Bandeira, de interpretação dificílima para sopranos não brasileiros. Sua versão original é para acompanhamento de oito violoncelos, mas a redução para piano aqui gravada é do próprio Villa.

Todo compositor que se preza tem seu ponto de maior popularidade.

Villa-Lobos tem a quinta Bachiana.

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Bachianas Brasileiras n° 1, 4 e 5

01 Bachianas Brasileiras nº1 - Introdução (Embolada)
02 Bachianas Brasileiras nº1 - Prelúdio (Modinha)
03 Bachianas Brasileiras nº1 - Fuga (Conversa)
04 Bachianas Brasileiras nº4 - Prelúdio (Introdução)
05 Bachianas Brasileiras nº4 - Coral (Canto do Sertão)
06 Bachianas Brasileiras nº4 - Ária (Cantiga)
07 Bachianas Brasileiras nº4 - Dança (Miudinho)
08 Bachianas Brasileiras nº5 - Ária (Cantilena)
09 Bachianas Brasileiras nº5 - Dança (Martelo)

Rio Cello Ensemble - BB 1, Antônio Guedes Barbosa - BB 4, Leila Guimarães e João Carlos Assis Brasil - BB 5

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Jean-Philippe Rameau (1682-1764) e Ludwig van Beethoven (1770-1827) - Suite em Sol e Sinfonia Nº 3 em transcrição para piano - Harmonia Mundi - 50 years of music exploration - CD 24 de 29

Mais um disco estranho da grande coleção da Harmonia Mundi: Rameau interpretado ao piano junto com a Eroica de Beethoven… também tocada ao piano em transcrição de Franz Liszt. Se separadas podem ser interessantes, juntas no mesmo CD ficam para lá de estranhas. Se o Rameau fica bem no piano, já o Beethoven requer algum preparo do ouvinte. Falta som, a gente estranha, mas o trabalho de Liszt foi bem feito e vale a pena conhecer a versão para piano da Eroica.

Jean-Philippe Rameau
Suite en Sol ["Nouvelles Suites de Pièces de clavecin", 1728]
26′54
1. Les Tricotets. Rondeau
2. L’Indifferente
3. Menuet - Deuxieme Menuet
4. La Poule
5. Les Triolets
6. Les Sauvages
7. L’Enharmonique
8. L’Egyptienne
Alexandre Tharaud, piano

Ludwig van Beethoven
Symphony No. 3, “Eroica” (transcribed for piano by Liszt)
51′19
9. Allegro Con Brio
10. Marcia Funebre
11. Scherzo
12. Finale
Georges Pludermacher, piano

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G. F. Handel (1685-1759) - Ode ao Dia de Santa Cecília

Um CD curto, de mais ou menos 40 minutos, com música de absurda beleza. Trevor Pinnock coloca-se à altura de uma das melhores obras vocais de Handel. A interpretação de Felicity Lott para a principal ária de Ode, What passion cannot Music raise and quell, é inesquecível dentro de um trabalho onde não há pontos baixos.

Desde o século XV, Santa Cecília é considerada padroeira da música sacra. Sua festa é celebrada no dia 22 de Novembro, dia da Música e dos Músicos.

Imperdível.

Handel - Ode for Saint Cecilia’s Day

1. Ode for Saint Cecilia’s Day (HWV76) - Overture The English Concert 5:09
2. Ode for Saint Cecilia’s Day (HWV76) - Recitative:”From harmony.. / When nature underneath..” Anthony Rolfe Johnson 3:25
3. Ode for Saint Cecilia’s Day (HWV76) - Chorus: From Harmony, from heav’nly Harmony The English Concert 3:32
4. Ode for Saint Cecilia’s Day (HWV76) - What passion cannot Music raise and quell Felicity Lott 8:18
5. Ode for Saint Cecilia’s Day (HWV76) - The trumpet’s loud clangour Anthony Rolfe Johnson 3:33
6. Ode for Saint Cecilia’s Day (HWV76) - March The English Concert 2:11
7. Ode for Saint Cecilia’s Day (HWV76) - The soft complaining flute Felicity Lott 5:02
8. Ode for Saint Cecilia’s Day (HWV76) - Sharp violins proclaim Anthony Rolfe Johnson 3:56
9. Ode for Saint Cecilia’s Day (HWV76) - But oh! What Art can teach Felicity Lott 4:39
10. Ode for Saint Cecilia’s Day (HWV76) - Orpheus could lead the savage race Felicity Lott 1:42
11. Ode for Saint Cecilia’s Day (HWV76) - But bright Cecilia Felicity Lott 0:44
12. Ode for Saint Cecilia’s Day (HWV76) - As from pow’r of sacred lays

