Georg Muffat (1653 - 1704) - Armonico tributo (1682)

Muitas vezes fico pensando no tamanho da música barroca. É algo verdadeiramente interminável. Este Armonico tributo, desconhecido para mim até dez dias atrás não é algo absolutamente necessário a sua cedeteca, mas em hipótese alguma são obras de desprezíveis ou esquecíveis. A gravadora deste excelente registro deve ter falido, pois, mesmo o disco sendo novo, de 2005, a Amazon já acusa que sua produção foi descontinuada. Uma pena, é um belíssimo e super-informativo CD.

Georg Muffat nasceu na França em 1653. Foi organista em Estrasburgo, depois em Salzburgo e mestre de capela em Passau. Deixou suítes para orquestra, sonatas, concerti grossi e peças para órgão.

Muffat - Armonico tributo (1682)

Sonata I 13′28″

1 Grave
2 Allegro e presto
3 Allemanda Grave e forte
4 Grave
5 Gavotta Allegro e forte
6 Grave
7 Menuet Allegro e forte

Sonata II 13′50″

8 Grave
9 Allegro
10 Grave
11 Forte e allegro
12 Aria
13 Grave
14 Sarabanda Grave
15 Grave
16 Borea Alla breve

Sonata III 8′35″

17 Grave
18 Allegro
19 Corrente
20 Adagio
21 Gavotta
22 Rondeau

Sonata IV 8′43”

23 Grave
24 Balletto
25 Adagio
26 Menuet
27 Adagio
28 Aria Presto

Sonata V 21′31”

29 Allemanda Grave
30 Adagio
31 Fuga
32 Adagio
33 Passacaglia Grave

TEMPO TOTALE 66′35″

Ars Antiqua Austria, dir. Gunar Letzbor
violini: Gunar Letzbor, Ilia Korol
viole: Peter Aigner, Susanna Haslinger
viola da gamba, violoncello: Claire Pottinger-Schmidt
arciliuto: Luciano Contini
clavicembalo, organo: Norbert Zeilberger

BAIXE AQUI - DOWNLOAD HERE

PQP

.:interlúdio:. John Surman - Coruscating (1999)

Tenho certa desconfiança de que aqueles que acompanham o blog já notaram que sinto grande admiração por John Surman… Pois aqui ele reaparece em 1999 com uma nova formação: seus muito “saxes” e clarone, um baixista e um quarteto de cordas. Só isso. O resultado é ainda melhor do que a experiência de 97, postada aqui durante a semana, com a adição do órgão e coro misto a seu arsenal saxofônico, por assim dizer. Um excelente CD para o dia frio e chuvoso de Porto Alegre. Gosto muito mesmo deste grande CD, o qual é elogiado assim por um ouvinte no site da Amazon:

Coruscating is another unusual venture, with Surman and regular associate bassist Chris Laurence improvising on eight of Surman’s compositions with the string quartet Trans4mation. There’s a seamless beauty here, composition and improvisation becoming one. Beginning with the baroque clarity of melody on “At Dusk,” Coruscating develops often dark, looming textures. While Surman has made his baritone fly, here he emphasizes intense lyricism, whether with a true, full-bodied, baritone sound or a light upper register. “Stone Flower” is dedicated to the great Ellington baritonist Harry Carney, and Surman’s breathy, overtone-rich sound invokes Carney’s own recordings with strings. He uses other horns unexpectedly, picking up traditional tones of oboe, clarinet, and flute on his soprano saxophone and cello on his bass clarinet. A preoccupation with depths extends to the beginning of “An Illusive Shadow,” which contrasts his contrabass clarinet with eerie, high dissonances from the strings, before the piece evolves to other moods that suggest a kind of classical Dixieland and Gershwin. Laurence also develops solos of unusual, brooding power, adding significantly to this unusual, often meditative work. –Stuart Broomer

Se fosse você, conferiria. Vale a pena.

