Ludwig van Beethoven (1770-1827) - As 9 Sinfonias (CD 4 de 5)
Beethoven chamava a oitava de “minha pequena sinfonia”. Nem tanto. É obra de um Haydn parrudo e um pouco mais mal humorado do que o original. Assim como a sétima, guardo a oitava em meu ventrículo esquerdo, o qual é muito grande (os cardiologistas dizem que é ali, no ventrículo esquerdo, onde o coração bate mais forte).
Otto Maria Carpeaux influenciou muitos brasileiros com seu bom porém pessoalíssimo Nova História da Música. Se bem lembro, ele colocava a sétima sinfonia ou no mesmo nível da nona. Era ele mesmo? Não tenho mais certeza e não estou com vontade de procurar. Durante largo tempo, eu fiz coro a esta opinião com a qual hoje não concordo. E nem é pelo grande movimento coral, mas sim pelo adágio e scherzo imbatíveis. Nada contra a cantoria e o Schiller da nona, claro.
A sétima sinfonia é uma série espetacular de danças, é quase a sinfonia pauleira de Ludwig van com aquele belíssimo Alegretto encravado em seu coração. Em tempo de Olimpíadas, eu certamente dou-lhe a medalha de prata das sinfonias beethovenianas. Voltaremos a esta sinfonia logo mais adiante. Ouvi-a ontem, e o Alegretto quase me fez voltar a concordar com o Carpeaux.
Nosso colega de OPS, Milton Ribeiro, escreveu uma pequena história onde a sétima de Beethoven era quase um personagem. O nome do conto é Da Pretensão Humana. Um homem, ao querer conquistar uma mulher, diz:
- … se queres me conhecer melhor, ouve o segundo movimento da Sétima Sinfonia de Beethoven.
Céus!
Leonard Bernstein - Wiener Philharmoniker - Beethoven, 9 Symphonies (Disk 4)
10. Symph. No.7 in A major, op.92 - I. Poco sostenuto-Vivace
11. II. Allegretto
12. III. Presto
13. IV. Allegro con brio
14. Symph. No.8 in F major, op.93 - I. Allegro vivace e con brio
15. II. Allegretto scherzando
16. III. Tempo di Menuetto
17. IV. Allegro vivace
Wiener Philharmoniker
Leonard Bernstein
PQP
agosto 17th, 2008 às 22:09
PQP,
Fui olhar o Carpeaux: ” a 7ª é a mais poética de todas (…) é talvez a maior sinfonia que existe”.
Mesmo muito criticado (”não é do ramo” é o comentário mais comum), acho Carpeaux no mínimo corajoso e instigante, colocando opinião onde outros livros apregoam que só existem obras-primas e igualam o nível de compostores o obras bem diferentes.
Sou suspeito, pois também considero a Sétima uma das maiores (mas a 5ª e a 9ª a ladeiam)… Também acho estranho a situação das sinfonias beethovianas de números pares, bem abaixo do nível das ímpares - estudos antes das ousadias extremas???
Ah, e continuo esperando uma alma caridosa que consiga (e disponibilize !!!) a 5ª com Boulez, que já procurei tanto sem exito.
Grande abraço, Eduardo
agosto 17th, 2008 às 22:41
A sétima está sem dúvidas entre as minhas obras preferidas da música como um todo.
O que a música de Beethoven passa para mim através da sétima não tem descrição. É algo que ocorre também na instigante e obsessiva repetição temática da quinta… claro que o verdadeiro ovo de Colombo está no último movimento da quinta, mas o tema é marcado a ferro em brasa definitivamente na alma no primeiro movimento.
Enfim, Beethoven foi, é e sempre será um compositor ao qual me entrego de corpo e alma!
Obrigado, PQP, pela oportunidade!
Rafs
agosto 18th, 2008 às 10:29
Eduardo, eu gosto do livro do Carpeaux. OK, é um livro para leigos. E daí? Só os especialistas podem escrever sobre música? Não seria uma limitação.
O “Eu e a Música” de Carpeaux é muito bom!