Erik Satie: Furniture Music

E eis que este insolente cão irrompe numa madrugada de terça-feira para meter-se numa seara para si desconhecida, onde nada sabe. Ainda mais, fica no quintal de CDF Bach - e mexe com uma paixão de Clara Schumann. Mas, como se sabe, no PQP postamos o que estamos ouvindo, e como eu estava ouvindo, ora, vim postar. Desde já vou deixando o espaço em aberto, para que o próprio CDF, ou Clara, o adicionem com mais pertinência, ou ao efeito de links e novidades vindos dos comentários.

O fato é que não apenas o jazz me interessa; me interessam muitas outras coisas mais, e no terreno da música, uma delas é o ambient. E em pesquisas fui descobrir que bem antes de Brian Eno criar o “Music for Airports” em 1978, quem primeiro concebeu a idéia de uma música feita para lugares, ao invés de pessoas, foi Erik Satie.

Isso em 1920.

Satie, nome nada estranho aos freqüentadores deste blog com certeza, criou a furniture music. A música do local e dos objetos que nos cercam. De curta duração e produção, resumiu-se a cinco peças - que vem a diferenciar-se, conceitualmente, do ambient atual pelo fato de que não apresentam variação. Ou seja, são curtos temas clássicos, repetidos muitas e muitas vezes, destinados primariamente a ser pano de fundo dos intervalos no teatro francês. Apesar da intenção, um entr’act de Satie não foi bem sucedido:

Allegedly, the public did not obey Satie’s intention: they kept silently in their places and listened, trained by a habit of incidental music, much to the frustration of the avant-garde musicians, who tried to save their idea by inciting the public to get up, talk, and walk around. wikipedia

No pacote lincado logo abaixo, estão três gravações das peças da furniture music, encontradas nesta página. Além delas, há também anexada a única - que eu saiba - referência direta a este trabalho: a peça Furniture Music Etcetera, uma variação livre (de quase 21 minutos) composta por John Cage, em 1980, para Curtain of a Voting Booth.

Nestas faixas ouço uma concretude que se descortina genial pela proposta, e pelo efeito que consegue.

Se eu estiver muito maluco, me mandem vacinar.

download aqui - 26MB
Furniture Music, Part 1: Curtain of a Voting Booth 5′56
Furniture Music, Part 2: Tapestry of Wrought Iron: for the arrival of the guests - grand reception - to be played in an entrance hall 3′00
Furniture Music, Part 3: Phonic Tiles - may be performed at a luncheon 2′25
Ars Nova Ensemble
Marius Constant: director
Michel Dalberto: piano
Pierre Thibaudm Bernard Jeannoutot: trumpets
Erato Records 4700W

Furniture Music Etcetera 20′43
Steffen Scheleiemacher: piano
John Cage: Complete Piano Music Vol. 10
diz um reviewer da amazon: “This work is barely more than a sketch for realisation by the performer: it consists of instructions on when to play fragments of Satie and when to play fragments of Cage. Schleiermacher’s reconstruction, thus, is necessarily speculative, but it entertains for its 20 minute duration.”

Boa audição!
Blue Dog

Franz Liszt (1811-1886)- Faust Symphony, Les Préludes, Tasso, Psalm XIII - Thomas Beecham - RSO

Trago mais um Liszt, porém desta vez, obras sinfônicas e corais. Baixei este cd dia destes do avaxhome, e me encantei com a qualidade da gravação e interpretação. Já há algum tempo eu procurava uma gravação destas obras, assim como das Rapsódias Húngaras. Liszt em sua obra sinfônica sempre me fascinou. A mistura de elementos do folclore húngaro, intercalados com elementos românticos,  o crescendo da orquestra, a força do seu final sempre me fascinaram, desde que ouvi as Rapsódias Húngaras pela primeira vez.Novamente repito que sei que alguns leitores torcem o nariz quando se fala do sogro de Wagner, mas o problema é única e exclusivamente deles.

Sir Thomas Beecham e sua Royal Philharmonic Orchestra estão magníficos, assim como o para mim até então desconhecido Constantin Silvestri à frente da Philharmonia Orchestra, assim como os solistas e corais.