John Surman: Coruscating

1. At Dusk 2:17
2. Dark Corners 4:57
3. Stone Flower 5:47
4. Moonless Midnight 7:34
5. Winding Passages 6:44
6. An Illusive Shadow 9:24
7. Crystal Walls 9:49
8. For The Moment 6:56

all composed by Surman

recorded January 1999, CTS Studios, London

John Surman, soprano and baritone saxophones, bass and contrabass clarinets;
Chris Laurence, bass
Rita Manning, Keith Pascoe, violin;
Bill Hawkes, viola;
Nick Cooper, cello;

BAIXE AQUI - DOWNLOAD HERE

PQP

Um pedido

Alguém poderia me mandar o Octeto de Stravinski? Um amigo meu, clarinetista, precisa e quero fazer um post com a obra. Desde já agradeço. Quem puder enviar, deixe por favor o link em comentário, OK?

Franz Liszt - Liszt Piano Recital - Leif Ove Andsnes

Fiz tanta propaganda para o rapaz que nada mais justo que mostrar um pouco de seu talento neste cd excepcional, só com obras de Franz Liszt.

Ouvi este cd três vezes seguidas, e posso recomendá-lo sem pestanejar. Sei que alguns leitores consideram a obra de Lizst um monte de notas sem sentido, mas talvez ao ouvirem esta interpretação mudem de opinão.  Sim, concordo, é um virtuosismo exagerado o que se pede para interpretar estas obras, mas creio que Andsnes consegue demonstrar que por trás de tantas notas existe vida.  Sobre este cd, o editorial da amazon.com escreveu o seguinte:

“An index to the excellence of Leif Ove Andsnes’s Liszt recital is that he makes familiar works exciting and fresh-sounding and obscure ones persuasive and accessible. Andsnes turns the “Mephisto” Waltz No. 1 from a tired circus stunt into a tone poem daring in its effrontery and voluptuous in its lyricism. He plays the “Dante” Sonata without the usual penny-awful bludgeoning and sentimental blustering and lifts its treatment of love, chaos, and redemption to an exalted level. The infrequently performed “Andante lagrimoso” (No. 9 of the Harmonies poétiques et religieuses) is haunting in its unceasing alterations between pain and serenity. And in late works–such as the Second and Fourth “Mephisto” Waltzes and the “Valse oubliée” No. 4–the pianist shows us how far Liszt had traveled from romanticism toward both expressionism and impressionism, making us understand how these works lit the paths of composers as diverse as Debussy, Schoenberg, and Bartók. If you buy only one recording of Liszt’s piano music this year, make it this.

Confesso que não tenho muita familiaridade com a obra de Liszt, com excessão de seus concertos para piano, já postados aqui, e sua Sinfona “Fausto”, além, é claro, de suas rapsódias, e sempre me chamou a atenção sua capacidade de fazer espetáculo. Segundo seus biógrafos, Liszt seria um showman da época, e seu virtuosismo enquanto pianista se transmitiu à sua obra, de difícil execução para os solistas. O cd que ora posto tem momentos de puro virtuosismo, sim, mas ao mesmo tempo, graças a um excepcional intérprete, vemos que “the pianist shows us how far Liszt had traveled from romanticism toward both expressionism and impressionism, making us understand how these works lit the paths of composers as diverse as Debussy, Schoenberg, and Bartók, como bem exemplifica o editorial da amazon. Outro comentarista do mesmo site diz que nunca viu tanto vigor e paixão numa interpretação de uma obra de Liszt. E assino embaixo, ainda mais depois daquela excepcional performance que tive o raro prazer de presenciar semana passada.

Ah, e não se preocupem, a saga Gilels/Beethoven continua.

Franz Liszt  - Liszt Piano Recital - Leif Ove Andsnes

01. Apres une lecture du Dante (Années de pèlerinage, 2e année Italie)
02. Valse Oubliee No 4
03. Mephisto Waltz No 4
04. Die Zelle in Nonnenwerth Elegie Version 4
05. Ballade No 2
06. Mephisto Waltz No 2
07. Andante Lagrimoso (Harmonies Poe iques et Religieuses No 9)
08. Mephisto Waltz No 1 Der Tanz in der Dorfschenke

Leif Ove Andsdnes - Piano

BAIXE AQUI - DOWNLOAD HERE

FDP

Tem até prêmio no dia maluco!

