Paulo Costa Lima (1954) e Wellington Gomes (1960) - Outros ritmos

Um amigo meu que sempre manda CDs para eu postar aqui - isso quando não já tenho a gravação - me perguntou: “Você tem algo contra a Bahia e o Pará? Vejo você postar coisas de compositores do Sul, do Sudeste e de Pernambuco e Paraíba, mas nunca daqueles dois Estados”.

Pois é, faltou mencionar também compositores como o cearense Liduíno Pitombeira (de quem só divulguei uma única peça até hoje no PQP) ou o carioca radicado matogrossense Roberto Victorio, sem falar de um compositor standard [dentre os nacionais] nascido no Amazonas, que foi Claudio Santoro…

Tenho repertório para ficar postando por mais uns três anos, caso eu aparecesse todo dia por aqui [isso para não falar nos vinis que ainda não digitalizei - há coisas raras dos anos 60 e 70 que são espetaculares], mas, pelo contrário, tenho de anunciar hoje meu afastamento deste estimado blog devido a uma nova etapa profissional, que vai me obrigar a deixar o país.

Acabei escolhendo um CD que já estava disponível para download no Música Brasileira de Concerto. Mesmo assim, que é representativo da produção de câmara e orquestral de dois dos mais destacados compositores vivos baianos - alunos dos bambas que integraram a primeira geração do Grupo de Compositores da Bahia há cerca de 50 anos.

Se é verdade que todo grande criador musical brasileiro teve de botar um pé num terreiro, literalmente falando (vide Villa, Guerra, Guarnieri, Siqueira, acho que Mignone também…), em Salvador esse item parece ser estágio obrigatório na Escola de Música da UFBA, pois os baianos - incluindo os compositores mais novos - sabem como ninguém incorporar as matrizes rítmicas africanas a qualquer linguagem instrumental ou estrutural de forma orgânica, fluida.

No presente CD, a faixa que mais sintetiza essa simbiose, desde seu título, é Atotô do l’homme armé, de Paulo Costa Lima. Contudo, prestem atenção na Fantasia para violoncelo e orquestra de câmara, de Wellington Gomes, cuja escrita também é de primeiro nível.

No mais, evito despedidas e espero aparecer fortuitamente por aqui, nem que seja para contribuir com comentários. Quem sabe outro membro do blog ou um futuro novato não pegue meu acervo pra ir dando conta dele. Abraço a todos.

BAIXE AQUI (Não, não baixe aí. O fechamento do Megaupload ferrou tudo. Recorra ao link abaixo mesmo.)

CVL

Vocês também podem baixar o CD no blog parceiro Música Brasileira de Concerto, onde está a lista de faixas e intérpretes.




Quinteto Armorial: Do Romance ao Galope Nordestino (1974), Aralume (76), … (78), Sete Flechas (80)

Há algum tempo notei, com susto, que não tínhamos aqui no blog um disco que considero entre os “top most” de toda a produção musical brasileira: o primeiro do Quinteto Armorial, “Do Romance ao Galope Nordestino”, de 1974.

Verdade que tínhamos várias peças desse disco na postagem do CVL “Projeto Quadrante - A Pedra do Reino” - mas nesses mixes perde-se um elemento artístico tão importante quanto cada peça em si, que é a concepção de conjunto de cada disco. Por isso, fazia tempo que vinha planejando postar aqui o tal disco de 1974, e até havia decidido que seria esta semana.

Depois desdecidi. Resolvi postar outra coisa antes, e adiar o Quinteto Armorial para a semana que vem.

Até que… ontem abri o blog e dei de cara com a postagem de Ciarán Farrel pelo CVL, no qual ele inclui vídeo de uma peça do segundo disco do Quinteto Armorial. Aí só pude pensar “estava escrito!”, adiar a outra postagem e atacar de Quinteto Armorial.

Só que pra completar o dramatismo do gesto, pensei: por que postar só o disco de 1974? Porque não logo a discografia completa?

E assim se fez.

Enfim, não vou contar aqui nada da história nem da teoria desse quinteto nem do movimento armorial em geral - isso vocês acham relativamente fácil com a ajuda se São Google. Prefiro reaplicar algumas considerações sobre “o que é clássico” que fiz há uns dois anos, ao postar o “Dança das Cabeças” de Egberto Gismonti. Espia aí, gente:

Afinal, o que é que faz determinada música ser “clássica” ou “erudita”? Evidentemente não pode ser a ausência de melodias cantáveis, a ausência de texto, a ausência ou pouca importância da percussão ou de determinadas instrumentações, e até mesmo ausência de vulgaridade ou banalidade… pois cada uma dessas “ausências” é contradita por abundância de presenças no repertório estabelecido.

Para muitos, “clássico” equivale, mesmo que sem consciência disso, a “em formas, escalas e instrumentações de origem européia”. Donde considerarem clássicas, p.ex., as valsas dos dois Johann Strauss, quando para mim são evidentemente música popular em arranjos para poderosos. (Não estou dizendo que são inferiores por serem populares, nem que não caibam num blog como este. As danças compostas e/ou publicadas pelo Pretorius, do século 16, também são música popular em bons arranjos, e seria uma pena não tê-las aqui!).

Para mim, o “clássico” ou “erudito” se refere ao grau de complexidade da elaboração na dimensão “forma”, e/ou de libertação em relação às duas fontes primárias da música (a dança e a declamação expressiva) na direção de uma música-pela-música. E nesse sentido encontramos “clássico” em muitas tradições totalmente autônomas da européia: chinesa, indiana, mandê (da qual postei aqui o lindo exemplo que é Toumani Diabaté), e também em outras que recebem maior ou menor medida de influxo da tradição européia, mas o incorporam em formas produzidas com total autonomia em relação a essa tradição.

O Brasil talvez seja a maior usina mundial da produção deste último tipo de música - mas não me refiro a nenhum dos nossos compositores normalmente identificados como “clássicos” ou “eruditos”: nem a Villa-Lobos, nem a Camargo Guarnieri, nem a Almeida Prado, ninguém desses: todos eles trabalham fundamentalmente com a herança das matrizes formais européias. Não que isso os desqualifique, não se trata disso! Trata-se, ao contrário, é de reconhecer a qualidade do “clássico” em música que não paga nenhum tributo a essas matrizes formais (”concerto”, “sonata”, “fuga” etc.) e por isso às vezes é tida como de segunda qualidade, quando é de primeiríssima!

E por que transcrevo isso? Porque os dois primeiros discos do Quinteto Armorial me parecem ser a realização mais perfeita desse “clássico autônomo” que o Brasil já produziu (os outros dois também são bons, mas ao tenderem um tanto mais para a documentação de repertórios e estilos populares acabam não correspondendo de modo tão puro ao que quero apontar):

Primeiro, temos aí uma formação instrumental de câmara com sonoridade única, criada aqui: não tenta fazer “músca de câmara brasileira” arranjando melodias populares para quartetos de cordas, p.ex. E é nesse sentido que o Quinteto me toca muito mais fundo que a Orquestra Armorial, por importante que o seu trabalho também seja. Mas é adaptação de uma instrumentação desenvolvida fora, esta é uma instrumentação desenvolvida aqui (reparem que falei “instrumentação”, e não “instrumental”…)

Além disso, temos peças bastante longas e livres sem nenhuma preocupação de aplicarem as tais matrizes formais de que falei - e nesse sentido me interessa mais a vertente da composição própria (basicamente de dois Antônios: o José Madureira e o Nóbrega) que a do registro de peças populares arcaicas ou atuais seja com fins de demonstrar as teorias de Ariano Suassuna ou documentais em geral.

Podemos papear mais sobre isso se vocês quiserem, mas por agora vou deixar vocês com a música! As listas de faixas apareceram milagrosamente de um dia para o outro pela colaboração do colega Bisnaga - valeu, Bisnaga!