Franz Liszt (1811-1886)- Faust Symphony, Les Préludes, Tasso, Psalm XIII - Thomas Beecham - Royal Philarmonic Orchestra

CD 1- Faust Symphonie

01 I - Faust
02 - II-  Gretchen
03. III- Mephistopheles and Final Chorus

Alexander Young - Tenor
Beecham Choral Society
Royal Philharmonic Orchestra
Sir Thomas Beecham - Conductor

CD 2

01. Les Prelude
02. Tasso

Philarmonia Orchestra
Constantin Silvestri

03. Orpheus
04. Psalm XIII - Lord, how long (Andante maestoso)
05- Look on me (andante mosso)
06- But I have trusted (Alegro moderato, ma non troppo
07- I will to God (Alegro energico)

Walter Midgley - Tenor
Beecham Choral Society
Royal Philharmonic Orchestra
Sir Thomas Beecham - Conductor

CD 1 - BAIXE AQUI - DOWNLOAD HERE

CD 2 - BAIXE AQUI - DOWNLOAD HERE

FDP

Rossini (1792-1868), Schumann (1818-1856), Brahms (1833-1897), Wolf (1860-1903) - Harmonia Mundi - 50 years of music exploration - CD 23 de 29

Mais um dos 29 álbuns comemorativos dos 50 anos da Harmonia Mundi e nova confusão de alto nível. Claro que numa caixa dessas a intenção é mostrar o melhor do melhor dos 50 anos de uma super-gravadora e os CDs não têm grande unidade, mas como valem a pena conhecer! Destaque para… tudo! Nunca tinha ouvido essas músicas em interpretações tão boas.

A Sonata de Rossini mostra o que o compositor tem de melhor: o melodismo fácil e sedutor. Destaque para o estilo galante do irresistível Allegretto.

O belíssimo ciclo Amor e Vida de uma Mulher, de Schumann, a partir de poemas de Adelbert von Chamisso, o criador do imortal Peter Schlemihl — o homem que vende sua sombra ao diabo (NÃO DEIXEM DE LER) — é um dos ápices do romantismo. A interpretação de Bernarda Fink funciona maravilhosamente, ficando longe das loucuras escabeladas de algumas cantoras de que meu pai gostava e das quais não sei o nome — ainda bem! Fink valoriza as canções na medida certa, longe da apelação.

Ao lado das canções de Schumann, a sonata para clarinete e piano de Brahms é o ponto alto do CD, com destaque para o sonhador Andante um poco adagio magnificamente levado por Michel Portal.

Já os Goethe-Lieder de Wolf contrastam tanto com o restante do CD que não consigo escrever nenhuma frase a respeito. Loucuras desta coleção…

Gioacchino Rossini - Sonate a quattro en Si bémol majeur 14′55
1. Allegro Vivace
2. Andante
3. Allegretto
Ensemble Explorations

Robert Schumann - Frauenliebe und leben op.42 (Amor e Vida de uma Mulher) 20′20
4. Seit Ich Ihn Gesehen
5. Er, Der Herrlichste Von Allen
6. Ich Kann’s Nicht Fassen
7. Du Ring An Meinem Finger
8. Helft Mir, Ihr Schwestern
9. Susser Freund
10. An Meinem Herzen
11. Sun Hast Du Mir Den Ersten Schmerz Getan
Bernarda Fink, mezzo soprano
Roger Vignoles, piano

Johannes Brahms - Sonate pour clarinette et piano op.120 n°1 24′44
12. Allegro Appassionato
13. Andante Un Poco Adagio
14. Allegretto Grazioso
15. Vivace
Michel Portal, clarinet
Georges Pludermacher, piano

Hugo Wolf - Goethe-Lieder avec orchestre 19′19
16. Mignon
17. Der Rattenfanger
18. Harfenspieler I
19. Harfenspieler II
20. Harfenspieler III
21. Anakreons Grab
Juliane Banse, soprano
Dietrich Henschel, baritone
Rundfunkchor Berlin, dir.Simon Halsey
German Symphony Orchestra Berlin
Kent Nagano, conductor

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PQP

Domenico Scarlatti (1685 - 1757) - Sonatas para Cravo

Vocês sabem como é, o amante de Maria Bárbara de Bragança era insaciável: não parava de compor sonatas para cravo. Compôs mais de quinhentas e, se a morte não o tivesse interrompido, estaria compondo até agora. Este antigo registro de Gustav Leonhardt, feito ainda para a RCA Victor, é uma jóia que você deveria baixar. Scarlatti foi um grande compositor e, como era muito esperto, vendeu de forma superfaturada a José Saramago os direitos da história de sua aventurosa vida. O resultado foi o romance Memorial do Convento. Saramago só recuperou-se financeiramente ao ganhar o Nobel. Sorte de comunista.

