Heitor Villa-Lobos (1887-1959) - Rudepoema, por Roberto Szidon e Amaral Vieira
nov.29, 2009 em
Villa-Lobos
Aqui vai uma contribuição do nosso visitante Marcos Oliveira Santos, que - após ouvir o Rudepoema na interpretação de Nelson Freire, postado semana retrasada - disse que a peça soava melhor nas mãos de Roberto Szidon e de Amaral Vieira e nos mandou os dois arquivos. Ainda deu de brinde uma gravação em que o Villa fala da peça.
Segue tudo em arquivo único zipado.
CVL


novembro 29th, 2009 às 21:19
Muito legal. Vou baixar imediatamente!
E por falar em futebol… (alguém falou em futebol? rsrsrs)
Ridícula a maneira como o Corinthians abriu as pernas para o Flamengo. O goleiro Felipe só faltou deixar o gol escancarado na penalidade, além de não pular com medo de acertar, sem querer, o canto, ainda saiu discretamente da direção da bola, pois com certeza poderia ter segurado a penalidade com uma das mãos. Escabroso!
Avicenna Reply:
novembro 29th, 2009 at 23:25
O Corinthians lutou bravamente, Strava, e o Felipe só não irá para a seleção brasileira se houver mutreta na CBF! Grande Felipe! Grande goleiro … o maior do seu tempo!
novembro 29th, 2009 às 23:28
Fogo é aguentar o Flamengo dizer hexa sem ser, por isso torço pro São Paulo ou pro Inter.
novembro 29th, 2009 às 23:55
Bom, tem gosto pra tudo neste mundo… Eu havia ficado felicíssimo de encontrar aqui o Rudepoema com Nelson Freire porque o considero *um músico de verdade*.
Nos tempos em que eu comprava disco (vinil) a única gravação disponível no Brasil era a do Roberto Szidon. Nunca consegui ouvir inteiro. Talvez pela imensa indisposição que me ficou de haver visto Szidon ovacionado por uma casa cheia de ignorantes endinheirados por fazer duas horas de barulho incompreensível e música nenhuma. Por fazer careta e marretar o piano com cara de “bravura”. Sinceramente, para mim Szidon é um absoluto não-músico, sem nada a dizer no campo dessa arte, apenas guindado aonde chegou pela solidariedade étnica do meio empresarial. Um tipo de coisa que existe e me dá engulhos. Mas como ainda não o havia encontrado aqui no blog, imaginei que já se houvessem acamlado as ondas que ele causou, permitindo confirmar a solidez & permanência de artistas de verdade como Freire.
Ou de uma Guiomar Novaes - a quem Freire reverencia - da qual volto a dizer que é uma lástima que não se tenha nenhuma gravação aqui no blog.
Ou de representantes de gerações mais novas que, talvez ajudados pelas décadas de gravações acumuladas, vêm alcançando graus de excelência interpretativa impensáveis há alguns anos - como é o caso desta Sonia Rubinski que só vim conhecer aqui, no recente “Festival Villa-Lobos”, a qual coloca cada nota na hora e do modo mais belo imaginável, em interpretações absolutamente embasbacantes de tanta beleza tanta na filigrana quanto nos grandes arcos, no micro e no macro… Uma artista que se impõe por si, ABSOLUTAMENTE não depende da tal solidariedade corporativa de que falei…
Bom, enfim, como eu disse, os gostos são diferentes. Sorte do Szidon que tem quem goste dele. Tenho também que aprender a respeitar que alguém goste. Ainda bem que o mundo é grande o suficiente para ter lugar para todos os gostos… sem que eles necessariamente alcancem os meus ouvidos!