Lisa Beznosiuk
Felicity Lott
Anthony Rolfe Johnson
Crispian Steele-Perkins
Michael Laird

Trevor Pinnock
The English Concert

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Ludwig van Beethoven CD 8 - Sonatas Opp. 81a, 90, 109 & 110, cd9 - Sonatas Opp. 101 & 106 - Gilels

Muito bem, para encerrar mais esta saga, eis os dois últimos cds da série de Sonatas de Beethoven gravadas pelo grande pianista russo Emil Gilels. Sei que várias outras versões foram postadas, mas sempre partimos do seguinte princípio: qualidade, ao invés de quantidade. E não quero crer que alguém não goste desta variedade saudável.

Tenho estado ocupado nos últimos tempos, sem poder me dedicar muito ao blog, mas sei que ele está em boas mãos. A variedade que está sendo oferecida me deixa feliz, assim como os comentários. E claro, os números… média de 2000 acessos diários.. isso sim é um sucesso… o mano pqp soube escolher muito bem os colaboradores, e cada vez mais me surpreendo com a qualidade das postagens, e os textos que as apresentam.

Enfim, agora temos 6 peso pesados do repertório pianístico, entre elas a sensível “Les Adieux”, op. 81a, e a poderosa “Hammerklavier”, de op. 106, todas conhecidas dos senhores, por isso nem preciso entrar em maiores detalhes.

Musical and wise Beethoven, Exceptional recording, são alguns dos adjetivos aplicados pelos clientes da amazon para estas gravações de Gilels. Aliás, o adjetivo inteligente é muito bem aplicado, pois a técnica de Gilels permite identificar a genialidade beethoviniana por trás de cada nota, ainda mais quando se trata destes últimos opus. Como salientou nossa querida Clara Schumann, antes de tudo, o que temos aqui é um pianista preocupado com a clareza de seu fraseado. E creio que ela saiba do que está falando, afinal de contas, já foi considerada uma das grandes pianistas de seu tempo, e seu marido era outro mestre do instrumento.

Em outra ocasião postarei a versão de Wilhelm Kempff, outro monstro neste repertório,  para as devidas “comparações”, já que este é um dos objetivos do blog.

Pois então, conituemos com esta “overdose” pianística.

Ludwig van Beethoven - Sonatas Opp. 81a, 90, 109 & 110, Sonatas Opp. 101 & 106

CD 8 - Sonatas Opp. 81a, 90, 109 & 110 - Gilels

01 - Sonate No.26 Es-dur op.81a ‘Les Adieux’ - 1. Das Lebewohl Adagio - Allegro
02 - Sonate No.26 Es-dur op.81a ‘Les Adieux’ - 2. Abwesenheit Andante espressivo
03 - Sonate No.26 Es-dur op.81a ‘Les Adieux’ - 3. Das Wiedersehen Vivacissimamente
04 - Sonate No.27 e-moll op.90 - 1. Mit Lebhaftigkeit und durchaus mit Empfindung
05 - Sonate No.27 e-moll op.90 - 2. Nicht zu geschwind und sehr singbar vorzutragen
06 - Sonate No.30 E-dur op.109 - 1. Vivace ma non troppo - Adagio espressivo
07 - Sonate No.30 E-dur op.109 - 2. Prestissimo
08 - Sonate No.30 E-dur op.109 - 3. Gesangvoll, mit innigster Empfindung
09 - Sonate No.30 E-dur op.109 - 4. Variation I molto espressivo
10 - Sonate No.30 E-dur op.109 - 5. Variation II Leggiermente
11 - Sonate No.30 E-dur op.109 - 6. Variation III Allegro vivace
12 - Sonate No.30 E-dur op.109 - 7. Variation IV Etwas langsamer als das Thema
13 - Sonate No.30 E-dur op.109 - 8. Variation V Allegro, ma non troppo
14 - Sonate No.30 E-dur op.109 - 9. Variation VI Tempo I del tema
15 - Sonate No.31 As-dur op.110 - 1. Moderato cantabile molto espressivo
16 - Sonate No.31 As-dur op.110 - 2. Allegro molto
17 - Sonate No.31 As-dur op.110 - 3. Adagio ma non troppo - Fuga

