Poulenc junto com Villa-Lobos e Britten talvez tenham sido os melhores compositores off-road do século XX. O compositor francês foi o principal membro do “grupo dos seis”, grupo anti-romântico fortemente influenciado pela leveza de Eric Satie e o neo-clacissismo de Stravinsky. No concerto para dois pianos ouvimos Mozart, mas não do século XVIII e sim um Mozart com maneirismos modernos. Não podemos negar que há inevitavelmente um modernismo nessa volta ao passado. Basta lembrar também dos Kammermusik de Hindemith que são os Concertos de Brandenburgo do século XX. Essa transposição da leveza e humor do classicismo, de certa forma perdidos no romantismo, para o período moderno, foi um marco para a história da música. Mas ao contrário de Hindemith, que deixou inúmeros discípulos, Poulenc não criou escola.
Como ocorria no período clássico, Poulenc escreveu inúmeras sonatas para quase todo tipo de instrumento. Aqui vamos ouvir uma das suas melhores obras – a sonata para dois pianos. É uma obra difícil e dramática, com toques sutis daquela religiosidade que já conhecemos, com absurdos contrastes entre explosões e calmarias. Paradoxalmente, a mais romântica de suas peças.
Depois ouvimos muito da influência de Eric Satie em peças despretenciosas, mas inesquecíveis (o Capriccio para dois pianos é lindo).

CDF

Faixas:

1. Concerto for 2 pianos & orchestra, FP 61 - Allegro ma non troppo
2. Larghetto
3. Finale: Allegro molto
4. Sonata for 2 pianos, FP 156 No. 1, Prologue (Extremement lent et calme)
5. No. 2, Allegro molto (Tres rythme)
6. No. 3, Andante Lyrico (Lentement)
7. No. 4, Epilogue (Allegro giocoso)
8. Sonata for piano, 4 hands, FP 8 No. 1, Prelude (Modere)
9. No. 2, Rustique (Naif et lent)
10. No. 3, Final (Tres vite)
11. Capriccio for 2 pianos (after Le bal Masqué), FP 155
12. L’embarquement pour Cythère
13. Élégie (en accords alternés), for 2 pianos, FP 175

Performed by Love Derwinger and Roland Pöntinen
Malmo Symphony Orchestra
Conducted by Osmo Vanska

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