novembro 30th, 2009 às 8:11
Em arte, como em praticamente tudo na vida, há que se levar em conta a questão do gosto pessoal. Acabo de baixar as gravações e fiquei decepcionado com a interpretação de Roberto Szidon. Não concordo inteiramente com as opiniões de Ranulfus Mónacus sobre o pianista gaúcho, mas parece que falta a esta versão do Rudepoema uma energia vital (e sobretudo, fantasia). Mas achei a versão de Amaral Vieira admirável, com planos sonoros muito bem definidos, impulsos rítmicos de enorme precisão e as diversas seções contrastantes encadeadas de modo muito convincente. Na interpretação de Vieira, o Rudepoema não soa como uma sucessão de breves trechos ligados entre si: o pianista conseguiu dar à obra uma unidade que vai da primeira nota até os brutais acordes finais. Obrigado por postar esses interessantíssimos documentos sonoros. Murilo.
novembro 30th, 2009 às 14:41
O Rudepoema é uma obra arrebatadora, de enorme dificuldade técnica e que permite abordagens interpretativas muito pessoais. É uma pena que Arthur Rubinstein não tenha gravado a obra que lhe foi dedicada, pois essa poderia ser considerada uma versão oficiosamente autorizada por Villa-Lobos. A composição é um retrato musical de Rubinstein, de acordo com a dedicatória do Mestre Villa incluída na partitura. Escutei recentemente a gravação feita pelo pianista canadense Marc-André Hamelin, um dos monstros sagrados do cenário contemporaneo, mas sinceramente, não gostei. Das gravações que conheço dessa obra genial, fico com Amaral Vieira, Sonia Rubinsky e Nelson Freire, nessa ordem. Mas é preciso mencionar também a grande pianista brasileira Anna Stella Schic, falecida recentemente na França.
novembro 30th, 2009 às 20:38
Concordo com o Murilo sobre a leitura do Amaral Vieira. Conheci a obra na gravação da Anna Stella Schic que nunca me agradou, depois tive um vinil do Moreira Lima que tá uma náusea [cheguei a detestar a obra por causa destas gravações] e enfim no advento do CD encontrei esta do Amaral Vieira que me pôs extasiado… uma leitura digna deste colosso - não só pude compreender como me apaixonei completamente pelo Rudepoema. Planos sonoros, precisão, som, intenções… seguindo a part até parece “fácil” realizá-la [e olha que o Amaral Vieira não figura no meu hall de favoritos]. Quanto ao Freire, permitam a opinião, acho uma leitura um tanto desatenta e precipitada… o que não ocorre na Prole do Bebê no. 1 e no seu repertório Romântico. Saudações!
novembro 30th, 2009 às 20:41
Ah! Malu Chaves cita o Hamelin… alguém já ouviu essa máquina tocando Radamés??? Estranhíssimo…
dezembro 1st, 2009 às 11:50
De vossos comentários, deduzo que Amaral Vieira é o único aceitado por todos. O cara além de ter fãs pra caramba como compositor, também é convincente como intérprete.
dezembro 1st, 2009 às 16:00
Hamelin tocando Radamés? Pois deve ser um espanto… O Brazix Muamba está certíssimo: esse canadense é uma máquina tocando piano… a versão dele do Rudepoema é inteiramente mecânica, robotizada! É tocada somente com os dedos. Pobre Villa-Lobos! Compôs o que provavelmente é a mais importante obra da literatura pianística brasileira e sequer pode se defender dos atentados ao pudor cometidos por certos pianistas despreparados para esse tipo de desafio! Música inteligente requer intérpretes pensantes. Parece óbvio, mas não é fácil de achar. O Rudepoema que o diga…
dezembro 1st, 2009 às 16:01
Hamelin tocando Radamés? Pois deve ser um espanto… O Brazix Muamba está certíssimo: esse canadense é uma máquina tocando piano… a versão do Hamelin do Rudepoema é inteiramente mecânica, robotizada! É tocada somente com os dedos. Pobre Villa-Lobos! Compôs o que provavelmente é a mais importante obra da literatura pianística brasileira e sequer pode se defender dos atentados ao pudor cometidos por certos pianistas despreparados para esse tipo de desafio! Música inteligente requer intérpretes pensantes. Parece óbvio, mas não é fácil de achar. O Rudepoema que o diga…
dezembro 3rd, 2009 às 19:11
Comparei as três gravações disponibilizadas no site [Nelson Freire, Roberto Szidon e Amaral Vieira] e cheguei à conclusão de que Amaral Vieira ganha de goleada na interpretação do Rudepoema. Acompanhei as audições com a partitura nas mãos. Pelo fato de Vieira ser também compositor, construiu a sua interpretação levando em conta a a arquitetura da obra. Há uma construção muito organizada no Rudepoema, gol de placa para Villa-Lobos! Freire e Szidon tocam a peça de modo rapsódico, como se não houvesse uma ossatura sustentando essa gigantesca estrutura. Gol de placa para Amaral Vieira! Será que esse pianista gravou outras obras do Villa? Agradeço se alguém souber e puder informar.