Domenico Scarlatti - Sonatas para Cravo

1. Sonata in A minor, K 3 (Instrumental) 3:03
2. Sonata in F minor, K 185/184 (Instrumental) 7:36
3. Sonata in B minor, K 227 (Instrumental) 3:42
4. Sonata in F minor, K 238/239 (Instrumental) 7:02
5. Sonata in D minor, K 52 (Instrumental) 4:24
6. Sonata in E-flat Major, K 192/193 (Instrumental) 7:27
7. Sonata in A Major, K 208/209 (Instrumental) 6:23
8. Sonata in E-flat Major, K 252/253 (Instrumental) 6:31
9. Sonata in D minor, K 191 (Instrumental) 2:23

Gustav Leonhardt, cravo

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PQP

Gioacchino Rossini (1792-1868) - Pequena Missa Solene - Harmonia Mundi - 50 years of music exploration - CD 22 de 29

A Pequena Missa Solene de Rossini é, em minha opinião, uma das melhores músicas já compostas. Aqui, recebe tratamento especialíssimo de Marcus Creed num dos 29 históricos CDs que foram escolhidos para comemorar os 50 anos da notável gravadora Harmonia Mundi. É para se ouvir de joelhos. Não por Deus, mas pela religião da música mesmo. Escrita para um agrupamento inacreditavelmente pequeno de coro, solistas, 2 pianos e harmônica, a Missa parece destinada ao riso. Mas isto só até a música começar. A abertura, utilizada com notável sensibilidade por Pedro Almodóvar em seu filme A Má Educação (cena das crianças fazendo ginástica na escola, lembram?), é linda e tem a propriedade de instalar-se em nossa cabeça de uma forma difícil de controlar…

Meu amigo Milton Ribeiro escreveu uma pequena história protagonizada por esta música. Durante o conto, ele explica, de forma sucinta, as circunstâncias de sua composição.

Todos os Pecados Perdoados

Dedicado a Fernando Monteiro

Eu estava estudando na Itália, mas o tema de maior interesse, aquele sobre o qual me debruçava com verdadeira afeição, era Antonella, minha pequena e saltitante romana. Um dia, tivemos uma discussão acerca de algumas grosserias que, segundo ela, eu cometera, e ela rompeu nossa ligação.

Dias depois, telefonei-lhe e convidei-a para assistirmos à Pequena Missa Solene de Rossini, que seria apresentada na Parrocchia dell’Assunzione, no Tuscolano. Depois de alguma hesitação e surpresa - ela não esperava uma ligação minha, ainda mais sem referências a nosso impasse -, ela aceitou. Antonella amava a música de tal forma que eu não tinha como saber se a aceitação do convite significava um perdão ou a mera impossibilidade de recusar a Missa de Rossini.

Caminhamos lado a lado, sem nos tocarmos. Tive todo o cuidado em ser verbalmente o mais gentil com ela, já que as circunstâncias não permitiam nada além. Quando a Missa começou, ela se riu. Disse em meu ouvido que achara engraçada a pobre instrumentação que Rossini utilizara. Passaram-se alguns minutos e notei que Antonella estava muito emocionada. Abracei-a e ela apoiou sua cabeça em meu peito. Enquanto lhe acariciava o rosto, sentia suas lágrimas molhando meus dedos. Soube que estava perdoado.