Quinteto Armorial: Do Romance ao Galope Nordestino (1974) - capa

QUINTETO ARMORIAL (Pernambuco): discografia completa

• DO ROMANCE AO GALOPE NORDESTINO (1974)
1. Revoada (Antônio José Madureira)
2. Romance da Bela Infanta (Romance ibérico do século XVI, recriado por Antonio José Madureira)
3. Mourão (Guerra Peixe)
4. Toada e Desafio (Capiba)
5. Ponteio Acutilado (Antonio Carlos Nóbrega de Almeida)
6. Repente (Antonio José Madureira)
7. Toré (Antonio José Madureira)
8. Excelência (Tema nordestino de canto fúnebre, recriado por Antonio José Madureira)
9. Bendito (Egildo Vieira)
10. Toada e Dobrado de Cavalhada (Antonio José Madureira)
11. Romance de Minervina (Romance nordestino, provavelmente do século XIX,
recriado por Antonio José Madureira)
12. Rasga (Antonio Carlos Nóbrega de Almeida)

• ARALUME (1976)
1 Lancinante (Antônio José Madureira)
2 Improviso (Antônio José Madureira)
3 O homem da vaca e o poder da fortuna (Antônio José Madureira)
4 Abertura
5 A preguiça
6 A troca dos bichos
7 Ironia ao rico
8 Aralume (Antônio José Madureira)
9 Reisado (Egildo V. do Nascimento)
10 Guerreiro (Antônio José Madureira)
11 Ponteado (Antônio José Madureira)
12 Chamada e marcha caminheira (Egildo V. do Nascimento)

• QUINTETO ARMORIAL (1978)
1 – Batuque de Luanda (Antonio José Madureira)
2 – Romance da Nau Catarineta (Antonio J. Madureira)
3 – Toques dos caboclinhos (D. P.)
4 – Entremeio para rabeca e percussão (Antônio C. Nobrega)
I – Cortejo
II – Baiano
III – Boi
5 – Ária (Cantilena da Bachianas Brasileiras nº 5
de Heitor Villa-Lobos transcrição Antônio J. Madureira)
6 – Toque para marimbau e orquestra (A. J. Madureira)
I – Galope à beira-mar
II – Bendito de romeiros
III – Marcha rural

• SETE FLECHAS (1980)
1-Marcha da folia (Raul Morais)
2-Sete flechas (Antônio José Madureira)
3-Xincuan (Antônio José Madureira)
4-Improviso (Antônio José Madureira)
5-Cocada (Lourival Oliveira)
6-Martelo agalopado (Ariano Suassuna - Antônio Carlos Nóbrega)
7-Cantiga (Antônio José Madureira)
8-Algodão (Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira)
9-Zabumba lanceada (Fernando Torres Barbosa)

Antonio José Madureira: viola sertaneja
Edilson Eulálio: violão
Fernando Torres Barbosa: marimbau nordestino
Egildo Vieira: pífano, flauta
Antonio Nóbrega: rabeca, violino
(algumas vezes com músicos adicionais)

BAIXE AQUI - download here

Ranulfus

Antonio Carlos Gomes (1836-1896): Óperas - (4) Fosca (1997-Malheiro)

175 anos do nascimento de Antonio Carlos Gomes

Estou ficando até sem graça de escrever isso sempre, mas não dá pra deixar de dizer: é IM-PER-DÍ-VEL!!!
Quando se aproximaram os anos para se completar o centenário de morte de Antonio Carlos Gomes (em 1996), ocorreram vários eventos, como o conjunto “A Música e o Pará”, que postamos no ano passado aqui, aqui, e aqui, e as montagens meticulosamente bem acabadas realizadas na Bulgária de Il Guarany, sob a batuta de Julio Medaglia, e de Maria Tudor e Fosca, estas sob a regência do competente Luís Fernando Malheiro.
Por essa época houve, no Brasil, um convênio com a Bulgária para megalômanas montagens aqui na terrinha da ópera Aída, de Verdi, com seus cenários gigantes, trazidos do país do Leste Europeu (foi executada em locais imensos: estádios e pedreiras de Brasília, Fortaleza, Belo Horizonte, São Paulo e Campinas). O intercâmbio rendeu frutos e nos anos que se seguiram, os búlgaros puderam conhecer as óperas de Carlos Gomes, tendo o conterrâneo Plamen Kartaloff como regisseur, músicos e solistas de sua terra e as regências sob a responsabilidade de grandes maestros brasileiros. Essas apresentações foram de enorme êxito e se registraram em CDs, dos quais temos esta Fosca para vos apresentar (mais pra frente teremos também a Maria Tudor de Malheiro)!
O que dizer desta montagem? Inevitavelmente vou compará-la com a de Armando Belardi, realizada por ocasião do centenário da peça, em 1973 (e que você pode conferir aqui). A versão de Belardi, creio que a primeira gravação mundial da ópera, é histórica, heróica e, também de alta qualidade: a orquestra a executa muito bem e foram reunidos alguns dos melhores solistas do país naquele tempo. Porém, eu tendo a gostar mais desta montagem de Malheiro por alguns motivos superficiais, como a melhor captação de som e a sua limpeza, sem os espocados do vinil (podem me tachar de insensível, mas prefiro sem os ruídos do bolachão); e por motivos musicais, mesmo: os solistas são tão bons quanto os da versão brasileira e a orquestra tem melhores cordas, o que não desabona a nacional, apenas constata uma característica dos grupos do Leste Europeu: a perfeição dos naipes de cordas. Se os aqui são bons, os de lá, sou forçado a admitir, são impecáveis.
Em suma, Fosca é uma ópera belíssima, é a melhor de Carlos Gomes e esta é a melhor montagem!
Ah, semana que vem teremos Salvator Rosa, a ópera mais conhecida de Carlos Gomes na Itália.
Confira! Não deixe de ouvir!

Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896)
Fosca (1873)
Libreto: Antonio Ghislanzoni,
Baseado em Le Feste delle Marie: Storia Veneta del Secolo X, de Luigi Capranica

Ato I - 01 Sinfonia
Ato I - 02 Coro e Scena - Buon di, compagni
Ato I - 03 Scena - Salute al capitano
Ato I - 04 Preghiera - Fratel, da, un fascino
Ato I - 05 Stretta e Scena - Ah Crudeli
Ato I - 06 Aria - D’amore l’ebbrezze
Ato I - 07 Scena e Duetto - Cara citta natia
Ato I - 08 Finale Primo - Scena e Terzettino - La tua rivale odiata
Ato II - 09 Atto Secondo - Scena d’amore e duettino - Soli, del mondo immemori
Ato II - 10 Dialogo e Canzone - Io vengo dai mondi
Ato II - 11 Terzetto - Mirate questa collana
Ato II - 12 Scena e frase - Bel cavaliero… sposa gentile
Ato II - 13 Duettino - Gia troppo al mio supplizio
Ato II - 14 Aria - Quale orribile peccato
Ato II - 15 Marcia e Coro Nuziale
Ato II - 16 Finale Secondo - Pezzo Concertato - Pazza! Pazza! É ver!
Ato III - 17 Atto Terzo - Scena ed Aria - Ad Ogni Mover Lontan di Fronda
Ato III - 18 Scena e Duetto - Orfana e Sola
Ato III - 19 Coro di Corsari - Dei Due Mente
Ato III - 20 Scena e Duetto - Tu La Vedrai Negli Impeti
Ato IV - 21 Scena del Consiglio e Strofe - Son Capitano
Ato IV - 22 Invettiva - Coro - Di Venezia la Vendetta
Ato IV - 23 Scenetta - Ti Allegra, o Giovane
Ato IV - 24 Romanza - Ah! Se Tu Sei Fra Gli Angeli
Ato IV - 25 Gran Scena - Alfin Tremanti e Supllici
Ato IV - 26 Quartetto - Scena Finale - Non M’Aborrir, Compiangimi

Fosca, pirata da Ístria – Gail Gilmore, soprano
Paolo, capitão veneziano – Roumen Doykov, tenor
Delia – Kassimira Stoyanova, soprano
Cambro, escravo de Gaiolo – Niko Issakov, barítono
Gaiolo, irmão de Fosca – Svetozar Ranguelov, baixo
Doge de Veneza – Stoil Gueorguiev, baixo
Michele Giotta, pai de Paolo – Peter Bakardzhiev, baixo

Sophia National Opera Orchestra
Sophia National Opera Choir
Luís Fernando Malheiro, regente
Plamen Kartaloff, regisseur (diretor)
Sofia, 1997

BAIXE AQUI - DOWNLOAD HERE (Mediafire) 110Mb (CD1)
BAIXE AQUI - DOWNLOAD HERE (Mediafire) 91Mb (CD2, cartaz, info e resumo da ópera)
… Mas deixe um comentariozinho… Tenha coração…

Ouça! Deleite-se!

