Anton Webern (1883 - 1945) - Complete Works - Disco 3
Conversava com alguns amigos sobre grandes mestres das canções. E inevitavelmente os nomes foram surgindo: Tom, Chico, Djavan…, Schubert, Schumann, Brahms; mas quando falei sobre canções de Webern, o silêncio foi total. Boa parte das obras de Webern foi dedicada a este gênero musical tão comum nos dois mundos da música (popular e clássica). O alemão passou mais de dez anos só escrevendo canções, isso no seu mais importante período de amadurecimento musical, adotando com grande vigor as idéias dodecafônicas de seu mestre, Schoenberg. Talvez por isso, suas canções estão entre as mais difíceis obras do mestre, e mesmo entre aqueles de estômago forte, poucos se arriscam nessa música tão anti-melódica e árida.
A sensação que tenho é a do trovador dedilhando seu alaúde, cantando aquelas lindas canções de Dowland no pé da janela de sua amada. E de repente, da janela, sai uma mulher similar àquelas de um filme expressionista alemão, cantando canções místicas de sentimento denso e frio. Tão broxante que o trovador assustado se esquece para que veio. Mas não vai embora, uma força mantêm o rapaz no mesmo lugar. Para quem duvida, ouça o disco de Dowland postado pela Clara Schumann e, na seqüência, este terceiro disco de Webern da caixa Complete Works.
Mas não só de canções vive um grande mestre, há importantes obras instrumentais nesse disco, como as Five pieces for Orchestra op.10, aqui Webern utiliza praticamente todos os truques orquestrais existentes na época (trabalha com volume, dinâmica, intervalos, mudanças de ritmos) uma verdadeira aula de composição, e tudo isso em apenas 5 minutos. Um poeta sem rodeios que vai direto ao ponto (como a musa da janela). Outra importante obra é seu Quartet for violin, clarinet, tenor saxophone, and piano, Op. 22 (1928 -1930), música que mistura efeitos timbrísticos praticamente de uma nota a outra. A concentração do músico deve ser absurda. O mesmo acontece com o Concerto for 9 instruments, Op. 24 (1931-1934), obra-prima dedicada ao seu querido mestre, Schoenberg.
Destaco também o belíssimo e desconhecido Piano Quintet (1907), obra que abre este disco. Peça com um único movimento (Moderato), muito influenciada por Brahms, escrita pouco antes da Passacaglia op.1. É para aquele que pensa que está em terreno seguro só por saber que vai ouvir música tonal. Triste engano. A obra é forte e carrega um caráter sombrio angustiante (final arrebatador). Com certeza, mereceria ser o opus 1.
CDF
Disco 3:
1. Piano Quintet op.post. - Moderato
2. “Entflieht auf leichten Kähnen” op.2
3 - 4. 2 Songs op.8 for voice and eight instruments
5 - 9. 5 Pieces for Orchestra, Op.10
10 - 13. 4 Songs op.13 for voice and orchestra
14 - 19. 6 Songs op.14 for voice, clarinet, bass clarient,violin a.cello
20 - 24. 5 Sacred Songs op.15 for voice, flute, clarinet, bass clarinet, trumpet, harp, violin and viola
25 - 29. 5 Canons op.16 for high soprano, clarinet and bass clarinet
30 - 32. 3 Traditional Rhymes op.17 for voice, violin, viola, clarinet and bass clarinet
33 - 35. 3 Songs op.18 for voice, E clarinet and guitar
36 - 37. 2 Songs op.19 for mixed choir accompanied by celesta, guitar, violin, clarinet and bass clarinet
38 - 39. Quartet op.22 for violin, clarinet, tenor saxophone and piano
40 - 42. Concerto op.24 for flute, oboe, clarinet, horn, trumpet, trom- bone, violin, viola and piano
Performed by Berlin Philharmonic Orchestra
Conducted by Pierre Boulez
setembro 26th, 2008 às 11:19
Muchas gracias.
Espero ansioso el cuarto CD.
(disculpe que no escribo en portugués).