Henryk Górecki (1933 - ) - Symphony nº3 Sorrowful Songs,London Sinfonietta, David Zinman, conductor, Dawn Upshaw, soprano.
Meus amigos, Clara Schumann ainda permanece viva. Sim,com mais de duzentos anos, extenuada, mais ainda permanece neste ensemble. E regressa para se emiscuir em terrenos dos seus camarada, mormente com CDF Bach…É verdade!
Tenho sempre algum melindre em publicar compositores ditos modernos, do séc.XX. Não porque me desagradem - longe disso! -,mas porque desagradam ao ouvido de púlbico em geral,o que me faz ser extremamente criteriosa nas músicas eleitas.
Ao longo da história, a Polónia tornou-se célebre por duas razões paradoxais: por ter sido, constante e abusivamente, partilhada (ok, eu queria dizer ‘ocupada’,mas sou politicamente correcta!) pela Alemanha e pela Rússia, do tipo
- Josef, faço um pacto de não-agressão contigo, topas?
- Da, Adolf, mas metade da Polónia é minha, estou com ganas de jogar tiro ao alvo…polaco!
Claro que esta pacífica ocupação não de sintetiza aqui: Franceses,Espanhóis e até uma princesa portuguesa, dirigiram os destinos deste sacrificado país.
Uma segunda razão: o facto ser o país com mais místicos por km2, o que significa que é um país impregnado de religiosidade, cujo imaginário e efeitos se verificam na ilustre geneologia de compositores como Lutoslawski, Górecki e Pendérecki. Pedra de toque contra a ocupação soviética - e que culminou na eleição do célebre Papa que veio do frio (João Paulo II) -, o sentimento católico foi também uma pedra angular na produção músical destes compositores - acrescentando também o sonante nome do meu Rasputine musical, Arvo Pärt -, criando o conceito de minimalismo místico, muito embora ache que a sua música (górecki) ultrapassa muito os cânones dessa corrente musical. Isto porque não há, na sua música,a noção de ‘estrutura repetida’, mas de variação melódica,o que é um pouco diferente.
A presente sinfonia foi escrita no ano de 1976 e foi apresentada no ano em que Karol Woytila, o futuro Papa João Paulo II, ascendeu à mais alta magistratura religiosa católica (e um pouco de umbilicalismo, já agora: também no ano do meu nascimento!), em Varsóvia.
Só após um interregno e desconhecimento de 15 anos, a Sinfonia foi tirada do anonimato musical pela batuta inteligente de David Zinman, pela divina voz de Upshaw e pelo rigor da London Sinfonietta, estando 38 semanas no top de vendas de música clássica e arrecadando 1 milhão de cópias de venda.
A sinfonia é constituída por 3 movimentos:
- o primeiro movimento ( Lento—Cantabile semplice) baseia-se numa canção popular da Silesia (região do Sul da Polónia), narrando a demanda, a busca de uma mãe pelo corpo do seu filho,vítima das sublevações na Silésia, no período entre guerras, aquando da constestação dos polacos ao jugo dos Alemães;
- - o segundo movimento é baseado numa inscrição de uma oração na parede de uma cela na prisão da Gestapo em Zakopane, datada de 1944. Nela pode ler-se,O Mamo nie płacz nie—Niebios Przeczysta Królowo Ty zawsze wspieraj mnie (Mãe,não chores - Salve Rainha,protege-me sempre!);
- o terceiro, Lento—Sostenuto tranquillo ma cantabile, é contituído por um texto proveniente de um lamento de Maria (do séc.XV), das Lysagora żałosnych, do mosteiro de Santa Cruz, nas montanhas Świętokrzyskie;
Não serei profeta se caracterizar esta sinfonia como três momentos de melancolia dilacerada,rasgando os nossos orgãos internos. Sei que é redutor afirmar apenas isto… Talvez ,sob o signo confessional, possa dizer, como no verso final de um célebre poema, j’ai pris ma tête dans ma main et j’ai pleuré.
Henryk Górecki (1933 - ) - Symphony nº3 of Sorrowful Songs, London Sinfonietta, David Zinman, conductor, Dwan Upshaw, soprano,
1 - 1 - Lento—Cantabile semplice
2 - Lento e largo—Tranquillissimo
3 - Lento—Sostenuto tranquillo ma cantabile
julho 20th, 2008 às 3:01
Olás!
Vocês gostam de Gustav Holst? Têm interesse em postar?
Abraços!
julho 20th, 2008 às 8:28
Impossível não se encantar com seu texto, Clara. Bem vinda de volta ao blog.