CD 9 -  Sonatas Opp. 101 & 106

01 - Sonata No.28 in A, Op.101 - 1. Allegretto ma non troppo
02 - Sonata No.28 in A, Op.101 - 2. Vivace alla Marcia
03 - Sonata No.28 in A, Op.101 - 3. Adagio ma non troppo, con affetto
04 - Sonata No.28 in A, Op.101 - 4. Allegro
05 - Sonata No.29 in B flat, Op.106 Hammerklavier - 1. Allegro
06 - Sonata No.29 in B flat, Op.106 Hammerklavier - 2. Scherzo. Assai vivace
07 - Sonata No.29 in B flat, Op.106 Hammerklavier - 3. Adagio sostenuto
08 - Sonata No.29 in B flat, Op.106 Hammerklavier - 4. Largo - Allegro risoluto

Emil Gilels - Piano

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CD 9 - BAIXE AQUI - DOWNLOAD HERE

Compositores estadunidenses

Este é um daqueles CDs comerciais de coletâneas, no caso destinado ao mercado norte-americano, mas nele estão as melhores gravações que possuo do Adágio de Barber, da Abertura de Candide e das peças de Copland em questão.

A Primavera apalache está na versão original, para 13 instrumentos; o Hoe-down teve uma sessão intermediária inteira suprimida (não sei por quê); o pianista na Rapsódia in Blue é o próprio Gershwin, cuja orquestra gravou a posteriori sobre o rolo com o registro do compositor (não ficou legal); e a Dança do sabre consta só pra preencher o tempo do CD.

Ao passar por NY, visite o Café do Rato Preto no Madison Square Garden.

1. Fanfarra para o homem comum - Copland
2. Abertura de Candide - Bernstein
3. Primavera apalache - Copland
4. Hoe-down, de Rodeo - Copland
5. Rapsódia in blue - Gershwin
6. Adágio para cordas - Barber
7. Dança do Sabre, do balé Gayané - Khatchaturian

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Johannes Brahms (1833-1897) - Um Réquiem Alemão

Às vezes eu sinto que é bom fazer uma postagem arrasa-quarteirão, enfiar goela adentro de vocês uma baita música e, bem, encarem esta postagem como tal. O Réquiem Alemão de Brahms já foi postado no PQP, mas em duas gravações que, numa boa, não são tudo aquilo. O que posso fazer se Herreweghe e Gardiner ficam abaixo de Abbado e a Filarmônica de Berlim? Nada, né? É curiosa a relação que a Filarmônica de Berlim tem com o Réquiem. Karajan o gravou 4 vezes, sempre superando-se e, em 1993, Abbado tratou de fazer o mesmo… Questão de costume, talvez.

Dois acontecimentos fizeram Brahms compor o seu Réquiem: o falecimento, em 1856, do amigo e mentor Robert Schumann — então ele compõs o primeiro movimento — e a morte de sua mãe em fevereiro do ano de 1865 — quando completou a obra, estreada em 1868. O Réquiem tem uma letra estranha, pois fala pouco em Deus, mas há nele um indiscutível e profundo sentimento religioso. Sim, sou ateu, porém saibam que é uma tremenda bobagem chamá-lo de Réquiem Ateu. Cito isto porque tal absurdo foi bastante divulgado durante uma época. Basta ler o texto e ouvir a música para que notemos o tamanho da besteira.

Conheci o Réquiem quando adolescente, ao mesmo tempo que ouvia pelas primeiras vezes a Sinfonia Nº 1. Mal sabia que aquele grande compositor “sinfônico” seria amado por mim principalmente por sua música de câmara. Digo-lhes que, na opinião deste filho de Bach, Brahms não é a Nº 1, mas o Nº 2 da história da música.

Para baixar e ouvir de joelhos.