Já postamos cinco CDs nas últimas 24h e temos ainda mais um agendado pelo FDP Bach para as 20h. Mas interrompo a seqüência a fim de lançar o seguinte desafio: quem EXPLICAR DE FORMA MAIS INUSITADA (ORIGINAL, SURPREENDENTE) seu amor a meu pai, leva o CD duplo da Arte da Fuga com o Collegium Aureum. Podem ser usadas analogias ou imagens tais como “Gosto tanto de seu pai que por ele seria capaz de __________________________”. Ou, “Amo Bach tanto quanto gosto de sexo oral”, por exemplo… Não, não é obrigatório apelar para a baixaria. Pode ser algo fino, de alto nível, poético ou fofinho…

Motivo da promoção: enganei-me e comprei dois na Amazon… Hoje chegou o segundo. Vai lacradinho. Valendo até as 23h59 de hoje, OK?

O regulamento do concurso é simples: o CD é meu, eu mando nele, então eu resolvo quem é o vencedor. Reclamações? Ora, vá se f…

Ah, preencham o campo de e-mail nos comentários.

PQP

Astor Piazzolla (1921-1992) – Tangazo

Esse é talvez o melhor CD de obras sinfônicas de Piazzolla e não tenho ressalvas sobre ele – Dutoit, a Sinfônica de Montreal e os solistas estão perfeitos. Se você é fã do compositor argentino, bon appetit; senão, se aventure a descobrir o universo sonoro do criador do Tango novo, impregnado de batidas fortes, bem marcadas, em compasso quaternário e andamento marcial ou mais vivo, reforçadas com acordes graves e violentos no piano, glissandos súbitos das cordas e um ríspido reco-reco, e fixadas na memória com melodias da melhor e mais peculiar emotividade exacerbada portenha. Não à toa, a primeira música do CD é Adiós Nonino, que reúne todas essas características, mas todo o disco, exceto a melancólica Oblivion, carrega o Piazzolla-tipo aqui descrito fugazmente.

***

Tangazo

1. Adíos Nonino (Tango Rapsodia)
2. Milonga del Angel
3. Double Concerto for Bandoneon & Guitar - 1. Introduction
4. Double Concerto for Bandoneon & Guitar - 2. Milonga
5. Double Concerto for Bandoneon & Guitar - 3. Tango
6. Oblivion
7. Tres movimientos tanguisticos portenos - 1. Allegretto
8. Tres movimientos tanguisticos portenos - 2. Moderato
9. Tres movimientos tanguisticos portenos - 3. Vivace
10. Danza Criolla
11. Tangazo

Bandoneão: Daniel Binelli
Violão, no Concerto: Eduardo Isaac
Oboé, em Oblivion: Louise Pellerin
Orquestra Sinfônica de Montreal, regida por Charles Dutoit

BAIXE AQUI - DOWNLOAD HERE

CVL

Jorge Antunes (1942) – ¡No se mata la Justicia!

Dom Óscar Arnulfo Romero Galdámez (1917-1980) tornou-se arcebispo de San Salvador, capital de El Salvador, em 1977. Nomeado por Roma por seu perfil conservador, Monsenhor Romero, como ficou conhecido, passou a conviver mais de perto com os fiéis e a observar pela ótica deles os abusos do exército salvadorenho, que temia um golpe de estado por parte de guerrilhas esquerdistas.

Com as incômodas denúncias – em suas homilias, à imprensa e a quem quer que fosse – de violação aos direitos humanos, incluindo assassinatos de clérigos, começou a receber ameaças de morte. Em 24 de março de 1980, “finalmente” (pro conforto dos militares), Monsenhor Romero tomou um tiro mortal no coração, de um milico anônimo, durante uma missa numa capela perto da Catedral de San Salvador, e virou mártir de imediato.

A notícia da morte de Monsenhor Romero atraiu milhares de pessoas a seu velório, para insatisfação do exército salvadorenho. Os militares dispersaram a multidão ao custo de 42 outras mortes. Dali, deflagrou-se oficialmente a Guerra Civil de El Salvador, que durou até 1992. Até hoje, o crime não foi solucionado, graças às oligarquias que ainda comandam o país, mas a peregrinação ao túmulo de Monsenhor Romero desde então tem sido a maior da América Central.