Rossini começou a escrever música muito jovem. Era prolífico e compunha, em média, duas óperas por ano. Então, aos 37 anos - enfadado do freqüente contato com cantores temperamentais e diretores de teatro ainda piores -, parou de trabalhar seriamente com música, tornando-a um divertimento pessoal. Riquíssimo e célebre, dedicou-se ao lazer e a um irônico e gentil convívio com todos, itens nos quais era mestre. Costumava promover freqüentes festas em sua casa. Ali, bebia-se champanhe, vinho, comia-se esplendidamente e ouvia-se música. Às vezes, Rossini apresentava ao piano peças de um certo compositor anônimo… O compositor ressurgiu surpreendentemente aos setenta e poucos anos publicando duas extraordinárias peças sacras - o Stabat Mater e a Petite Messe Solennelle (Pequena Missa Solene) -, além de peças para piano. Tais obras foram agrupadas sob o título genérico de Péchés de vieillesse.

Fomos a meu apartamento, onde nos amamos e dormimos como fazem os casais. Quando acordei, não vi Antonella. Havia somente um bilhete em italiano sobre meu criado-mudo. Meu amigo, fomos engolfados por um dos “pecados da velhice” de Rossini. O que aconteceu não tem relação nenhuma com nossa situação. Não me procure mais. Antonella.

Nunca mais vi minha pequena Antonella. Porém, ontem, recebi de um amigo uma gravação da Missa de Rossini. Comecei a ouvi-la, mas logo certo pudor fez-me interromper a audição. Deixei todos dormirem para religar o aparelho de som. Então, enquanto minha mulher dormia, ouvi toda a gloriosa Missa, imóvel, sentado no escuro, sentindo a presença de minha adorável Antonella e de uma vida perdida.

Gioacchino Rossini - Pequena Missa Solene

1. Kyrie I. Kyrie 2:27
2. Kyrie II. Christe 1:49
3. Kyrie III. Kyrie 2:22
4. Gloria I. Gloria in excelsis Deo 0:37
5. Gloria II. Laudamus te 1:46
6. Gloria III. Gratias 4:45
7. Gloria IV. Domine Deus 5:37
8. Gloria V. Qui tollis 6:21
9. Gloria VI. Quoniam 7:32
10. Gloria VII. Cum Sancto Spiritu 5:33
11. Credo I. Credo in unum Deum 4:14
12. Credo II. Crucifixus 3:18
13. Credo III. Et resurrexit 4:51
14. Credo IV. Et vitam venturi 4:05
15. Prélude religieux (pendant l’Offertoire) 7:38
16. Ritournelle 0:33
17. Sanctus 3:53
18. O salutaris 5:27
19. Agnus Dei 7:25

Artist(s): Krassimira Stoyanova, Birgit Remmert, Steve Davislim, Hanno Müller-Brachmann,
RIAS Kammerchor
Marcus Creed

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PQP

Heitor Villa-Lobos (1887-1959) - Choros n° 6 e Bachianas Brasileiras n° 7

Em retribuição aos agradecimentos e elogios recentes, um post rápido, com essa gravação histórica do Villa  - em estúdio pela primeira vez com uma orquestra alemã*, em 1955. O CD é outra preciosidade lançada pela Kuarup.

* A da RIAS de Berlim (Rundfunk im amerikanischen Sektor ou Broadcasting in the American Sector).

1. Choros nº 6
2. Bachianas Brasileiras nº 7 - Prelúdio (Ponteio)
3. Bachianas Brasileiras nº 7 - Giga (Quadrilha Caipira)
4. Bachianas Brasileiras nº 7 - Tocata (Desafio)
5. Bachianas Brasileiras nº 7 - Fuga (Conversa)

Orquestra RIAS de Berlim, regida por Heitor Villa-Lobos

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CVL

Gustav Mahler (1860-1911) - Sinfonia Nº 7 e Rückert Lieder (CDs 10 e 11 de 16)

FDP escreveu na primeira postagem que fizemos desta obra:

Eis então que chegamos à Sinfonia nº7, que fo escrita entre 1904 e 1906, e por alguns chamada de “Lied der Nacht”, ou “Canção da Noite”, apesar de que Mahler não autorizava este “apelido”.

Entre sua conclusão e sua estréia, uma tragédia se abateu sobre o compositor, quando perdeu sua filha mais nova, além de descobrir que ele mesmo sofria de uma doença do coração, da qual viria a falecer alguns anos depois. Além disso, neste meio tempo, também veio a perder o posto de regente da Vienna State Opera. Maiores informações sobre a sinfonia pode ser encontrada aqui.