Bisnaga

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Sergey Prokofiev (1891-1953) - Piano Concertos - Berman, Gutiérrez, Jarvi, RCO (LINK REVALIDADO)

(Botei estes cds no ar no final de novembro, mas os links se foram pois os arquivos estavam hospedados no Megaupload. Aí o PQP resolveu fazer uma caridade e se deu ao trabalho de juntar os dois cds em um só arquivo e subir para o RAPIDSHARE. Ou seja, só estou tendo o trabalho de juntar as duas postagens e colocar no ar.)

Estou devendo estes concertos desde o começo do ano, e confesso que por algum motivo acabei deixando-os de lado. Pois bem, aí estão a primeira parte dos Concertos para Piano de Prokofiev com o Neeme Järvi (lembrando que postei as sinfonias com este mesmo regente no começo do ano).
Como hoje é quinta feira e ficamos quase vinte e quatro horas fora do ar, resolvi fazer uma postagem rápida, daquelas vapt-vupt, aproveitando que o arquivo já estava no megaupload há pelo menos dez meses, aguardando pacientemente sua vez.
O solista é o excelente Boris Berman, um especialista na obra de Prokofiev.

01 - Piano Concerto No. 1 in D flat major Op. 10 - Allegro brioso
02 - Andante assai
03 - Allegro scherzando
04 - Piano Concerto No. 4 in B flat major Op. 53 - I. Vivace
05 - II. Andante
06 - III. Allegro moderato
07 - IV. Vivace
08 - Piano Concerto No. 5 in G major Op. 55 - I. Allegro con brio
09 - II. Moderato ben accentuato
10 - III. Toccata. Allegro con fuoco
11 - IV. Larghetto
12 - V. Vivo

Boris Berman - Piano
Royal Concertgebow Orchestra
Neeme Järvi - Conductor

Pois bem, senhores, concluindo esta caixa, aqui estão os dois Concertos para piano mais famosos de Prokofiev, o Segundo e o Terceiro. É difícil dizer qual deles é o meu preferido, creio que na verdade gosto dos cinco, mas esta introdução melódica do Segundo é de partir os corações mais duros.
Horácio Gutiérrez me era desconhecido até então, mas o rapaz é um assombro. É um virtuose de mão cheia que conhece muito bem seu instrumento, e não se deixa pegar nas armadilhas que Sergey colocou, e não são poucas. Os clientes da amazon foram quase unânimes em dar cinco estrelas à esta gravação, e com razão.

E porque hoje é sábado, usando uma frase muito usada no blog do nosso amigo Milton Ribeiro, vou deixá-los por aqui, e sair para aproveitar o dia.

Boa audição.

Sergey Prokofiev - Piano Concertos nº 2 in G Minor, op. 16, Piano Concerto nº3, in C Major, op. 26

01 - Piano Concerto No. 2 in G minor Op. 16 - I. Andantino - Allegro
02 - II. Scherzo. Vivace
03 - III. Intermezzo. Allegro moderato
04 - IV. Finale. Allegro tempestuoso
05 - Piano Concerto No. 3 in C major Op. 26 - I. Andante - Allegro
06 - II. Tema. Andantino - Variations 1-5 - Tema. L’istesso tempo
07 - III. Alegro ma non troppo

Horácio Gutiérrez - Piano
Royal Concertgebow Orchestra
Neeme Järvi - Conductor

BAIXE AQUI - DOWNLOAD HERE

FDPBach

José Alberto Kaplan (1935-2009) - Obras orquestrais

Até onde vão os limites da intertextualidade?

Tente responder a essa pergunta a partir de um exemplo hipotético: se eu escrevo uma peça que usa a mesma orquestração e a mesma estrutura, digamos, de O pássaro de fogo de Stravínski, mas remelodizando-a com escalas modais nordestinas e aplicando a respectiva harmonização, estou cometendo plágio, exercendo intertextualidade ou apenas expondo minha preguiça de começar do zero?

***

Pois bem, após vossa tentativa de resposta deem uma escutada no concerto para piano de Kaplan e vejam como ele se estrutura sobre o segundo concerto de Chostakóvitch, para não falar de como El Salón México de Copland transformou-se numa abertura festiva calcada em temas do folclore paraibano.

Não sei se as outras duas obras do presente CD - uma fantasia para violão, flauta e orquestra de câmara e um concerto para violino (talvez a peça mais interessante dentre as quatro) - têm relação com outras do cânone, porém fico muito desconfiado. Vale de toda forma a oitiva.

BAIXE AQUI (Update: esqueça esse link. O FBI que o diga.)

CVL

Se preferir (quer dizer, agora não tem mais preferência: é a única alternativa), baixe arquivo por arquivo neste link, que contém também o texto do encarte e a lista de faixas.




Ciarán Farrell (1969) - Perfect State

Enquanto eu estava convalescendo de uma cirurgia recente de hérnia, queria ouvir algum compositor que me fizesse revigorar e sair do tédio pelo qual eu haveria de passar no pós-operatório. Pensei no primeiro movimento da segunda sinfonia de Tippett…

…e em Aralume, com o Quinteto Armorial…

…mas passei a vista na minha relação de discos e acabei achando um meio termo entre o universo britânico e o nordestino. Não que eu procurasse tal meio termo, foi mera coincidência, mas Ciarán Farrell (não confundir com Cyll Farney) calhou em juntar os dois universos musicais em minha cabeça - a bem da verdade, essa impressão se deu por causa dos reflexos do modalismo irlandês, mais característico que o britânico para nós, no repertório do presente CD.

Ouvindo a faixa título, Perfect State, não tive como deixar de me lembrar de Toada e Desafio, de Capiba, particularmente pela estrutura da peça no esquema lento-rápido e pelo desenvolvimento de um único tema no segundo movimento quase que sem modulações. Aí vai um clipe bem pop sobre esse segundo movimento:

Mas não foi só isso que me impressionou: foi também a negação do compositor em querer soar modernoso - nada de clusters, nuvens, técnicas expandidas aqui e acolá etc. Confesso que, simultaneamente, durante a audição das cinco obras deste álbum, tive vez ou outra uma sensação démodé (a última peça, a mais longa, lhe fará pensar que você está assistindo a um filme, em inglês com Irish accent, sem imagens), porém procurei suspender meus julgamentos estéticos mais prementes e “entrei na vibe”.

Pena que é difícil preencher o tempo com obras desse vigor durante um dia inteiro. Não tenho discografia e conhecimento de repertório para isso.

Confiram trechinhos de outras peças no MySpace do compositor e depois…

…BAIXE AQUI

CVL

Capa, lista de faixas, intérpretes e fortuna crítica, na Wikipédia.