dezembro 5th, 2009 às 9:25
Também fiz uma comparação das gravações do Nelson Freire, Roberto Szidon, Amaral Vieira e Débora Halasz, além de já ter assistido a Sônia Rubinsky tocá-lo ao vivo, aqui em Curitiba. Concordo que a interpretação do Amaral Vieira é a melhor. Ele enfatiza mais o “poema” que o “rude”. É de uma sensibilidade extraordinária. As versões da Sonia e da Débora também são muito boas. Acho que, do ponto de vista do som da gravação, da engenharia sonora, a da Débora Halasz, é a melhor. Porém, ela tende a ser excessivamente agressiva, às vezes. Não acho a versão do Szidon tão pavorosa. Tocar essa música não é para qualquer um! Porém, sou obrigado a concordar que ele não está à altura dos demais, sem falar naturalmente na questão do proteccionismo étnico, até por parte do Rubisntein, que é lamentável.
Infelizmente, não tenho a partitura da obra, que venho procurando há anos. Será que algum dos colegas me faria a gentileza de disponibilizá-la? Pagaria pela cópia com prazer.
Para mim, o Rudepoema é uma das maiores obras para piano do sec.XX, ao lado da Sonata no.2 (Concord, Mass.), do Charles Ives, da Sonata op.1, de Alban Berg, dos Prelúdios, de Debussy e do Catalogue des Oiseaux, de Messiaen.
dezembro 5th, 2009 às 13:01
Caro compositor, podes baixar um arquivo em formato PDF da edição original pela Max Eschig [em ótimo estado] no http://www.scribd.com - o atalho direto para o arquivo é http://www.scribd.com/doc/18292393/Villa-Lobos-Rudepoema
Caso tenha problemas ou não funcione o link, me informe um e-mail que lhe envio com prazer, sem custo algum. Abraço!
dezembro 5th, 2009 às 19:59
Caro Brazix Muamba,
Muitíssimo obrigado pela indicação! Já baixei a partitura, sem problemas.
Um abraço,
Harry Crowl
dezembro 6th, 2009 às 12:50
Totalmente de acordo com os comentários do grande compositor Harry Crowl, de cujas obras sou grande admirador. Mas será que Roberto Szidon foi mesmo favorecido por conta do protecionismo étnico? Está certo que no Rudepoema sua interpretação deixa muito a desejar, parece superficial (assim como a de Nelson Freire, diga-se de passagem). Mas acho boas as suas gravações das Sonatas de Scriabin. Mas é preciso enfatizar que Amaral Vieira é até agora o GRANDE intérprete do Rudepoema (e como apontou Harry Crowl, isso não é pouca coisa em se tratando de uma obra de tamanha dificuldade técnica e interpretativa). Bom domingo para todos os torcedores (e sofredores) do Brasileirão…
dezembro 6th, 2009 às 21:56
Ouvi todas as versões disponibilizas aqui. Possuo também as interpretações da peça com Stella Chic e com a Débora Hálasz que pra mim é a melhor de todas até agora. Logo, logo estarei postando o álbum da Débora.