Leonard Bernstein nesta gravação rege sua orquestra favorita para esta obra, a Filarmônica de New York. Segundo sua biografia, a relação entre os dois (maestro e orquestra) quando se tratava desta sinfonia era de absoluta harmonia, ele comenta com certo músico que aqueles músicos conheciam tão bem a obra que ele nem precisava fazer muito esforço na sua condução, apesar de seu tamanho (80 minutos, em média).

Tenho uma relação curiosa, quiçá absurda com esta música: costumo ouvi-la do segundo ao quarto movimento, deixando de fora o primeiro e o último (também ouço muitas vezes as sinfonias de Haydn sem os minuetos, mas este é outro problema). O problema aqui é que simplesmente não gosto dos movimentos “pauleira” da sétima e os deixo de fora. Fico apenas com as duas ma-ra-vi-lho-sas “Músicas da Noite” e com o Scherzo, particularmente sedutor a este obsessivo ouvinte.

Symphonie No. 7 (New York Philarmonic feat. Leonard Bernstein)
01. I. Langsam (Adagio) - Allegro risoluto, ma non troppo
02. II. Nachtmusik. Allegro moderato
03. III. Scherzo. Schattenhaft
04. IV. Nachtmusik. Andante amoroso

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Symphonie No. 7
01. Symphony No. 7 E-moll - V. Rondo-Finale Tempo I (Allegro ordinario)

Rückert Lieder
02. Rückert Lieder No. 1 - Liebst du um Schönheit
03. Rückert Lieder No. 3 - Blicke mir nicht in die Lieder
04. Rückert Lieder No. 2 - Ich atmet’ ein linden Duft
05. Rückert Lieder No. 4 - Um Mitternacht
06. Rückert Lieder No. 5 - Ich bin der Welt abhanden gekommen

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Thomas Hampson : baritone
New York Philarmonic
Leonard Bernstein

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827) - CD5 - Beethoven - 2 Sonatas Op. 27, Op. 28 - Gilels


A falta de tempo, aliada a clássica preguiça, além de um péssimo serviço prestado nas últimas semanas pelo rapidshare, são os atuais responsáveis pela minha falta de postagens. Ah também não posso esquecer de mencionar a chuva que cai insistentemente nos últimos dias. E estes dias úmidos nos deixam deprimidos. Não podemos fazer nada. O que realmente importa nesta altura do campeonato é que tenho ainda pouco menos de 20 dias de ano letivo.. depois disso, as tão esperadas e sonhadas férias.

Mais três obras primas do repertório pianístico nas mãos de Gilels… sem dúvida, uma excelente companhia para este final de semana chuvoso e sem graça que está fazendo.O destaque é a magnífica “Sonata ao Luar”. Conheci poucas versões tão inspiradas quanto esta. Gilels em seu apogeu.

Ludwig van Beethoven (1770-1827) - CD5 - Beethoven - 2 Sonatas Op. 27, Op. 28 - Gilels

01 - Sonate No.13 Es-dur op. 27 No.1 - 1. Andante - Allegro - Tempo I
02 - Sonate No.13 Es-dur op. 27 No.1 - 2. Allegro molto e vivace
03 - Sonate No.13 Es-dur op. 27 No.1 - 3. Adagio con espressione
04 - Sonate No.13 Es-dur op. 27 No.1 - 4. Allegro vivace - Presto
05 - Sonate No.14 cis-moll op. 27 No.2 ‘Mondschein’ - 1. Adagio sostenuto
06 - Sonate No.14 cis-moll op. 27 No.2 ‘Mondschein’ - 2. Allegretto
07 - Sonate No.14 cis-moll op. 27 No.2 ‘Mondschein’ - 3. Presto agitato
08 - Sonate No.15 D-dur op.28 ‘Pastorale’ - 1. Allegro
09 - Sonate No.15 D-dur op.28 ‘Pastorale’ - 2. Andante
10 - Sonate No.15 D-dur op.28 ‘Pastorale’ - 3. Scherzo. Allegro vivace
11 - Sonate No.15 D-dur op.28 ‘Pastorale’ - 4. Rondo. Allegro ma non troppo

Emil Gilels - Piano

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.: interlúdio :. Oregon - Winter Light (1974)

Winter Light é um belíssimo disco da fase inicial deste velho e duradouro grupo de jazz, formado por músicos que se tornaram estrelas também individualmente. O Oregon é um grupo que oscila entre o vanguardismo e as melodias acessíveis, como faz um de seus membros em seus discos “singles”: Ralph Towner. Mas é jazz, sem nenhuma dúvida, e do bom. E, como o quarteto é formado de muitiinstrumentistas,a coisa fica sempre colorida e interessante.