Brahms - Um Réquiem Alemão

1. Ein deutsches Requiem, Op.45 - 1. Chor: “Selig sind, die da Leid tragen”
2. Ein deutsches Requiem, Op.45 - 2. Chor: “Denn alles Fleisch, es ist wie Gras”
3. Ein deutsches Requiem, Op.45 - 3. Solo (Bariton) und Chor: “Herr, lehre doch mich”
4. Ein deutsches Requiem, Op.45 - 4. Chor: “Wie lieblich sind deine Wohnungen, Herr Zebaoth!”
5. Ein deutsches Requiem, Op.45 - 5. Solo (Sopran) und Chor: “Ihr habt nun Traurigkeit”
6. Ein deutsches Requiem, Op.45 - 6. Solo (Bariton) und Chor: “Denn wir haben hie keine bleibende Statt”
7. Ein deutsches Requiem, Op.45 - 7. Chor: “Selig sind die Toten, die in dem Herrn sterben”

Cheryl Studer, soprano
Andreas Schmidt, barítono
Berliner Philharmoniker
Claudio Abbado

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.:interlúdio:. Oliver Nelson & Eric Dolphy: Straight Ahead

Uma obra-prima e ponto final. Talvez merecesse ser conhecido como O ELOGIO AO CONTRASTE. O disco original é de Oliver Nelson, mas, com o tempo, passou a ser creditado também ao genial Eric Dolphy. Com toda a razão. Nelson e Dolphy estavam em seus auges e é surpreendente que se entendessem tão bem a ponto de realizarem vários trabalhos juntos. Por quê? Ora, Oliver é um solista melódico, tranqüilo, desses que buscam um som puro e fluente; enquanto isso Eric, bem, Eric era de rigorosa selvageria. Uma maravilha.

Ouçam o belíssimo tema dissonante de Images, depois prestem bem atenção ao solo de Oliver Nelson e logo ouçam a invenção absolutamente anárquica na entrada em cena de Eric Dolphy. Na verdadeira luta travada entre o bem-comportado (e belo melodismo) de um e a assustadora imaginação de outro, está o melhor de Oliver Nelson como compositor e o melhor de Dolphy como solista de sax e clarone.

Imperdível!

Oliver Nelson & Eric Dolphy: Straight Ahead

1. Images
2. Six And Four
3. Mama Lou
4. Ralph’s New Blues
5. Straight Ahead
6. 111-44

Oliver Nelson: alto saxophone, tenor saxophone, clarinet
Eric Dolphy: alto saxophone, bass clarinet, flute
Richard Wyands: piano
George Duvivier: bass
Roy Haynes: drums

Recorded at the Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, New Jersey on March 1, 1961.

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.:interlúdio:. John Surman: The Amazing Adventures Of Simon Simon

Mais um CD com as esquisitices e originalidades de John Surman. Desta vez, o inglês ataca em dupla com Jack DeJohnette ou em trio, se considerarmos os sintetizadores criadores de ostinati simples e sonhadores. Gosto muito de Nestor`s Saga e de The Pilgrim’s Way. É um trabalho de qualidade média se considerarmos o espetacular Upon Reflexion trabalho solo de Surman, acompanhado apenas de sintetizadores. Vale a audição.

John Surman: The Amazing Adventures Of Simon Simon

1. Nestor’s Saga 10:48
2. The Buccaneers 3:58
3. Kentish Hunting (trad. arr. Surman) 2:56
4. The Pilgrim’s Way (Surman/DeJohnette) 5:45
5. Within The Halls Of Neptune 3:58
6. Phoenix And The Fire (Surman/DeJohnette) 6:14
7. Fide Et Amore (Surman/DeJohnette) 4:43
8. Merry Pranks 2:50
9. A Fitting Epitaph 3:23

composed by Surman except as noted

recorded January 1981, Talent Studio, Oslo

John Surman, baritone and soprano saxophones, bass clarinet, synthesizers;
Jack DeJohnette, drums, congas, electric piano on track 7

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Kurt Weill (1900 - 1950): Die sieben Todsünden, Die Dreigroschenoper