Rafael, qualquer hora destas a gente posta Holst por aqui.
julho 20th, 2008 às 12:25
Eis essa sinfonia!!! Obrigado Frau Schumann por essa postagem tão esperada por este que vos escreve.
julho 20th, 2008 às 13:51
Rafael,
Eu tb gosto mto do “The Planets”, do Holst,mas n tenho…tlvz os meus amigos e companheiros tenham!
abraço.
FDP Bach, meu amigo,
Mto obrigada por gostar do q escrevo!Sabia o quão ansiava por regressar aos posts!
Beijo amigo!
Sander,
De nada! Sempre às ordens! Eu tb gosto mto desta sinfonia
abraço.
julho 20th, 2008 às 15:34
David Zinman é o regente da Tonhalle Orchestra Zurich que transformou de uma orquestra mediana a uma grande orquestra e suas gravações das Sinfonias completas de Beethoven estão elogiadíssimas. Há pouco tempo, por conta da demissão de Neschlling , levantaram seu nome para reger a OSESP……”SONHA MARCELINO”. Outro nome fantástico também levantado foi o do finlandês Osmo Vänska , que mudou a pequena Minnesota…..também acho que não custa nada sonhar….pero….
julho 20th, 2008 às 17:58
Olá, Clara! Gostaria de aproveitar este seu mais que triunfal retorno para pedir por uma obra que creio existir em seu acervo. Estou procurando por uma missa de requiem do Padre José Maurício. Refiro-me àquela escrita por volta de 1816, ano da morte de D. Maira I - provavelmente o fato inspirador da composição. A missa de Santa Cecília também seria muito bem vinda =) É isso… Obrigado pela atenção!
julho 20th, 2008 às 18:36
Kaissor,
Obrigada por essa informação!Queremos leitores como o Kaisser: interventivos!
abraço
julho 20th, 2008 às 20:41
Zinmam? Vänska ? Bem, mesmo que não consigam, pensam grande.
julho 20th, 2008 às 21:28
Victor S.,
Não possuo essas missas, apesar de imperialista e monárquica!
Tlvz possa redimir-me desse imperdoável facto,publicando obras sacras de Gabrieli? Q tal?
A sua,
Clara Schumann
julho 20th, 2008 às 22:00
Caríssimos amigos.
Realmente a melodia é pungente sobretudo na voz de Upshaw.
Como um todo, o primeiro movimento (e também o segundo) soam excessivamente “tonais”.
Os “motivos” são repetidos sempre em longos períodos como se, após um longo exercício, tomassem elã e resolvessem mudar de tonalidade.
Quando a linda e expressiva voz de Upshaw aparece, com aquele timbre raro e comovente, é um refrigério para a alma, mesmo deixando-a envolta em lágrimas.
O terceiro movimento, claramente polifônico, sôa, igualmente politonal. Os “motivos” são, em tudo, semelhantes aos dos dois primeiros movimentos e o recurso à politonalidade polifônica não é suficente para introduzir maior variedade ao conjunto. Os recursos dinâmicos são bem vindos mas tardam, excessivamente, a ocorrer.
Novamente, a melodia e a voz de Upshaw, nos levam à recolher nossa alma à contemplação mais pura e comovente.
Bem, caros amigos. Isto não é um crítica.
Tampouco uma negativa em eceitar os belos momentos existentas na obra.
Pediria, mesmo, que fossem postadas mais obras como esta e como a da excelente Franghiz Ali-Zadeh, sem temor de que o público não fosse gostar. Penso mesmo que ocorreria o oposto.
O que ecrevo, agora, é apenas uma primeira impressão.
Eu acho interessante escrever, sem maiores reflexões, as impressões que me causam, de chofre, as obras que sou levado a contemplar.
Não sei bem por que.
Talvez porque ache que tais impressões sejam mais verdadeiras, espontânes e compatíveis com a percepção do conjunto (como um todo).
Um grande abraço a todos.
Obrigado.
Edson
julho 20th, 2008 às 22:12
Meu caro Edson Mello,
No entanto, eu concordo consigo (sabe q as senhoras são levadas da breca, sobretudo, qdo são autoras do post :P), porque apenas me apetecia deixar uma única linha, a do poema q transcrevi; todavia, penso ser necessário - e sempre - fazer um breve excurso sobre a obra e o compositor em causa…
Belíssima, a sua crítica!