Há inesperados solos de piano de Ralph Towner… Há um pulso delicado e pré-minimalista em algumas músicas e muita, mas muita improvisação. Ah, como na época ainda não tínhamos nos livrado da infuência indiana, Colin Walcott nos tortura moderadamente com algumas tablas.

Importante: este trabalho recebeu avaliação máxima de nove ouvintes na Amazon. Prova de que não só eu gosto dele.

Oregon - Winter Light

1. Tide Pool
2. Witchi-Tai-To
3. Ghost Beads
4. Deer Path
5. Fond Libre
6. Street Dance
7. Rainmaker
8. Poesia
9. Margueritte

Paul McCandless Clarinet (Bass), Horn (English), Oboe
Ralph Towner Guitar, Percussion, Clay Drums, Hands, Guitar (Classical), Piano, Guitar (12 String), French Horn, Flugelhorn
Collin Walcott Dulcimer, Clarinet, Percussion, Cover Photo, Pakawaj, Tabla, Sitar, Conga
Glen Moore Bass, Piano, Violin, Guitar (Bass), Bass (Electric), Flute

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PQP

César Guerra-Peixe (1914-1993) – Principais obras sinfônicas

Aqui um superpost “pague um e leve quatro”, para vocês aproveitarem o weekend inteiro e eu pegar mais umas duas ou três semanas de auto-licença.

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Guerra Peixe, que assinava o nome com um hífen que não havia em seus documentos oficiais, foi um violinista filho de portugueses nascido em Petrópolis que passou os primeiro anos de carreira tocando em orquestras de rádio e de bailes e fazendo arranjos para elas, no Rio de Janeiro.

Participou do Grupo Música Viva, surgido na década de 40 em torno de [Hans-Joachim] Koellreuter (pra quem ainda não ouviu falar do alemão, trata-se do introdutor do dodecafonismo no Brasil), ao lado de Cláudio Santoro, Edino Krieger e Eunice Catunda, mas – assim como Santoro e Krieger – deu tchau pro papo alienante do alemão e se deixa tomar pela leitura de Mário de Andrade.

Tanto é verdade, que Guerra-Peixe destruiu algumas obras dodecafônicas e catalogou as outras à parte, como um index.

O Guerra (alcunha para os amigos) recusou convites de Copland para morar nos EUA e de Hermann Scherchen para rumar para a Suíça, preferindo reger a orquestra da Rádio Jornal do Commércio de Pernambuco. Neste Estado iniciou suas informais pesquisas de campo a fim de se aprofundar na música folclórica, continuadas no litoral paulista na década de 50.

Sua estadia no Recife, de 1949 a 1952, reforçou sua inclinação nacionalista musical e o fez desferir ironias corrosivas a Koellreuter, antes e depois da tumultuosa querela com Camargo Guarnieri, pela Carta Aberta de 1950.

Em Pernambuco, Guerra-Peixe formou um círculo de aplicados alunos que iria render frutos anos mais tarde: Jarbas Maciel e Clóvis Pereira, expoentes da composição armorial (vide futuro post sobre a música armorial) e os únicos vivos do grupo, Sivuca (se o nome do sanfoneiro paraibano causar espanto, pois bem: ele sabia teoria musical muito bem) e Capiba, o maior compositor de frevos de Pernambuco.

Na década de 60, passa para sua fase universalista – ainda de orientação realista-comunista, mas menos marcada pelos ritmos nacionais, e com pontuais recaídas atonais – sempre ganhando a vida com arranjos para filmes e para músicos populares; é dele o famoso arranjo daquela marchinha futebolística “Noventa milhões em ação…”. Nas décadas seguintes, deu aulas de composição na Escola Villa-Lobos, no Rio, bem como para alunos particulares e na Universidade Federal de Minas Gerais (anos 80).

Como este resumo sobre Guerra-Peixe está mais para enciclopédia estudantil, procure por further information na Wikipédia.

