O usurpador Marcelo Stravinsky volta ao blog com sua segunda colaboração, aproveitando o sucesso recente da primeira postagem de Alberto Nepomuceno: duas coletâneas que incluem obras para orquestra e para cordas do compositor cearense.

Próximo fim de semana é a vez do Villalobiano e de Avicenna voltarem, encerrando o ciclo de colaborações ao PQP Bach. Um deles fará parte de nossa família musical, enquanto os outros dois terão portas abertas para sugerir postagens, desde que escrevam os textos sobre os álbuns.

CVL

***

Aqui no Ceará, mas precisamente em Fortaleza, existe um único conservatório de música, Conservatório de Música Alberto Nepomuceno, que com certeza guarda um rico acervo de partituras deste importante compositor brasileiro e que arduamente insiste em manter suas portas abertas para a formação de músicos eruditos e populares.

Quando era adolescente, meninote mesmo, tive muita vontade de estudar música nesse conservatório. Nessa época eu já gostava de música erudita, principalmente dos compositores barrocos e não tinha quase idéia nenhuma sobre música de Alberto Nepomuceno, a não ser pela melodia do Hino do Estado do Ceará. Infelizmente minha família não teve condições financeiras para bancar meus estudos musicais. Sonhava ser compositor.

Alguns anos mais tarde tive a oportunidade de estudar violino, gratuitamente, no SESI. Lá, eles ainda hoje, mantêm uma orquestra de câmara e lecionam aulas de instrumentos de cordas e de sopro para a comunidade. Foi exatamente durante ensaios da orquestra de câmara do SESI que tive oportunidade, pela primeira vez de ouvir a música de Alberto Nepomuceno. Era linda Serenata para Cordas. Fiquei apaixonado pela peça e até consegui a partitura, nem sei se ainda a tenho. Daí em diante comecei a buscar mais obras, mas logo percebi que era mais fácil achar obras de compositores estrangeiros do que a dos nossos. Acabei conseguindo uma caixa com 3 discos de vinil com a obra completa para piano de Nepomuceno (guardo-a com muito carinho) e pude me deliciar com peças maravilhosas, sobretudo o Batuque na interpretação do grandioso Miguel Proença. Alguns anos a frente, assistindo ao filme O Alienista, escutei a melodia do Batuque para orquestra, fiquei ainda mais maravilhado com a música. Pesquisando na Internet descobri que Nepomuceno tinha escrito uma peça chamada Série Brasileira, na qual o Batuque fazia parte e fiquei mais encantado ainda pelo compositor conterrâneo. Apesar do pouco acesso a suas obras, procuro sempre por alguma gravação nova para comprar ou disponível para download.

Vamos as obras!

***

CD Aurora Luminosa

Orquestra Sinfônica Nacional - Universidade Federal Fluminense
Regência: Ligia Amadio

01 - Werther - Alexandre Levy 15´04
02 - Alvorada - Carlos Gomes 7´09
03 - Avè Libertas - Leopoldo Miguez 19´12
04 - Série Brasileira - Alberto Nepomuceno 23´36
Alvorada na serra
Intermédio
A sesta na rede
Batuque

BAIXE AQUI

Este projeto foi realizado pela Orquestra Sinfônica Nacional da Universidade Federal Fluminense em conjunto com o Ministério da Educação para comemorar os 45 anos da OSN-UFF e com o intuito de divulgar a música sinfônica brasileira gratuitamente na Internet através do Portal Domínio Público.

Obs.: Os textos sobre as obras foram retirados do encarte do cd – Pesquisa textual – Robson Leitão.

Obras

Werther – Alexandre Levy
Repleta de Lirísmo, Werther é inspirada na obra de Goethe – Os sofrimentos do jovem Werther, de 1774, um dos pontos de partida para o estabelecimento da imagem trágica do herói romântico, que, ironicamente, seria encarnada pelo próprio Levy em 1892, quando morreu prematura e misteriosamente, aos 28 anos de idade.