Ariel Ramírez (1921-2010): Misa Criolla (com José Carreras); Guido Haazen (1921-2004): Missa Luba; Anônimo: Misa Flamenca + Guido Haazen (1921-2004): Missa Luba e Canções Congolesas

SEN-SA-CIO-NAIS!!!
As missas que ora apresentamos são obras emblemáticas e históricas! As três, belíssimas, marcam a abertura da Igreja Católica após o Concílio Vaticano 2º (1962-1965), quando, entre outras tantas mudanças, o rito romano deixou de ser em latim e passou a se celebrar nas línguas locais.
Cronologicamente, a primeira das três peças é a Missa Luba, composta pelo missionário belga Guido Haazen (nome de batismo Mauritz Jan Lodewyjk Haazen) em 1958, quando ele estava em missão no Congo. Haazen adaptou os cânticos tradicionais da missa católica, ainda em latim, aos ritmos e instrumentos locais, o que em si, em época ainda anterior ao Concílio, era bastante arrojado e provavelmente não seria aceito pela Igreja se já não se estivessem indicando sinais de mudanças. A sua missa alterna entre comoventes momentos de placidez e de lamento, com uma formação extremamente singela: um coro e 4 instrumentos de percussão (para que mais que isso, se ele consegue efeito tão belo?).
Seguindo a linha do tempo, a talvez primeira missa completa composta na língua do país tenha sido a Misa Criolla, de Ariel Ramírez, um dos grandes compositores da Argentina. foi terminada ainda em 1964, antes do fim do Concílio. Ramírez mescla à formação e impostação clássica de coro os instrumentos andinos de sua terra, de forte ligação com os povos indígenas de lá, tomando ainda o cuidado para que cada cântico tivesse as características de um ritmo tradicional platino diferente. Disso resulta uma obra riquíssima, ainda mais valorizada com a presença da potente e precisa voz de José Carreras, na gravação que ora lhes oferecemos, e na qual o compositor está presente no piano e na harpa! Detalhe: a Misa Criolla é a peça argentina mais gravada e conhecida mundialmente. Há uma outra versão aqui no PQPBach, ainda mais arrebatadora que a de Carreras, com Mercedes Sosa, mas eu recomendo que vocês conheçam as duas gravações.
Por fim, a mais recente de todas, mas organizada apenas dois anos depois do dito concílio, a Misa Flamenca, é um arranjo de Ricardo Fernandez de Latorre, José Torregrosa e José María Moreno de músicas da missa para o ritmo tão característico da Andaluzia, resultando em sonoridades extremamente ricas e inusitadas, dado que o flamenco é geralmente cantado em solo e, em geral, não admite coros, que nesta peça harmonizaram-se perfeitamente com a forma tradicional. É interessante perceber o tanto que os volteios e meirismos característicos do ritmo guardam das canções árabes: a influência musical dos mouros muçulmanos, que por séculos dominaram a Península Ibérica, transparece até mesmo na música católica! É uma dessas belas misturas que o mundo nos proporciona!

Há uma outra versão, de sonoridade bastante distinta, da Missa Luba, regida pelo próprio padre Guido Haazen. Quando o missionário chegou ao Congo, formou, unindo 45 crianças de 9 a 14 anos e 15 professores da escola de Kamina, um coro que recebeu o nome de Les Troubadours du Roi Baudouin (Os Trovadores do Rei Baudouin). Esse grupo acabou por apresentar-se por seis meses na Europa, levando a música da África para terras distantes e não acostumadas àquela sonoridade. Nessa gravação, diferentemente do som encorpado e redondo que predomina nas técnicas tradicionais da música de concerto, aparecem as vozes rasgadas, típicas dos cantos africanos, distanciando a percepção da música do padrão erudito e acercando-a da forma tradicional dos povos negros. Há ainda, uma reunião de sete músicas cerimoniais congolesas, que mantém, após a audição da missa, a ligação com o divino.
Confira as sonoridades que esses autores proporcionaram à humanidade! Ouça!

Misa Criolla (1964)
Ariel Ramirez (Santa Fé, 1921 – Buenos Aires, 2010)
01. Misa Criolla - Kyrie (vidala-baguala)
02. Misa Criolla - Gloria (carnavalito-yaraví)
03. Misa Criolla - Credo (chacareira trunca)
04. Misa Criolla - Sanctus (carnaval cochabambino)
05. Misa Criolla - Agnus Dei (estilo pampeano)

Missa Luba (sobre temas tradicionais do Congo) (1958)
Padre Guido Haazen (Antuérpia, 1921 – Bonheiden, 2004)
06. Missa Luba - Kyrie
07. Missa Luba - Gloria
08. Missa Luba - Credo
09. Missa Luba - Sanctus
10. Missa Luba - Agnus Dei

Missa Flamenca (1967)
Anônimo
Arr. Ricardo Fernandez de Latorre, José Torregrosa, José María Moreno
11. Misa Flamenca - Kyrie (La Caña)
12. Misa Flamenca - Gloria (Cantes de Málaga)
13. Misa Flamenca - Credo (Cantes Gitanos)
14. Misa Flamenca - Sanctus (Cantes del Campo)
15. Misa Flamenca - Agnus Dei (Cantes de Cádiz)

Misa Criolla
José Carreras, tenor
Grupo Huancara, instrumentos latinos (Ariel Ramírez, piano e harpa; Domingo Gura, Jorge Padín, percussão; Arsenio Zambrano, charango; Lalo Gutierrez, violão; Raúl Barboza, acordeom)
Coral Salvé Laredo
José Luís Ocejo, regente
Sociedade Coral Bilbao
Gorka Sierre, regente
José Luís Ocejo, regente

Missa Luba
Muungano Nacional Choir (Quênia)
(acompanhado de percussão com djembe, conga, ngoma e guiro)
Boniface Mganga, regente

Misa Flamenca
Andalusian Instrumental Ensemble (Rafael Romero, Pericón de Cádiz, Chocolate, Pepe “El Culata”, Los Serranos, vocais; Victor Monje “Serranito”, Ramón Algeciras, violões)
Coro Maitea
Coro Easo
José Torregrosa, regente

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Mas deixe um comentariozinho…

Missa Luba e Canções Tradicionais do Congo
Padre Guido Haazen (Antuérpia, 1921 – Bonheiden, 2004)
01. Missa Luba - Kyrie
02. Missa Luba - Gloria
03. Missa Luba - Credo
04. Missa Luba - Sanctus
05. Missa Luba - Benedictus
06. Missa Luba - Agnus Dei
07. Dibwe Diambula Kabanda (canção de matrimônio)
08. Lutuku Y a Bene Kanyoka (canto de tristeza/luto)
09. Ebu Bwale Kemai (dança de casamento)
10. Katumbo (Dança)
11. Seya Wa Mama Ndalumba (celebração conjugal)
12. Banana (canção de guerreiros)
13. Twai Tshinaminai (canto de trabalho)

Les Troubadours du Roi Baudouin
Guido Haazen, regente

BAIXE AQUI - DOWNLOAD HERE (Mediafire) 64Mb

Ouça! Deleite-se!

Bisnaga

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Biber: Battalia e outras obras / Locke: The Tempest / Zelenka: Fanfare — Il Giardino Armonico

(Este post tinha sumido por algum motivo. Aqui está ele de volta. Vale a pena).

Em verdade vos digo: nunca deixeis de ouvir as gravações do Il Giardino Armonico, são sempre FANTÁSTICAS. Mas sim, comecemos pelo que interessa: IM-PER-DÍ-VEL !!!! Este é um disco de música barroca sem o qual você não pode viver sem. A vitalidade e o frescor das interpretações do Il Giardino Armonico trabalham favoravelmente à música dos grandes Biber e Locke, compositores imerecidamente pouco ouvidos. E, para melhorar ainda mais, são obras divertida, cheias de expressão surpreendente. A Battalia de Biber e a a música incidental escrira por Locke para a peça de Shakespeare A Tempestade são das coisas mais arrepiantes que há.

Mas temos que voltar a Antonini e seu Giardino: há muitos especialistas em barroco, mas este grupo — o preferido por Cecilia Bartoli — é especial. Muitas vezes agressivo, quase sempre inesperado mas sempre eufônico, o grupo costuma explorar seu repertório com tanto entusiasmo que as músicas parecem outras após um tratamento “Armonico”.