Tenho profunda admiração pela obra de Bertolt Brecht, talvez o maior dramaturgo do século XX. Obras como Mãe Coragem, Galileu, Ópera dos Três Vinténs, Ascensão e queda da cidade de Mahagony são clássicos que costumo reler e ouvir neste período de vacas magras do mundo teatral. Mas o nome de Brecht é indissociável do compositor Kurt Weill. A dupla foi uma sensação na Alemanha e em outros países da Europa na década de 1920, e algumas de suas canções tornaram-se célebres na America como, por exemplo, “Alabama Song” e “Ballad of Mack the Knife”. Mas “Die Dreigroschenoper” (ópera dos três viténs) foi sem dúvida o maior sucesso da dupla. Escrita em 1928, a peça recebeu milhares de apresentações na Alemanha e logo por todo o mundo. Ganhou uma versão cinematográfica pouco depois, em 1931. O filme dirigido por Georg Pabst é uma beleza. Não sei se é possível encontrar este filme em DVD no Brasil, mas é um clássico obrigatório. A sensação após o filme é muito estranha: ver uma Alemanha tão despudorada, irônica, criativa e ainda influenciadora do mundo artístico, cair, anos depois, num retrocesso trágico que só agora, várias décadas depois, parece mudar (falo apenas do recente e ótimo cinema alemão, pois nas outras artes não tenho conhecimento de nada).

Mas na verdade posto aqui apenas a versão da “Ópera dos Três Viténs” feita pelo próprio Weill para um ensemble de sopros (no futuro pretendo postar a ópera completa). No entanto esta pequena suíte é tão prazerosa que vai entreter todos os ouvintes da boa música. Ótima mistura das estruturas clássicas com a música de cabaret alemão.

A outra fantástica obra presente aqui é a ópera-ballet Die sieben Todsünden (Os Sete Pecados Capitais), parceria também com Brecht. Essa peça foi escrita em 1933, logo após a fuga de Kurt Weill da alucinação nazista na Alemanha. Cada movimento desta pequena ópera trata um determinado pecado capital no qual passa a heroína, Anna (aliás, interpretada esplendidamente por Julia Migenes). A história se passa nos Estados Unidos e conta basicamente as aventuras de uma garota a procura de trabalho. Ela sonha em comprar uma casinha pra sua família próxima do rio Mississipi. Mas de cidade em cidade, Anna vive um pecado diferente. Mas isso feito por Brecht-Weill de maneira muito irônica e divertida.

A gravação é ótima e já ouvida umas 300 vezes por mim.

CDF

1. Die sieben Todsünden: Prologue
2. Sloth
3. Pride
4. Anger
5. Gluttony
6. Lust
7. Avarice
8. Envy
9. Epilogue
10. Die Dreigroschenope: Ouverture
11. The Ballad of Mack the Knife
12. The Instead-of-Song
13. The Ballad of the Easy Life
14. Polly’s Song
15. Tango-Ballad
16. Cannon Song
17. Threepenny Finale

Performed by London Symphony Orchestra
with Julia Migenes, Robert Tear, Alan Opie, Stuart Kale, Roderick Kennedy
Conducted by Michael Tilson Thomas

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Interlúdio - Edson Cordeiro

Baixou o espírito de Bluedog em mim: “Edson Cordeiro?! Qual foi, Ciço?!”. Acho que peguei raiva musical.

***

Os comentários sobre o CD deixo por conta de vocês. Se forem em boa quantidade, vou postando mais discos fortuitamente.

Levantei vôo de Buenos Aires e estou indo para o Recife.

***

As Edson Cordeiro is a familiar name in Brazil, I speak some lines about him to foreign habitués of this blog as we have many music lovers worldwide who join us.

Edson is perhaps the most popular countertenor we have because he is an ecletical pop singer that sings success from many music genres, like classical music, jazz, Brazilian Popular Music from early 20th Century and Spanish music.

The CD posted here, released in 1991, is Edson’s first one - and is the best of all. It revealed all his versatility: from Janis Joplin to Bizet, including a so genial mix of Mozart’s Queen of the night aria with Rolling Stones’ Satisfaction, sung with the Brazilian died rock singer Cássia Eller. In that moment, he was a sopranist; only some years later he trained the countertenor register and recorded another CD specifically to show his “new” voice.

The lyrics of some musics in this CD are here, beside some others.

***

Edson Cordeiro

1. Creole Love Call
2. La seguidille
3. Baioque - Baião
4. Naturträne
5. Sometimes I Feel Like a Motherless Child
6. A Rainha da Noite - (I Can´t Get No) Satisfaction
7. Kiss
8. A Lua é um Balão - Moon is Made of Gold
9. Mercedes Benz
10. Down em Mim
11. Voz de Mulher - Fascinação

Participação especial: Cássia Eller

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