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Aqui seguem as cinco principais obras sinfônicas do compositor, quatro das quais, de caráter programático e ligadas a símbolos da história e das artes brasileiras.

Museu da Inconfidência é a melhor, mais gravada e mais popular de todas elas – principalmente pelo segundo movimento, Cadeira de arruar – e a qual vocês devem ouvir primeiro, para ter uma boa impressão do Guerra. No próprio ano de estréia da suíte, 1972, ela foi gravada pela Sinfônica Brasileira, sob a batuta de Karabtchevsky, num vinil da Philips, junto com o Choros n° 6 do Villa e Mosaico, de Marlos Nobre.

O curto e solene movimento de abertura, que um compositor amigo meu e ex-aluno do Guerra me disse ser totalmente Paul Hindemith, reaparece no final do último movimento, um rondó que reveza um tema heróico, referente aos tempos de glória dos reinos africanos de onde saíram os escravos brasileiros, e um lamentoso jongo (ritmo precursor do samba) cantado pelo fagote, emulando um canção para distrair o trabalho e para amenizar a saudade que o escravo sentia de sua terra.

O segundo movimento resgata a atmosfera zombeteira dos escravos que caçoavam do senhor deles, sem este saber, enquanto levavam-no na cadeira de arruar (de andar pela rua) para ver as festividades profanas. O terceiro movimento, misterioso e triste, evoca o luto pelos que morreram nas manifestações de 1792, o qual se sente ao se quedar ante o panteão do museu ouropretano.

A retirada da Laguna (1971), a obra mais extensa do Guerra, foi baseada no livro de Visconde de Taunay (escritor, militar, historiador, político e também compositor, tendo apreço por Leopoldo Miguez e Carlos Gomes, e a quem meus colegas do tempo de escola chamavam de Visconde do Tonel), que por sua vez relata um dos episódios mais desastrados [e desastrosos] das tropas brasileiras na Guerra do Paraguai.

Este registro tem valor por trazer o próprio compositor como regente. Pertence a uma série lançada pela Funarte, primeiro em vinil depois em CD, na qual os autores regiam suas obras. Apesar de bem orquestrada e de bom apelo cinematográfico, a suíte é meio naïf, como a Sinfonia Brasília. É uma obra que valeria uma nova gravação, com uma grande orquestra e um bom maestro, para fazê-la render melhor.

Tributo a Portinari (1991) foi a última grande criação de Guerra-Peixe, escrita enquanto ele usufruía de uma bolsa da Fundação Vitae. A orquestração belipisciana continua pragmática e indefectível, disposta à la Beethoven mas tratada à la Copland, vinte anos depois da Retirada, do Museu e do Concertino. Podem observar que, independente da linha estética seguida, seus alunos – como Ernani Aguiar e Guilherme Bauer – a adotaram, devido sobretudo à economia (facilita a contratação de músicos).

Cordas sem divisi, madeiras aos pares, nunca com clarone ou contrafagote, sem recorrer ao piano e à harpa, raramente solicitando a celesta, usando dois ou três trompetes, quatro trompas e dois ou três trombones, dispensando por vezes à tuba, utilizando no máximo três percussionistas e reservando ostinati únicos aos tímpanos. E nunca repetindo uma seção anterior da peça sem modificá-la minimamente: A voltará como A’ (A linha), não como A.

Quatro quadros do mais célebre pintor que tivemos no Brasil serviram de base para a obra: Família de Emigrantes (na verdade, Retirantes), Espantalho, Enterro na rede e Bumba-meu-boi. Acontece que não existe somente uma tela que equivalha à cada título – pode fazer o teste no site da Fundação Portinari. E sobre cada movimento desse “Quadros de uma exposição” brasileiro (se bem que pela ausência de um tema ao estilo do Promenade, tal título cabe melhor ao “Museu”, pela sua “Entrada”) teria não sei quantas linhas a dizer; vamos adiante, que é melhor.

Quando da inauguração de Brasília, abriu-se um concurso para premiar uma sinfonia que tivesse a cidade como tema. Camargo Guarnieri tava escrevendo a dele, mas foi chamado para integrar o júri e arquivou a idéia até estrear sua Sinfonia n° 4 (1963). JK tinha encomendado a Tom e Vinícius tal sinfonia programática, mas por contratempos diversos a Sinfonia da Alvorada (1960) só foi ouvida em 1966 (e pela segunda vez vinte anos depois), uma verdadeira porcaria que vai ficar aqui mofando na minha discoteca.