dezembro 7th, 2009 às 11:13
Tenho todas as versões mencionadas pelo Marcelo Stravinsky, mas para mim a mais convincente de todas ainda é a do Amaral Vieira, que valoriza como observou Harry Crowl o lado poético da obra sem deixar de lado a rudeza presente na composição. Gosto também da versão de Débora Hálasz, mas acho sua leitura excessivamente brutal em certos trechos. O registro mencionado de Anna Stella Schic (como aliás também o de Arthur Moreira Lima) não está infelizmente no mesmo nível das versões que têm sido aqui discutidas, pelo menos essa é a minha impressão. Anna Stella foi uma pianista de envergadura, isto não se discute, mas ela não foi feliz na sua gravação do Rudepoema. Acontece. Nem mesmo o Nelson Freire venceu esta prova, em que pese todo o seu inegável prestígio e competência. Mas vamos prestar o nosso tributo a todos esses maravilhosos pianistas que se dispuseram a estudar e a gravar uma obra tão complexa, que é um dos pontos máximos do repertório pianístico de todos os tempos.
dezembro 7th, 2009 às 13:18
Fico com o Amaral Vieira também (e quem sou pra contrariar Harry Crowl e os pianistas/pianólatras que têm opinado até aqui?). Assombrosa a interpretação.
dezembro 7th, 2009 às 17:33
Também fico o Amaral Vieira! Achei importante o endosso do CVL. O Rudepoema é mesmo uma obra fenomenal. Baixei a partitura seguindo as instruções de Brazix Muamba (obrigado!) e constatei que a peça é ainda muito mais difícil do que eu imaginava. Como Villa-Lobos foi minucioso e exigente em suas marcações! E ocorreu-me que nem mesmo Stravinsky escreveu uma peça para piano comparável ao Rudepoema, seja em importância, extensão, conteúdo e inovação. Das obras originais de S. há a Sonata, a Serenata e pequenas peças. A mais importante obra para piano do compositor russo é na realidade uma transcrição, Três Movimentos de Pétrouchka, que dedicou a Rubinstein (a quem Villa também dedicou o Rudepoema). A obra completa de Stravinsky para piano cabe em um único CD. Villa-Lobos escreveu dez vezes mais para piano do que Stravinsky (não estou criticando). É somente uma reflexão pessoal sobre a importância intrínseca do Rudepoema, obra visionária e aparentemente única em todo repertório.
dezembro 7th, 2009 às 21:04
ótima a discussão! E acho que ela pode incluir ainda mais uma dimensão - que me vem à memória pela fala da Malu Chaves, que lamenta que o Rubinstein não tenha gravado a obra.
Pois é, há anos comprei um vinil com Rubinstein, Jascha Heifetz e Gregor Piatigorski tocando os trios de Mendelsohn e de Ravel, gravado em 1950. Fui ouvir cheio de expectativa pelo que esses grandes nomes fariam dessas lindas obras… e que decepção: uma gritaria sem sutileza nenhuma! Uma gritaria que, se não chegou a destruir o totalmente o Mendelsohn por este ser romântico, efetivamente destruiu a obra de Ravel.
E no entanto esses estavam entre os intérpretes mais cultuados da primeira metade do século…
Isso me levantou a hipótese de que a massa acumulada de música gravada que temos hoje, inclusive com as melhorias técnicas da própria gravação, venham propiciando um refinamento cada vez maior das interpretações - algo análogo aos récordes que vão sendo levados cada vez mais longe nas competições esportivas.
Outro caso que me reforçou essa hipótese foi a decepção com as gravações de Bach ao órgão por Albert Schweitzer - intérprete tão gabado nos livros.