***

Jorge Antunes – carioca radicado em Brasília, ativista de esquerda, autor do hino do PSol e de um Hino Nacional Alternativo, professor da UNB e um dos mais representativos (e polêmicos) expoentes da vanguarda brasileira – ganhou um prêmio da Sociedade de Música Contemporânea Israelense e viajou para a Terra Santa em 1980, onde passou quatro meses (em Jerusalém e num kibutz), desenvolvendo os rascunhos do tributo que estava concebendo ao arcebispo assassinado.

A referência à cor violeta advém da teoria cromofonética de Jorge Antunes, que relaciona uma cor do espectro solar a cada uma das notas diatônicas. De acordo com essa teoria o violeta equivale à nota mi, que predomina também em Ritual Violeta.

A Elegia violeta para Monsenhor Romero é uma das peças mais impactantes da música clássica nacional. Esta gravação péssima, que me parece ser a única, e o coral não tão bem ensaiado não reduzem a força da obra, desde a simulação do peso do tiro mortal em Monsenhor Romero, no acorde inicial do piano, e os gritos de desespero simulado nas cordas, até a última frase que o coral canta (a do título do CD).

“Não se mata a Justiça!” foi a resposta que o arcebispo deu a um repórter da TV Globo que o entrevistou em San Salvador, o qual perguntou-lhe se não tinha medo de morrer devido às denúncias contundentes que fazia.

***

Falo en passant somente da obra mais importante – e, de longe, a mais atrativa – desse CD de Jorge Antunes; para saber sobre as demais, dêem uma olhada no encarte. Muito engenhosa, para se mencionar, é a Cromorfonética, que você pode confundir com uma obra eletroacústica, mas, com uma segunda ouvida, perceberá que é para coro misto.

Estou aqui em Brasília, tentando achar o Café do Rato Preto através do endereço que meu gerente me deu, já que nunca estive na capital federal:

Quadra SHIS Trecho 50 Lote 200

Acontece que o Google Earth acusou “galáxia não localizada” e não sei o que fazer no momento. Acho que daqui mesmo do aeroporto JK vou-me embora pra… Pra não sei onde… Talvez Santa Catarina, talvez Recife, talvez Rio, talvez Buenos Aires…

***

1. Elegia violeta para Monsenhor Romero (1980), para dois solistas infantis, coro infantil, piano obligato e orquestra de câmara

Coro Infantil do Kibutz Hatzerim e do Conservatório de Música de Beer-Sheva
Solistas: Hagit Shapira e Ruth Halifa
Piano obligato: Mariuga Lisbôa Antunes
The Israel Sinfonietta
Regente: Jorge Antunes

2. Cromorfonética (1969), para coro a capella

Coro Pro-Arte Ensemble Graz
Regente: Karl Emst Hofmann

3. Proudhonia (1972), para coro misto e fita magnética

Coro: Les Douze Solistes des Choeurs de l’ORTF
Regente: Marcel Couraud
Gravação: 16/04/1973, no Festival de La Rochelle 1973 – Rencontres Internationales d’Art Contemporain Salle Oratoire, La Rochelle, France

Rimbaudiannisia MCMXCV (1994), para jovens cantores solistas, coro infanto-juvenil, orquestra de câmara, luzes e máscaras.
4. Rimbaudiannisia MCMXCV – I. Expiation pour Cumiqoh
5. Rimbaudiannisia MCMXCV – II. Voyelles
6. Rimbaudiannisia MCMXCV – III. Ditirambus

Choeur La Maîtrise de Radio France  Orchestre Philharmonique de Radio France  Regente: Arturo Tamayo

7. Ritual violeta (1999), para saxofone tenor e sons eletrônicos

Sax: Daniel Kientzy

BAIXE AQUI

CVL

G. F. Handel (1685-1759) - Israel in Egypt / Zadok the Priest / The King shall rejoice

Sei lá, mas acho que sou capaz de jurar que a propaganda da Liga dos Campeões que passa na ESPN Internacional usa como trilha Zadok the Priest. Sim, a entrada tonitruante do coral. Fica bonito. Pena que meus times europeus — Roma e Benfica — nunca cheguem perto da conquista. Quem manda torcer para pobres?