Jan Dismas Zelenka (1679-1745):
1. Fanfare in D major (02:11)

Heinrich Ignaz Franz Von Biber (1644 – 1704):
2. Battalia - Sonata - Allegro (01:52)
3. Battalia - Die liederliche Gesellsschaft von allerley Humor (Allegro) (00:45)
4. Battalia - Presto (00:26)
5. Battalia - The march (violin I solo) (01:03)
6. Battalia - Presto (2) (01:01)
7. Battalia - Aria (02:39)
8. Battalia - The battle (00:42)
9. Battalia - Lamento der Verwundten Musquetirer (Adagio) (01:31)
10. Passacaglia in C minor (04:55) — Luca Pianca, archlute
11. Anon. / Tune for the woodlark (00:20) - Giovanni Antoini, flautino
12. Sonata Violino solo representativa - Allegro (01:46)
13. Sonata Violino solo representativa - The nightingale (01:22)
14. Sonata Violino solo representativa - The cuckoo (00:42)
15. Sonata Violino solo representativa - The frog (00:42)
16. Sonata Violino solo representativa - Adagio (00:25)
17. Sonata Violino solo representativa - The hen & the cock (00:24)
18. Sonata Violino solo representativa - Presto (00:12)
19. Sonata Violino solo representativa - Adagio - The quail (00:42)
20. Sonata Violino solo representativa - The cat (00:25)
21. Sonata Violino solo representativa - The musketeers’ march (01:14)
22. Sonata Violino solo representativa - Allamande (01:41)
23. - Onofri, Enrico - Ricercare (01:52) Michele Barchi, gravicembalo / Riccardo Doni, organ
24. - Partita VII in C minor - Praeludium (03:24) Enrico Onofri, Marco Bianchi, viole d’amore / Giovanni Antonini, tenor chalumeau / Vittorio Ghielmi, bass and tenor violas da gamba / Luca Pianca, archlute / Michele Barchi, gravicembalo and organ
25. - Partita VII in C minor - Allamande (02:18)
26. - Partita VII in C minor - Sarabande (01:42)
27. - Partita VII in C minor - Gigue - Presto (01:22)
28. - Partita VII in C minor - Aria (01:35)
29. - Partita VII in C minor - Trezza (00:48)
30. - Partita VII in C minor - Arietta variata (05:58)

Matthew Locke (1621 – 1677):
31. - Canon 4 in 2 (00:48)
32. - Music for The Tempest - Introduction (01:03)
33. - Music for The Tempest - Galliard (01:30)
34. - Music for The Tempest - Gavot (01:06)
35. - Music for The Tempest - Sarabrand (03:02)
36. - Music for The Tempest - Lilk (00:54)
37. - Music for The Tempest - Curtain Tune (05:19)
38. - First Act Tune - Rustick Air (01:18)
39. - Second Act Tune - Minoit (01:32)
40. - Third act tune - Corant (01:05)
41. - Fourth act tune - A Martial Jigge (01:43)

Il Giardino Armonico
Giovanni Antonini

BAIXE AQUI - DOWNLOAD HERE (RapidShare)

PQP

Almeida Prado - Rios (LINK REVALIDADO E MELHORADO)

Aqui está a minha obra favorita do Almeida Prado, Rios, para piano, escrita em 1976 e dedicada ao pianista que a grava aqui, Antonio Guedes Barbosa, nome pelo qual tenho um carinho enorme. Existe uma outra gravação da peça, com o Sérgio Monteiro, muito mais rápida e visivelmente virtuosística. Gostaria de postá-la também para comparações, mas notei anteontem que a perdi (encontrei a gravação no MBC. Quem quiser, pode baixar o cd de lá). De qualquer forma, ela me anima bem menos. A peça é muito inquieta, densa, mas não faz uso com frequência de recursos que indicam isso. Ao contrário, parece guardar uma adorável placidez. Abaixo segue o texto do vinil, escrito pelo próprio Almeida Prado (foi lançado em 1981, junto com a Bachianas 4 do Villa):

Ao Antonio Guedes Barbosa - obra encomendada pela Divisão de Difusão Cultural do Ministério
das Relações exteriores- Itamaraty. Campinas, 1976.

Pequena nota:

Quando li o livro sobre os mitos dos índios do Xingu, dos irmãos Villas Boas, fiquei fascinado sobretudo pela magia telúrica contida no texto.

O mito de “Iamulumulu: a formação dos rios” me deu sobretudo inúmeras idéias e emoções que resolvi então transformar em música.

Assim nasceu a idéia da obra “Rios” - para piano, dedicada ao grande artista que é Antonio Guedes
Barbosa.

A obra se divide em três partes:

I. As águas de Canutsipém
II. Jakui Katu, Mearatsim, Ivat, Jakuiaep, os espíritos que habitam o fundo das águas.
III. A descida das águas, e a formação dos Rios Ronuro, Maratsauá e Paranajuva.

Não procurei o caminho da música descritiva, nem da impressionista. Longe disso.

A magia telúrica desse texto me motivou emocionalmente a entrar no mundo do mistério e da encantação, e me deixar envolver impressionado e totalmente, realizando a minha expressão sonora, dentro do mundo mítico do Xingu.”

Almeida Prado (1943-2010)

Rios (1976), para piano
I. As águas de Canutsipém
II. Jakui Katu, Mearatsim, Ivat, Jakuiaep, os espíritos que habitam o fundo das águas.
III. A descida das águas, e a formação dos Rios Ronuro, Maratsauá e Paranajuva.

Antonio Guedes Barbosa, piano

BAIXE AQUI

Aproveitei não apenas para revalidar o link, como também para utilizar arquivos que consegui recentemente com uma qualidade melhor (não de amostragem, mas de transferência do vinil para mp3).

itadakimasu

Lobo de Mesquita (1746 - 1805): Te Deum: Orquestra de Câmara do Brasil & Coro Ars Nova: Maestro José Siqueira

Ponto de vista

Quis o destino benfazejo que este LP de 1978 fosse resgatado de uma prateleira empoeirada, cheia de LPs velhos, no fundo de um sebo! É um LP privado, não foi comercializado, e foi patrocinado pelo Banco do Brasil. Nada mais se sabe sobre ele, a não ser:


* é a principal obra (Te Deum) de um dos mais brilhantes compositores brasileiros (Lobo de Mesquita) interpretada por uma das mais importantes orquestras brasileiras (Orquestra de Câmara do Brasil) e acompanhada por um dos mais lapidados corais brasileiros (Coro Ars Barroca), regidos por um dos mais completos maestros brasileiros (José Siqueira). Em resumo: uma obra-prima jogada às traças !!  IM-PER-DÍ-VEL !!

Como podemos cobrar das novas gerações a falta de sentimento de cidadania, de amor e orgulho pela pátria, se nem os nossos heróis cultivamos? Nossos filhos vão se orgulhar do que? de quem?

Quem já ouviu falar no Maestro José Siqueira levanta a mão!

Te Deum

O Te Deum, também chamado às vezes o ambrosiano, devido à sua associação com Santo Ambrósio, é um hino tradicional de alegria e ação de graças. Primeiramente atribuído aos Santos Ambrósio e Agostinho, ou Hilary, agora está creditado para Nicetas, bispo de Remesiana (século 4). Ele é usado na conclusão do Ofício das Leituras da Liturgia das Horas aos domingos fora da Quaresma, diariamente durante os Oitavas de Natal e Páscoa, e nas solenidades e festas.

Maestro José de Lima Siqueira

Maestro, compositor e acadêmico brasileiro nascido em 1907 em Conceição, no Vale do Piancó, alto sertão do Estado da Paraíba, regente e compositor reconhecido em nível internacional, de suma importância como educador pelo papel de liderança que exerceu no meio musical de sua época e pela participação na criação de várias entidades de classe e culturais, tornando-se uma das grandes figuras da música brasileira no século XX.