Alguém mais aqui aposta na hipótese de que os músicos podem estar ficando cada vez mais feras - e pelo menos em parte pela existência de gravação?
dezembro 8th, 2009 às 12:53
Ranulfus Mónacus, é uma teoria bem interessante que você está propondo. Ainda preciso pensar um pouco mais a respeito para chegar a uma opinião mais consciente. Voltarei ao tema brevemente, é bem desafiador. Quanto ao Rudepoema, também prefiro a interpretação do Amaral Vieira, sem desgostar das demais. É a mais consistente e inspirada de todas, no meu entender. Por que será que a Cristian Ortiz, que gravou os Concertos de Villa-Lobos não fez ainda um registro do Rudepoema? Ou será que fez e não estou sabendo? Abraços.
dezembro 9th, 2009 às 10:58
Alberto, não encontrei o Rudepoema na discografia da Cristina Ortiz, o que é uma pena. Além das gravações do Rudepoema já mencionadas, tenho ainda: Roberta Rust, Alfred Heller, Alma Petchersky, Sergio Gallo, Joanna Brzezinska e David Bean (elepê). Nem é preciso dizer que o Rudepoema é uma das minhas obras preferidas. Mas a gravação do Amaral Vieira continua insuperável. Só posso repetir o que escreveu o cvl: interpretação assombrosa!
cvl Reply:
dezembro 9th, 2009 at 12:39
Putz, quantas gravações! Não conheço nenhum desses intérpretes, fora a Ortiz.
dezembro 11th, 2009 às 11:33
Acabo de escutar as duas gravações e li todos os comentários. Curiosamente, o Rudepoema se mostrou uma obra muito apropriada para efeitos comparativos. Também acho como o Ranulfus Mónacus que uma gravação do Rubinstein do Rudepoema seria provavelmente uma decepção, pois a visão interpretativa que se tinha dessa música naquela época era outra. Até mesmo o breve Polichinelo na versão gravada por Rubinstein não chega a ser uma revelação. Das gravações citadas pelo Geraldo, não conheço as de Sergio Gallo e David Bean. A versão de Débora Hálasz, muito elogiada com justiça por Marcelo Stravinsky, é bastante convincente - mas sou obrigado a concordar com Harry Crowl e Bruno Doria que é exageradamente agressiva. Mas estou de acordo com o Ranulfus que o Roberto Szidon foi sempre badalado além da medida. Além de todos os interessantes pontos discutidos neste espaço cultural democrático, uma pergunta fica sem resposta. Por que o Nelson Freire, um dos melhores pianistas do mundo, deixou tanto a a desejar na sua versão do Rudepoema? Tenho a impressão de que ele não compreendeu a obra. Não lhe faltam recursos técnicos (bem pelo contrário!) para enfrentar as inúmeras dificuldades dessa peça - mas tudo aponta para uma falta de compreensão. O grande pianista está bem mais a vontade no repertório clássico-romântico. Quanto ao Rudepoema, na minha avaliação , a única gravação que recomendo sem qualquer restrição é a do Amaral Vieira, pianista mais conhecido como um dos grandes intérpretes das obras de Liszt. Grato a todos.
dezembro 13th, 2009 às 12:50
Deixei esta mensagem no link do Stabat Mater, mas como refere-se também ao Rudepoema, achei oportuno deixá-la também aqui. Baixei os dois arquivos (Tributo a Neruda e Stabat Mater) e ainda o Rudepoema - e como a frase está na moda, digo: Amaral Vieira é o cara. Versátil como compositor e intérprete, ocupa lugar único neste país onde somente os escândalos do governo parecem merecer espaço na mídia. Um pianista que consegue fazer uma gravação do Rudepoema superior ao Nelson Freire, mereceria já só todos os aplausos. Acrescente-se a isso uma produção de mais de 500 títulos como compositor, da qualidade deste Stabat Mater e desta Missa pro defunctis, pouco resta a acrescentar. O cara detona, como compositor e como intérprete. Mas faz quantos anos que não toca no Rio de Janeiro? A última vez que esteve por aqui foi quando tocou com a Petrobrás Pro Musica a Fantasia Wanderer de Schubert, sob a regência do grande Osvaldo Colarusso. Quantos anos atràs? Nem eu sei dizer, mas lembro-me que foi um concerto memorável. Está para existir outro país que maltrate os seus artistas como o Brasil. Mas o tempo fará justiça, ainda que postumamente. Vocês estão de parabéns por não esperar o artista morrer para homenageá-lo. Obrigado. Francisco Ribeiro, Rio de Janeiro
dezembro 19th, 2009 às 20:45
Olá!