Se fosse só para colocar as minhas impressões, bastaria só apenas as minhas lágrimas,q nenhum ficheiro .rar pode conter…
Cordialmente sua,
Clara Schumann
julho 20th, 2008 às 22:15
Prezado Vitor S , eu tenho uma Gravação(CD) da Missa e Te Deum do Padre Maurício com a Orquestra Sinfônica da UFRJ regida por Ernani Aguiar; a obra foi lançada este ano por ocasião dos festejos dos 200 anos e teve apoio da secretaria municipal da cultura do Rio de Janeiro;encontrei o cd na Livraria Cultura de SAMPA recentemente. Infelizmente não sei dispor em computador os cds.
julho 20th, 2008 às 22:47
Olá Clrara.
Acho que você está certa.
Você colocou, lindamente, sua alma na apresentação feita. Alma sensível e, como toda alma sensível, uma linda alma que bem reflete os sentimentos que nela florecem.
Sou-lhe grato por me havê-la aberto com tanto carinho.
Um grande abraço e minha admiração.
Edson
julho 20th, 2008 às 22:50
Edson,
Sempre às ordens! tb gostamos de receber as suas críticas,digo, dum”connaisseur”;-)
Um abraço com quejanda admiração,
Clara
julho 21st, 2008 às 20:48
Kaissor,
Sei a qual disco se refere. Ele foi gravado pela Biscoito Fino e faz parte de uma série de quatro discos, dos quais apenas dois foram lançados até então - este e o de modinhas cariocas. Ambos estão disponíveis no site da gravadora. Estava em dúvida se a missa de requiem gravada nesse disco é a que estava procurando. Aparentemente, é. Só para ter certeza, vou lhe perguntar se o kyrie te faz lembrar o kyrie do requiem de Mozart. Se sim, é a que procuro. Seria fantástico se pudesse disponibilizá-la na internet, estaria me prestando um grande favor. Mas não se incomode com isso, sei que não é tão simples assim e creio que eu mesmo não teria paciência de fazê-lo. Contento-me com a sua resposta à pergunta que fiz. Obrigado pela atenção!
Clara,
Imperdoável facto seria nos abandonar (nos = demais integrantes do blog e leitores). Confio no seu bom gosto, de forma que não me preocupo com o conteúdo de suas postagens. Apenas desejo que continue postando!
julho 21st, 2008 às 20:52
Minha cara Clara, eu tinha este disco e em algum momento ele desapareceu… Infortúnios à parte, a questão é que eu o ouvia muito. Por conhecê-lo bem, acho que as faixas disponibilizadas aqui estão fora de ordem. A número 3, na verdade, é 1, e a 1 é a 3. Outra questão: a imagem que colocaste na pasta não é do disco do Górecki, mas do álbum Alina, do Arvo Pärt.
Um abraço,
Vitor
julho 21st, 2008 às 21:17
Vitor, corrigirei,de imediato! qto à capa do cd,n sei o q se passa….
abraço!
julho 21st, 2008 às 21:37
Victor S,
Mas devia confiar no conteúdo:modestamente, tenho q pretensão: q os leitores gostem do meu português, dos meus textos, em suma.
Tb pugno por ser didáctica e por informar bem os meus leitores relativamente às obras q posto!
abraço!
julho 22nd, 2008 às 19:53
Ola Clara,
baixei o Gorecki anteontem. Pelo que entendi, para ouvir a música corretamente, devo trocar o primeiro movimento com o terceiro, certo?
Ainda não ouvi a música mas, ao editá-la em meu CoolEdit, para concatenar o movimentos, percebi vários defeitos na gravação. A origem é um LP?
[]s
Ulrich
julho 22nd, 2008 às 20:58
Ulrich,
Exactamente!!! Não,a origem é um cd, mto ouvido,donde os defeitos!*
julho 23rd, 2008 às 15:11
Alô Clara e Goreckianos,
juntei os 3 movimentos da sorrowful symphony na ordem certa, tirei os defeitos e coloquei o resultado em http://rapidshare.com/files/131902717/GORECKI_Symphony_Sorrowful_Sonas_LondSinfv_Zinman_Upshaw_.mp3.html
Quem gostou da música na forma invertida, deve gostar mais ainda na ordem correta e sem ruidos. Podem ficar tranquilos pela limpeza, o que tirei foi de 3-10 milésimos de segundos por vez.
julho 23rd, 2008 às 21:53
Olá! Poderia postar mais Gorecki por aqui…
julho 26th, 2008 às 13:48
Querida Clara, conheces essa interpretação da 3ª de Górecki:
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Recomendo.
claraschumann Reply:
julho 26th, 2008 at 22:59
Sander,
Essa edição da naxos tem aquele maravilhoso “Grito” do Munch,mas, qto a mim,a interpretação da Upshaw é antológica.
Abraço