Filho de um mestre da banda Cordão Encarnado, em sua cidade natal, que lhe ensinou a tocar diversos instrumentos como saxofone e trompete. Durante sua juventude, atuou em bandas de música de várias cidades do interior da Paraíba. Foi para o Rio de Janeiro (1927), então capital da República, como integrante das tropas que tinham sido recrutadas para combater a Coluna Prestes e logo ingressou na Banda Sinfônica da Escola Militar, como trompetista. Estudou (1928-1930) composição com Francisco Braga e Walter Burle-Marx, no antigo Instituto Nacional de Música, e formou-se em Composição e Regência (1933) e iniciou sua brilhante carreira de compositor e regente no Brasil e no exterior, em grandes orquestras dos Estados Unidos, Canadá, França, Portugal, Itália, Holanda, Bélgica e Rússia, entre outros países.

Regeu nos Estados Unidos grandes orquestras como a Sinfônica de Filadélfia, Detroit, Rochester. Na França regeu a Orchestre Radio-Symphonique, de Paris, e em Roma, a Sinfônica de Roma, entre outras. Foi professor da Escola de Música da Universidade do Brasil, hoje da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fundou a Orquestra Sinfônica Brasileira (1940) e formou-se em Direito (1943). Viajou pelos EUA e Canadá e fundou a Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro (1949), fechada 2 anos depois. Quando esteve em Paris (1953) freqüentou o curso de musicologia da Sorbonne. Oficializou junto ao prefeito Miguel Arraes, a Orquestra Sinfônica do Recife, a mais antiga do país.

Idealizou e criou a Ordem dos Músicos do Brasil, assumindo a sua Presidência (1960). Fundou a Orquestra Sinfônica Nacional (1961) e a Orquestra de Câmara do Brasil (1967). Figura incomparável do mundo cultural brasileiro, foi aposentado (1969) pela ditadura militar devido à sua pregação democrática. Proibido de lecionar, gravar e reger, encontrou abrigo na extinta União Soviética, onde regeu a Orquestra Filarmônica de Moscou e participou como jurado de grandes concursos de música internacionais. Também foi em Moscou que boa parte de sua obra foi editorada e preservada enquanto que no Brasil o estúpido governo militar cuidava de alijá-lo da história.

(A esse respeito, conta-nos Carlos Pereira: Em 1964, no golpe militar, foi submetido a interrogatório e protagonizou com um coronel, um diálogo que ficou famoso. O milico lhe perguntou se já tinha ido à Rússia e ele não só confirmou, como disse que gostava de lá voltar de vez em quando para… reger a Sinfônica de Moscou. Resultado: foi fichado como comunista e proibido, por alguns anos, de reger a Orquestra Sinfônica Brasileira. http://www.carlospereira.net.br/index.php/component/content/article/34-cronicas/323)

Deve-se a ele ainda a criação da Orquestra de Câmara do Brasil, da Sociedade Artística Internacional, do Clube do Disco e da Ordem dos Músicos do Brasil. Também publicou vários livros didáticos tais como Canto Dado em XIV Lições, Música para a Juventude, em quatro volumes, Sistema Trimodal Brasileiro, Curso de Instrumentação, entre outros.

Faleceu aos 78 anos, na cidade do Rio de Janeiro, no dia 22 de abril de 1985, deixando uma vastíssima obra composta de óperas, cantatas, concertos, oratórios, sinfonias e até a música de câmara, para instrumentos solos e para voz. A cadeira nº 8 da Academia Brasileira de Música, fundada (1945) por Heitor Villa-Lobos, nos moldes da Academia Francesa, foi alocada para ele como co-fundador, depois que o efetivo da Academia se reduziu de 50 para 40 cadeiras. Seu nome foi dado à Grande Sala da Cidade da Música por decreto do então Prefeito Cesar Maia, publicado no Diário Oficial do Município (2008). Uma justa homenagem a essa figura reconhecida internacionalmente, defensor da cultura musical brasileira e responsável por iniciativas como a criação da Orquestra Sinfônica Brasileira da cidade do Rio de Janeiro, da Academia Brasileira de Música, da Ordem dos Músicos do Brasil e dos Concertos Para a Juventude.
(http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/JoseLSiq.html)

Palhinha: ouça a integral do Te Deum, enquanto observa fotos de Serro, MG (antiga Vila do Príncipe), onde Lobo de Mesquita nasceu.

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José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (Vila do Príncipe, 1746- Rio de Janeiro, 1805)
Te Deum
01. Te Dominum confitemur
02. Tibi omnes Angeli; tibi cæli et universæ Potestates
03. Sanctus, Sanctus, Sanctus, Dominus Deus Sabaoth
04. Te gloriosus Apostolorum chorus
05. Te Martyrum candidatus laudat exercitus
06. Patrem immensæ maiestatis
07. Sanctum quoque Paraclitum Spiritum
08. Tu Patris sempiternus es Filius
09. Tu, devicto mortis aculeo, aperuisti credentibus regna cælorum
10. Judex crederis, esse venturus. Te ergo quæsumus, tuis famulis subveni, quos pretioso sanguine redemisti
11. Salvum fac populum tuum Domine, et benedict hereditati tuæ
12. Per singulos dies, benedicimus te
13. Dignare Domine die isto sine peccato nos custo dire
14. Fiat misericordia tua Domine super nos, quem admodum speravimus in te
15. Non confundar in aeternum

Barroco Mineiro - 1978
Orquestra de Câmara do Brasil & Coro Ars Barroca
Maestro José de Lima Siqueira

LP de 1978 digitalizado por Avicenna

BAIXE AQUÍ - DOWNLOAD HERE
.aif 700-800 kbps - 357,8 MB - 25,5 min

BAIXE AQUÍ - DOWNLOAD HERE
.mp3 320 kbps - 79.5 MB - 25,5 min
powered by iTunes 10.5.2

Boa audição.

Avicenna

Romanian Women Composers Vol.1

Para ser bem honesto, toda vez que vejo esses cds carregado de “gênero”, me bate uma desconfiança daquelas. Primeiro porque costumam ser ruins e parecem servir antes para mostrar que as mulheres são más compositoras, quando a função era para ser justamente inversa. Segundo porque são ainda mais carregados daquele ar chapa-branca que a média (motivo frequente para os cds serem ruins). E olha que a música clássica tem, pela maneira como evoluiu e pelos seus interesses, um enorme potencial chapa-branca (o que torna mais assustador me incomodar esse aspecto na confecção de um cd): o famoso “não há nada que possa me constranger aqui” que todos aqueles músicos bem alinhados tocando, no mais das vezes, com uma expressão impassível são capazes de criar. Apesar disso e tanto mais que é melhor calar, aqui estou eu a apresentar um desses cds e tecer tantos elogios quanto a seda me permite. Como sempre digo que os romenos têm alguma coisa de diferente na música contemporânea, as romenas também. Sem menoscabo de algumas compositoras pelas quais tenho carinho, como Ustvolskaya, Graciane Finzi, Marisa Rezende, Tatyana Mikheyeva, não tive a oportunidade de encontrar compositoras boas o suficiente para fazer um cd desses em nenhum outro lugar.

Irinel Anghel, compositora de Fascination II, nasceu em 1969 e é muito interessada em meios alternativos e sonoridades um tanto incomuns. Abundam em suas peças instrumentos exóticos e sons eletrônicos. Em Fascination II, tudo isso está m,uito presente e contribui para uma música muito delicada (apesar de umas sonoridades às vezes ásperas) e introspectiva, beirando o estático (no que me recorda seu professor, Octavian Nemescu, de quem já postei uma peça chamada rouaUruauor, linda, linda, hehe).

O contraste é enorme com a entrada de Umbre II, de Doina Rotaru (compositora nascida em 1951 e de quem já apresentei algumas peças aqui também). Ainda que continuemos numa atmosfera introspectiva, aqui a violência e a agitação predominam, e a placidez a que nos levava a peça de Anghel torna ainda mais violenta a ruptura a que somos trazidos. O emprego de sonoridades inusuais nos três instrumentos (piano, cello e violino) é soberbo: me cativa a construção da atmosfera densa, coesa e dinâmica, ou seja, tanta maturidade e virtuosismo arquitetônicos, dentro de uma linguagem tão atípica. Em minha modesta opinião, esta peça é a cereja do bolo delicioso que é este cd.