Alvorada – Carlos Gomes
Lo schiavo possui intenções claras de exaltar o movimento abolicionista brasileiro. Dedicada à Princesa Isabel, estreou no Imperial Teatro D. Pedro II, no Rio de Janeiro em 2 de Setembro de 1889. Hoje, pode causar certa estranheza serem  índios os escravos retratados nessa ópera e não negros africanos; o fato é que Carlos Gomes optou pela etnia indígena para não desgostar ainda mais D. Pedro II que, sabia ele, aceitara a abolição da escravatura muito a contragosto. Da partitura de Lo schiavo fazem parte oito das mais belas páginas orquestrais de Carlos Gomes: é a Alvorada, que retrata o nascer de um novo dia na floresta tropical, quando se ouvem a brisa nas folhagens, toques de corneta de uma frota portuguesa ao longe, voos de pássaros, gorjeios de uma sabiá  e ecos de um imponente hino marcial, tudo estruturado em harmonia ímpar. A riqueza de suas nuances melódicas tem impressionado ouvintes de todas as épocas, em qualquer parte do Brasil ou do mundo.

Avè libertas – Leopoldo Miguez
O poema sinfônico Avè libertas, composto em 1890 para comemorar o primeiro ano da Proclamação da República e dedicado ao Marechal Deodoro, segue a fórmula romântica de exaltação nacionalista, inspirada na Europa e mantendo o espírito libertário da época, o mesmo que marca o refrão do Hino à Proclamação da República, cuja música é de sua autoria.

Série Brasileira – Alberto Nepomuceno
Estreada, na versão integral para orquestra, em 1897, a Série Brasileira é um marco na música nacionalista brasileira, utilizando temas que evocam canções e melodias bastante populares, hoje incorporados à memória coletiva nacional. Sua qualidade composicional é indiscutível, e o “Batuque” (a Quarta da série) ganhou destaque internacional: foi muitas vezes executado isoladamente por orquestras do mundo todo.

***

CD Orquestra de Câmara Villa-Lobos - Sem Título
Orquestra de Câmara Villa-Lobos

01 - Bachianas Brasileiras Nº 4 - Prelúdio - Villa-Lobos 9´23
02 - Bachianas Brasileiras Nº 9 - Prelúdio - Villa-Lobos 2´20
03 - Bachianas Brasileiras Nº 9 - Fuga - Villa-Lobos 7´15
04 - Serenata - Alberto Nepomuceno 4´49
05 - Ponteio - Claudio Santoro 6´16
06 - Quarteto de Cordas Nº 1 - Cantilena 1´59
07 - Quarteto de Cordas Nº 1 -Brincadeira 1´22
08 - Quarteto de Cordas Nº 1 -Canto Lírico 4´59
09 - Quarteto de Cordas Nº 1 -Cançoneta 1´57
10 - Quarteto de Cordas Nº 1 - Melancolia 6´06
11 - Quarteto de Cordas Nº 1 - Saltando como um Saci 2´45

BAIXE AQUI

Obs.: Os textos sobre as obras foram retirados do encarte do cd

Bachianas Brasileiras Nº 4 – Villa-Lobos
Villa-Lobos compôs suas Bachianas na década de 40, no Rio de Janeiro. Nesta peça não é Villa-Lobos que canta, mas os rios, os mares e as florestas brasileiras. Prelúdio é uma idéia escrita em movimento lento.

Bachianas Brasileiras Nº 9 – Villa-Lobos
A nona Bachiana Brasileira é a composição que encerra esta série de peças. Foi composta nos Estados Unidos, em 1945, e dedicada a Aaron Copland. Segue rigorosamente a tradicional forma barroca estabelecida por Bach em seus prelúdios e fugas. Trata-se de uma peça compenetrada, série e madura, com momentos de intensa dramaticidade, combinada com excepcional maestria pelo compositor.

Serenata Para Cordas – Alberto Nepomuceno
É uma peça encantadora e despretensiosa esta Serenata para Cordas. Foi composta em homenagem ao aniversário do famoso poeta brasileiro Olavo Bilac, em 1902. É um tema tipicamente brasileiro, fazendo alusão à modinha.

Ponteio – Cláudio Santoro
Sobre uma base que evoca a vibrante música folclórica e popular do Brasil, Ponteio é uma obra polifônica em três movimentos. Neles podemos sentir um movimento constante com a presença de percussão. Segue-se o intermezzo com a característica lírica e repete-se a introdução.

Quarteto de Cordas Nº 1 – Villa-Lobos
Os quartetos de cordas de Villa-Lobos ocupam um lugar de destaque no conjunto de sua obra. Esta peça foi composta em 1915. Trata-se, na verdade, mais de uma suíte em seis movimentos do que de um quarteto estruturado segundo cânones tradicionais. É uma peça impregnada de nostalgia e do lirismo profundo inspirado na natureza brasileira.

***

Marcelo Stravinsky