Este é um disco sensacional que foi relançado pela Philips naquela sua coleção dois pelo preço de um. Encontrei-o dando sopa por aí, enquanto virava algumas latas de lixo na calçada a fim de facilitar o trabalho de Bluedog - que acaba de fazer esplêndida postagem. Trabalhamos em equipe. Vi este mp3 em formato 128 kbps cair de uma delas e fui dormir longe das pulgas que acompanham nosso amigo, tranqüilo, sob as estrelas, sonhando com reis e viagens imaginárias de uma nação a outra.

Handel - Israel in Egypt / Zadok the Priest / The King shall rejoice

Disc: 1
1. Overture - English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
2. Rec.:”Now there arose a new King” - Chorus: “And the children of Israel” - Collin Patrick, Nicolas Robertson, The Monteverdi Choir, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
3. Rec.:”Then sent He Moses” - Chorus: “They loathed to drink” - Philip Salmon, The Monteverdi Choir, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
4. No.5 Air: “Their land brought forth frogs” - Ashley Stafford, The Monteverdi Choir, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
5. No.6 Chorus: “He spake the word”
6. No.7 Chorus: “He gave them hailstones”
7. No.8 Chorus: “He sent a thick darkness”
8. No.9 Chorus: “He smote all the first-born”
9. No.10 Chorus: “But as for his people”
10. No.11 Chorus: “Egypt was glad when they departed”
11. No.12 Chorus: “He rebuked the Red Sea”
12. No.13 Chorus: “And Israel saw that great work”

Disc 2:
1. No.14 Introitus (Chorus): “Moses and the children of Israel
2. No.15 Duet: “The Lord is my strength” - Ruth Holton, Elisabeth Priday, The Monteverdi Choir, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
3. No.16 Chorus: “He is my God”
4. No.17 Duet: “The Lord is a man of war” - Julian Clarkson, Christopher Purves, The Monteverdi Choir, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
5. No.18 Chorus: “The depths have covered them”
6. No.19 Chorus: “Thy right hand, o Lord”
7. No.20 Chorus: “And with the blast of thy nostrils”
8. No.21 Air: “The enemy said: I will pursue” - Philip Salmon, The Monteverdi Choir, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
9. No.22 Air: “Thou didst blow with the wind” - Elisabeth Priday, The Monteverdi Choir, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
10. No.23 Chorus: “Who is like unto thee”
11. No.24 Duet: “Thou in thy mercy” - Jonathan Peter Kenny, Philip Salmon, The Monteverdi Choir, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
12. No.25 Chorus: The people shall hear and be afraid”
13. No.26 Air: “Thou shalt bring them” - Michael Chance, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
14. Chorus:”The Lord shall reign” - Rec.: “For the horse” - Chorus - Rec.: “And Miriam” - Chorus: “Sing ye to the Lord” - Donna Deam, Paul Tindall, Andrew Tusa, The Monteverdi Choir, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
15. Zadok the Priest (Coronation Anthem No.1, HWV 258)
16. The King shall rejoice (Coronation Anthem No.3, HWV 260)

BAIXE AQUI (Os dois CDs) - DOWNLOAD HERE (2 CDs)

Solistas citados nas faixas
Monteverdi Choir
English Baroque Soloists
John Eliot Gardiner

PQP

.: interlúdio :.

Tropeçava em latas de lixo quando encontrei a capa abaixo, e imediatamente me vi cheio de interrogações.

Joni Mitchell? Mingus? Que diabos. Ou, que diabos Mitchell está fazendo com Mingus? Por aí já podem notar minha desconfiança em relação à cantora. Mas eu prefiro ficar surdo a desistir antes de tentar. E lá fui, farejando, descobrir que Joni foi criticadíssima à época do disco, 1979; apontaram-na como decadente, esnobe por tentar dar verve ao pop, tentando pegar uma carona na então recente morte do underdog.

