A Nona Sinfonia (as maiúsculas são propositais) de Beethoven é daquelas obras que me dão a impressão de terem vindo pré-instaladas em minha mente. Ouvi-a pela primeira vez ou quando estava ainda no útero ou num tempo tão remoto, quando era tão pequeno, que sua absorção situa-se naquele nível das primeiras palavras aprendidas. Ou a Nona não foi apreendida pelo ouvido e já fazia parte do instinto, da herança genética, situando-se na mesma área do cérebro que me fazia respirar e desejar um seio? Será que eu já me divertia com aquele Scherzo enquanto metia a boca no leite ou só conhecia o tema do coral? Pois não posso imaginar outra música para aquele momento… Bobagem, esqueçam.

Não, não esqueçam. Pois não sei mesmo quando ouvi a Nona Sinfonia pela primeira vez. Com o tempo, reconheci que o Molto Vivace do Scherzo era a mais divertida das tais brincadeiras sinfônicas e que o inexprimível Adagio molto e cantabile era uma das melhores músicas que já tinha ouvido. E foi Karl Böhm, Karl Böhm, Karl Böhm e Karl Böhm quem me mostrou isso numa lentíssima gravação que ampliava, ampliava, ampliava e ampliava minha sensibilidade de uma forma que chegava a doer. (Algum de vocês a tem?) Mas, se com o tempo reconheci estes movimentos como geniais, o último era meu conhecido desde tempos imemoriais como a maior homenagem que a humanidade já recebera.

Já que falo no passado, gostaria de dizer que meu pai tinha uma superdiscoteca em casa e que cresci com ela. (Já imaginaram uma sonata de Beethoven num disco 78 rpm que a gente precisava virar rapidamente para ouvir a continuação do movimento by Arthur Rubinstein? Este disco era mais velho do que eu, mas eu o ouvia, para desespero das agulhas do toca-discos de meu pai e do próprio.) Porém, ele não tinha preconceitos e também possuía uma gravação pop de Ode to Joy by Waldo de los Rios. Era engraçada e era um compacto simples, se vocês sabem o que é isso.

Outra coisa: há um trecho do Scherzo onde, toda vez que ouço, lembro de Walter (depois Wendy) Carlos, da trilha sonora de minha amada Laranja Mecânica. Melhor parar por aqui.

Encharcado em lembranças, clico em “Publicar”. Abaixo, um grande registro de Lenny.

Leonard Bernstein - Wiener Philharmoniker - Beethoven, 9 Symphonies (Disk 5)

18. Symphonie No.9 in d-Moll, 1. Allegro ma non troppo, un poco maestoso
19. Symphonie No.9 in d-Moll, 2. Molto vivace
20. Symphonie No.9 in d-Moll, 3. Adagio molto e cantabile
21. Symphonie No.9 in d-Moll, 4. Presto
22. Symphonie No.9 in d-Moll, 5. Presto - [O Freunde, nicht diese Töne!] - Allegro assai

Gwyneth Jones : soprano
Hanna Schwarz : contralto
René Kollo : tenor
Kurt Moll : bass

Wiener Philharmoniker
Leonard Bernstein

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PQP