Por não sei que cargas d’água, não se concedeu o primeiro lugar no referido concurso e o segundo foi dividido entre Guerra-Peixe, com a Sinfonia n° 2 (1960), Cláudio Santoro e José Guerra Vicente. É a obra mais ampla da fase nacionalista do Guerra, já adentrando na universalista; não vejo muita coisa de especial nela, exceto pelas palavras de JK no último movimento, no mais parafraseador estilo “Um retrato de Lincoln”, de Copland.

Por fim, o Concertino para violino e orquestra de câmara (1972), atendeu a um pedido de Cussy de Almeida, violinista e então maestro da Orquestra Armorial. No entanto, Cussy nunca executou a obra porque Guerra-Peixe confiou a première a Stanislaw Smilgin. O Concertino nem é a cara da Orquestra Armorial; se ele fosse escrito na fase nacionalista do Guerra, aí sim - mas o Movimento Armorial nasceu em 1970.

A presente gravação estava nos meus arquivos em mp3 que baixei da net. O LP de onde saiu o Concertino contém três peças breves para piano – as peças para violão e Espaços sonoros, o dono do disco juntou ao criar um CD caseiro. Decidi não excluir essas partituras não sinfônicas pela raridade delas.

Excelente semana.

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Museu da Inconfidência (Impressões de uma visitação em 1966)

1. Entrada (Andante)
2. Cadeira de arruar (Allegro moderato)
3. Panteão dos inconfidentes (Larghetto)
4. Restos de um reinado negro (Vivace)

Orquestra do 18° Festival de Música de Londrina, regida por Norton Morozowicz

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A retirada da Laguna

1. Partida para os campos
2. Pantanais
3. Alegria em Nioaque
4. Laguna
5. Uma noite calma
6. Incêndio – depois, o temporal
7. Esperança no Campo das Cruzes
8. A morte do Guia Lopes
9. Regresso pacífico
10. Canção à fraternidade universal

Orquestra Sinfônica da Rádio MEC, regida por Guerra-Peixe

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Sinfonia n° 2 – Brasília e Tributo a Portinari

1. Tributo a Portinari

I – Família de Emigrantes
II – Espantalho
III – Enterro na Rede
IV – Bumba-Meu-Boi

Sinfonia n° 2 – Brasília

2. I – Allegro ma non troppo
O candango em sua terra
A caminho do Planalto
Recordações que o acompanham
Chegada alegre
3. II – Presto
Trabalho
4. III – Andante
Elegia para o ausente
5. IV – Allegretto con moto
Manhã de Domingo
Allegretto
Tarde infantil
Andante
Desce a noite
Presto
Volta ao trabalho
Moderato
Inauguração da cidade
Allegro ma non troppo
Apoteose

Gravado ao vivo com a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, regida por Ernani Aguiar

Na Sinfonia n° 2 participam:
Coral da OSPA
Narrador: João Antonio Lopes Garcia

Texto: Juscelino Kubitschek, trecho do discurso da inauguração de Brasília

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Concertino para violino e orquestra de câmara (e outras peças)

Concertino para violino e orquestra de câmara
1. I. Allegro comodo
2. II. Andantino
3. III. Allegro un poco vivo

Orquestra não identificada
Regência: Guerra-Peixe
Violino: Stanislaw Smilgin

4. Peça p’ra dois minutos

Suíte n° 2 – Nordestina
5. I. Violeiros
6. II. Caboclinhos
7. III. Pedinte
8. IV. Polca
9. V. Frevo

10. Miniaturas n° 4
Allegretto – Adágio – Presto

Sônia Maria Vieira, piano

11. Lúdicas n° 5
12. Lúdicas n° 10
13. Prelúdio n° 1
14. Prelúdio n° 2
15. Prelúdio n° 5
16. Peixinhos da Guiné

Sebastião Tapajós, violão

Espaços sonoros
17. Estático
18. Dinâmico

Trompa: Francisco de Assis Silva
Piano: Sarah Higino

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CVL

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