Maia Ciobanu (nascida em 1952) é, comparativamente, mais romântica, mais melódica. O uso de fitas magnéticas com instrumentos solos me parece ser uma constante em seu trabalho, e o resultado costuma me agradar muito. Em It shall come!, a fita magnética tem um quê um tanto cinematográfico, o que confere uma dramaticidade interessante para o clarinete solista.

Myriam Marbé, compositora que já apresentei no PQP Bach (nasceu em 1931 e morreu em 1997), é de uma geração mais antiga, da linha de frente da vanguarda romena surgida em meados dos anos 1950. Entre tantas coisas que me agradam, compôs um concerto para viola da gamba e orquestra que é de uma simplicidade e uma beleza candentes. Ainda que a música aqui apresentada seja bastante interessante (mereceria entrar no repertório dos flautistas por aí), Haykus começa num tom pouco ligeiro (ligeiro dentro dos padrões tipicamente espirituais que essas peças para flauta e piano costumam ter, sabe-se lá por quê), mas vai ganhando interesse e riqueza conforme avança.

Finalmente Mihaela Stanculescu-Vosganian, nascida em 1961, deixa-nos aqui a única peça cantada do cd, Armenian Interferences. A compositora escreveu diversas interferências, mas cada uma tem um formato um pouco diferenciado (embora eu creia que todas são para grupos de câmara). Como o título já deixa claro, é uma música de forte influência popular armênia, o que fica, dentro do possível de cantores líricos, óbvio mesmo na maneira de posicionar a voz no conjunto. Embora de maneira diferente, a peça de Vosganian se coaduna com a Ciobanu numa linguagem mais macia, menos agressiva (muito embora Ciobanu procure muita dramaticidade, enquanto Armenian Interferences seja uma peça mais relaxada, apaixonada).

Boa degustação!


Irinel Anghel

01 Fascination II, para cello, gu zheng, flauta baixa, khaen, udu, water gongs (se alguém souber a tradução, agradeço) e fita magnética

Doina Rotaru
02 Umbre II, para violino, cello e piano

Maia Ciobanu
03 It shall come!, para clarinete e fita magnética

Myriam Marbé
04 Haykus, para flauta e piano

Mihaela Stanculescu-Vosganian

05 Armenian Interfaces, para mezzosoprano, clarineta/clarone e quarteto de cordas

BAIXE AQUI

itadakimasu

Argerich Collection - Beethoven, Chopin, Tchaikovsky, Schumann, Liszt, Prokofiev e Ravel

Martha Argerich é com certeza uma das maiores pianistas da história. Exagero? Não. Senso profundo de um discernimento apurado. Suas interpretações geralmente são eivadas de expressividade, energia e paixão. Existe um frescor latente em sua perfomance. Posso notar, por exemplo, nesse momento enquanto escuto o concerto no. 1 de Beethoven isso que acabei de enunciar. Esse box que ora posto com 4 CDs, traz os principais concertos para piano já escritos. Senti falta de Brahms e Grieg, já que o repertório é em quase sua totalidade romântico. Os quatro CDs nos levam a mais de quatro horas de música da mais alta qualidade, com esta argentina polida e apaixonada. Um bom deleite!

DISCO 01

Ludwig van Beethoven (1770-1827) -

Piano Concerto No.1 in C major, Op.15
01. I.Allegro con brio
02. II.Largo
03. III.Rondo Allegro

Piano Concerto No.2 in B flat major, Op. 19
04. I.Allegro con brio
05. II.Adagio
06. III.Rondo Allegro molto

Philharmonia Orchestra
Giuseppe Sinopoli, regente
Martha Argerich, piano

DISCO 02

Frédéric Chopin (1810-1849) -

Piano Concerto No.1 in e minor, Op.11
01. I.Allegro maestoso
02. II.Romance-Larghetto
03. III.Rondo-Vivace

London Symphony Orchestra
Claudio Abbado, regente
Martha Argerich, piano

Piano Concerto No.2 in f minor, Op.21
04. I.Maestoso
05. II.Largetto
06. III.Allegro vivace

National Symphony Orchestra
Mstilav Rostropovich, regente
Martha Argerich, piano

DISCO 03

Peter I. Tchaikovsky (1840-1893) -

Piano Concerto No.1 in B flat minor, Op.23
01. I.llegro non troppo e molto maestoso-Allegro con sp
02. II.Andantino semplice
03. III.Allegro con fuoco

Royal Philharmonic Orchestra
Charles Dutoit, regente
Martha Argerich, piano

Robert Schumann (1810-1856) -

Piano Concerto in a minor Op.54
04. I.Allegro affettuoso
05. II.Intermezzo Andantino-attacca
06. III.Allegro vivace

National Symphony Orchestra
Mstilav Rostropovich, regente
Martha Argerich, piano

DISCO 04

Franz Liszt (1811-1886) -

Piano Concerto No.1 in E flat major
01. I.Allegro maestoso
02. II.Quasi Adagio
03. III.Allegretto vivace-Allegro animatto
04. IV.Allegro marziale animato

London Symphony Orchestra
Claudio Abbado, regente
Martha Argerich, regente

Serge Prokofiev (1891-1953) -

Piano Concerto No.3 in C major
05. I.Andante-Allegro
06. II.Thema Andantino
07. III.Allegro ma non troppo

Maurice Ravel (1875-1937) -

Piano Concerto in G major
08. I.Allegramente
09. II.Adagio assai
10. III.Presto

Berliner Philharmoniker
Claudio Abbado, regente
Martha Argerich, piano

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Carlinus

Kientzy interpreta Doina Rotaru (LINK REVALIDADO)

O presente cd é uma contribuição do Sensemaya, que encarecidamente nos enviou os arquivos e pediu que postássemos alguns comentários dele sobre a obra. Mas, antes de passar a eles, gostaria de fazer também eu alguns comentários.

É particularmente impressionante a quantidade de excelentes compositoras na Romênia. Não sei bem o motivo (e sei que o comentário tende a ser bastante subjetivo e embasado de maneira um tanto torta), mas elas me parecem ser em maior número e de uma qualidade difícil de ver por aí. Enquanto eu costumo achar uma ou duas interessantes por país, na Romênia me cativam vários nomes, entre as quais eu destacaria a aqui presente, Doina Rotaru, o primeiro nome da música contemporânea romena que conheci, Mihaela Stanculescu-Vosganian, Maia Ciobanu, Violeta Dinescu, Irinel Anghel, Myriam Marbé. Aos poucos pretendo postá-las aqui para ver se concordam comigo.

Rotaru trabalha de uma maneira impressionante com diferentes sonoridades, dando sentido e  concatenações lógicas e expressivas inesperadas para sons que costumam aparecer aqui e ali na música de vanguarda com um ar de alheamento. É uma música que carrega um forte peso onírico, mítico, que vai nos envolvendo numa ambiência cheia de referências folclóricas e orientais.

Seguindo agora com a apresentação do Sensemaya:

Doina Rotaru está entre os compositores romenos vivos mais significativos. Nasceu em Bucareste, em 1951, e estudou com Tiberiu Olah [nome central da vanguarda romena dos anos 50/60, junto com Niculescu, Vieru e Stroe] em sua cidade natal e com Theo Loevendie em Amsterdã.

Sua ampla produção é sobretudo de sinfonias, concertos e peças solo com especial preferência pela flauta e pelo saxofone. É considerada representativa de música arquetipalista, isto é, música baseada em símbolos, números e fórmulas musicais folclóricas. Este disco contem obras escritas e interpretadas por Daniel Kientzy.

Masques et Miroires- Concerto nº2 para saxofone e orquestra (2006) é vagamente inspirado pelo conto filosófico de Borges “O espelho e a máscara”. Há variações musicais e emocionais do mesmo material, refletindo conceitos de beleza, sacrifício e pecado.