Eu sou obrigado a concordar com todos aqui quanto à qualidade da interpretação de Rudepoema pelo Amaral Vieira. Pela primeira vez eu ouvi esta obra como sendo uma música só. Quer dizer, o Amaral Vieira estruturou-a como uma única peça, enquanto os outros tocaram-na como se fosse um conjunto de peças.
Quanto às críticas feitas ao Szidon, concordo com muitas delas, mas a gravação dele das Cirandas e Cirandinhas do Villa-Lobos é sensacional (há quem discorde).
janeiro 4th, 2010 às 14:17
Concordo com o Tiago. Nas mãos e sensibilidade de Amaral Vieira o Rudepoema torna-se uma obra coesa, una, ao passo que os demais intérpretes a tocam de modo muito fragmentado. Escutei recentemente a gravação de Marc-André Hamelin e odiei, simplesmente. O Rudepoema para ele foi um mero pretexto para exibir a sua privilegiada técnica pianística. No entanto, esta obra exige bem mais do que dedos ágeis e fortes… além de grande pianista, é preciso ser um grande ARTISTA para corresponder às enormes exigências dessa partitura fascinante. Feliz Ano Novo, amigos!
janeiro 29th, 2010 às 8:48
O Rudepoema sempre foi e continua sendo uma obra enigmática para mim. É muito diferente de tudo o que Villa-Lobos escreveu para piano. Parece uma gigantesca Esfinge, que coloca intérpretes e ouvintes diante da ameaçadora pergunta “decifra-me ou devoro-te!” Confrontei no final de semana passada todas as gravações da minha coleção (são nove no total) e a única interpretação que me pareceu verdadeiramente convincente é a do pianista Amaral Vieira, pelos motivos que já foram enumerados nos comentários anteriores. Nesse registro há um extraordinário equilíbrio entre absoluta fidelidade às marcações da partitura e uma fantasia interpretativa fascinante. Também como o Leonardo Toledo, achei a gravação de Marc-André Hamelin decepcionante. O pianista canadense prestou um grande desserviço à obra-prima do nosso maior compositor. Já foi perguntado no comentário do Joel Silveira, mas ninguém ainda respondeu: Amaral Vieira gravou outras obras do Villa?
fevereiro 28th, 2010 às 21:56
Na verdade, tanto o Szidon quanto o Hamelin têm duas versões do Rudepoema, e pelo que notei o Amaral Viera também, já que a versão que eu tenho aqui tem um minuto a mais do que a que vocês estão oferecendo.
No caso do Szidon, a gravação que vocês disponibilizaram é a pior, lançada num vinil da década de 60, junto com o Amazonas. A segunda, lançada pela Deustche, me agrada bem mais e é acompanhada por uma deliciosa gravação do Carnaval das Crianças (minha predileta, até o momento).
No caso do Hamelin, não acho que ele seja apenas uma máquina, ainda que force a barra frequentemente. As duas versões são bastante diferentes (o que mostra a busca de uma interpretação), a segunda (a mais conhecida) é um pouco mais lenta (um minuto e dez segundos) e bem mais introspectiva. Ainda que reconheça essa tentativa de dar uma interpretação mais psicológica (pelo caráter introspectivo), acho a primeira versão bem mais interessante, melhor concatenada e fluida.
De qualquer forma, nenhuma das gravações que conheço me satisfaz por completo. Como é, aliás, muito comum no Villa, parece que a turma perde o foco, quer procurar floresta tropical em tudo e esquece que ele disse que a obra é um retrato psicológico, num hábito bastante comum de achar que ele não sabia o que dizia…