Colinda (2005) é uma peça curta e simples, baseada em canções de natal romenas.

Matanga (2005) é inspirado por um elefante (matanga em sânscrito). A obra foi escrita para saxofone contrabaixo e seis percussionistas.

Obsessivo (2008), para saxofones e sons eletrônicos, é também baseado em conceitos de variação emocional de um motivo musical circular, repetido durante a obra.

Reina (1995), para saxofone soprano e sons eletrônicos, é baseado em em conceito de doina romena - um canto de saudade. O trabalho é dedicado a Reina Portuondo e seu marido, Daniel Kientzy.

En revant …au saxophone (2003), para voz, saxofone e sons eletrônicos, é baseado em um texto de Malraux. A obra trabalha com a capacidade emocional da música, tornando “calorosa” uma ideia musical fria e plácida.

Seven levels to the sky (1993), Concerto nº1 para saxofone e orquestra
Duas ideias residem na base deste concerto: a ascensão da alma, passando por sete níveis de céu superpostos para que se alcance paz, e a ideia de um único som que ouvimos no início.

Boa audição!


Doina Rotaru (1951- )

01 Masques et miroires (2006), Concerto n° 2 para saxofone(s) e orquestra
Daniel Kientzy, saxofones (sopranino, alto, barítono)
Horia Andreescu, regente
Orchestra Camera Radio

02 Colinda (2005) para saxofone, harpa, celesta, percussão e trio de cordas
Daniel Kientzy, saxofone (barítono)
Ensemble Pentruloc
Bogdan Voda, regente

03 Matanga (2005), para saxofone contrabaixo e 6 percussionistas
Daniel Kientzy, saxofone (contrabaixo)
Ensemble Game
Alexandru Matei, regente

04 Obsessivo (2008), para saxofones e sons eletrônicos
Trio PROmoZICA:
Reina Portuondo, sons eletrônicos
Daniel Kientzy, saxophone (soprano, tenor)
Cornelia Petroiu, viola

05 Reina (1995), para saxofone soprano e sons eletrônicos
Meta Duo:
Reina Portuondo, sons eletrônicos
Daniel Kientzy, saxophone (soprano)

06 En revant …au saxophone (2003), para voz, saxofone e sons eletrônicos - Texto de André Malraux
Meta Trio:
Reina Portuondo, sons eletrônicos
Daniel Kientzy, saxophone (soprano, tenor)
Yumi Nara, voz

07 Seven levels to the sky (1993), Concerto nº1 para saxofone e orquestra
Daniel Kientzy, saxofones (barítono, soprano, alto)
Orchestra Filarmonica de Stat “Transilvania”
Emil Simon, regente

BAIXE AQUI

itadakimasu/Sensemaya

Ludwig van Beethoven (1770-1827) - Complete String Quartets - Amadeus Quartet


Tenho tido problemas de saúde que tem me mantido afastado do blog. E este problema atinge diretamente minhas articulações, atacando joelhos, cotovelos, braços, pulsos, etc. Estive em atestado médico por uma semana, afastado do computador, mas sempre acompanhando o que tem acontecido por aqui. Acompanhei preocupado a caça às bruxas realizada pelo FBI tirando do ar o meu servidor favorito, Megaupload, onde tinha aproximadamente uns 7 ou GB de material guardado, incluindo aí arquivos pessoais, trabalhos de aula de minha esposa, etc. Não tenho condições de reupar tudo aquilo, lamento. Quem conseguiu baixar, que bom. Quem não conseguiu, sinto muito. São três ou quatro anos de conta premium, dinheiro jogado pelo ralo do esgoto.

Já foi escrito tanta coisa sobre estes quartetos que prefiro não falar muito. Aqui mesmo no PQP já devem ter sido postadas umas duas ou três versões. Cada um tem sua versão favorita, e respeito  a opinião de todos, assim com o verdadeiro culto que é feito à estas obras.Alguns consideram o supra sumo das composições para esta formação. Outros consideram uns quartetos melhores que outros, enquanto alguns reconhecem não entender a complexa estrutura que Beethoven criou nos últimos quartetos, enfim, trata-se de obra para ser apreciada durante uma vida, no mínimo, analisando cada opus atentamente. Comparar versões é um exercício interessante e altamente recomendável. A revolução que estas obras causaram na história da música ainda está sendo estudada mas podemos dizer sem medo que existe um antes e um depois bem definidos na linguagem musical após a publicação destas obras.

A versão que trago para os senhores é, em minha humilde opinião, a melhor já gravada. Como falei antes, questão de gosto e opinião. O Quarteto Amadeus é o maior conjunto de cordas do século XX, me perdoem os fãs ardorosos de conjuntos excepcionais como o Melos, Emerson, Juliard Strings, o Quarteto Ittaliano, entre tantos outros. O Amadeus foi o primeiro Quarteto de Cordas que vi e ouvi, nos tempos do saudoso Concertos para a Juventude, que passava nos domingos de manhã, lá nos idos dos anos 70. Imaginem um adolescente de seus 11 ou 12 anos de idade vendo aqueles senhores muito bem vestidos, tocando uma música diferente, que enchia o ambiente com sua beleza. Já comentei que comecei a ouvir música clássica ainda em minha infância, e ela sempre me acompanhou, nunca me deixando na mão nos momentos em que dela precisei. E vai ser minha companhia até o fim de meus dias.

São sete cds, que virão um por um, dentro de minhas possibilidades.

CD 1

01- String Quartet 01, Op.18 No.1 - I. Allegro
02- String Quartet 01, Op.18 No.1 - II. Adagio
03- String Quartet 01, Op.18 No.1 - III. Scherzo
04- String Quartet 01, Op.18 No.1 - IV. Allegro
05- String Quartet 02, Op.18 No.2 - I. Allegro
06- String Quartet 02, Op.18 No.2 - II. Adagio
07- String Quartet 02, Op.18 No.2 - III. Scherzo
08- String Quartet 02, Op.18 No.2 - IV. Allegro
09- String Quartet 03, Op.18 No.3 - I. Allegro
10- String Quartet 03, Op.18 No.3 - II. Andante
11- String Quartet 03, Op.18 No.3 - III. Allegro
12- String Quartet 03, Op.18 No.3 - IV. Presto

Amadeus Quartet:
Norbert Brainin - Violino
Sigmund Nissel - Violino
Peter Schidlof - Viola
Martin Lovett - Cello

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FDPBach

Ninhada de fênix: 10 posts do monge Ranulfus revalidados

1
BACH PAI (1685-1750): integral dos MOTETOS - Camerata Antiqua de Curitiba / Roberto de Regina (1991)

2
Bach na Viola Brasileira (1971): 5 transcrições por A. Theodoro Nogueira (1913-2002)

3
Händel (1685-1759): DIXIT DOMINUS - Luis Álvares Pinto (Recife, 1719-1789): TE DEUM - Camerata Antiqua de Curitiba, 1995

4
Vocês querem mais Chevalier de Saint-George? - CDs AVENIRA 1 e 2 (de 5)

5
4 concertos para violino de compositores negros (1775-1899) com Rachel Barton Pine

6
In memoriam Cussy de Almeida: Orquestra Armorial acompanha Duo Assad (1977)

7
“Versos Brasileiros”: suítes para coro e/ou cordas de Henrique de Curitiba, Ernst Mahle, Ronaldo Miranda, Edmundo Villani-Côrtes e Edino Krieger - Camerata Antiqua de Curitiba / Wagner Politschuk (2007)

8
.: interlúdio :. Um clássico brasileiro maior (’popular’?):
os Afro-Sambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes - REPOSTAGEM com CINCO VERSÕES

9
Marlui Miranda (1949) - IHU: Todos os Sons (1995) [a descoberta musical do Brasil no século XX]

10
Gilberto Gil (1942) como erudito contemporâneo: balé ”Z - 300 ANOS DE ZUMBI” (1995) - republicado no dia comemorativo do próprio
 
 
Ranulfus

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