Mas quando se cava mais um pouco, se descobre que Mingus havia chamado Joni para ajudá-lo a musicar o Four Quartets de T. S. Eliot alguns meses antes, o baixista já imobilizado pela doença que o mataria em seguida. E que, fruto disso, cresceu amizade - e mesmo Joni pôde sair de um bloqueio criativo que a consumia durante longo tempo. Donde o disco-homenagem, que ela não imaginava que seria póstumo. Tanto que Mingus só não chegou a escutar uma das faixas, a primeira, composição totalmente dela - ao invés das outras, versões de Mingus, com letras por Joni escritas, e abençoadas pelo mestre.

Não apenas na aura criada pelo duo; Joni, que não era boba, cercou-se de um pequeno grupo de pilares do jazz para gravar o álbum. Em Mingus, a base é a do Weather Report - confira a nominata logo abaixo. (Ame ou odeie o fusion, todos sabemos dos pedigrees.) Aqui só adianto que é um dos mais brilhantes, e por vezes experimental, trabalhos de Jaco Pastorius. Seu baixo é o condutor dessas faixas de um jazz relaxante, espaçado, cheio de respiros - e sim, sob bela e macia voz, bem colocada, discreta. Os detratores estavam errados. Ou com ciúmes. Ainda: um atrativo a mais são os “raps” que entremeiam as canções - vinhetas com gravações de Mingus em conversas, cenas cotidianas, até um scat em duo com Joni. (O que, inclusive, faz deste um disco curto, de apenas seis músicas.)

Antes das fichas técnicas e dos arquivos, um desvio na conversa. Encontrei Joni ao mesmo tempo em que estou revendo aquele que Mingus considerou, moribundo seu melhor trabalho: Let My Children Hear Music, de 1971. Não resisti e trouxe uma postagem dupla. Na verdade, no momento em que escrevo isso penso que gostaria de assinar todas as minhas postagens com “já ouviu Hobo Ho hoje?” A orquestra vanguardista de Mingus toma de assalto e exige tempo para que se ouça outra coisa além dele, depois que se entra no seu mundo. É onde a complexidade encontra o savoir-vivre de maneira mais plena. Caos de bon-vivant (sem querer soar como um francófono pedante. mas os franceses entendem disso, não?). No politeísmo do jazz, Miles exige cultos, Trane requer transes, Mingus demanda festins. Banquetes instintivos como os de Adderley ou Coleman - mas de uma natureza mais selvagem, sexual. Mingus, talvez por maestro, fala com o ouvinte de forma mais direta. Quase soco na boca, às vezes, barulhento, cacófano. Não me admira que tenha dedicado esse disco às crianças. É, mais ou menos, como foi a sua infância.

…………

Joni Mitchell - Mingus
Joni Mitchell: guitar, vocals
Jaco Pastorius: bass
Wayne Shorter: soprano saxophone
Herbie Hancock: elec piano
Peter Erskine: drums
Don Alias: congas
Emil Richards: percussion

produzido por Joni Mitchell para a Asylum

download - 48MB
01 Happy Birthday 1975 (Rap) 0′57
02 God Must Be A Boogie Man (Mitchell) 4′35
03 Funeral (Rap) 1′07
04 A Chair in the Sky (Mingus) 6′42
05 The Wolf That Lives in Lindsey (Mingus) 6′35
06 I’s a Muggin’ (Rap) 0′07
07 Sweet Sucker Dance (Mingus) 8′04
08 Coin in the Pocket (Rap) 0′11
09 The Dry Cleaner from Des Moines (Mingus) 3′21
10 Lucky (Rap) 0′04
11 Goodbye Pork Pie Hat (Mingus) 5′37

…………

Charles Mingus - Let My Children Hear Music
Produzido por Teo Macero para a Columbia

The exact personnel is sketchy, largely due to contractual issues, several arrangers were imported to paste things together, making the true authorship of some passages questionable, and Macero (as he did with various Miles Davis projects) edited freely and sometimes noticeably. The listener will happily put aside all quibbles, however, when the music is heard.
— Esse é trecho da resenha do AllMusic. Se quiser, siga este link para ler o restante e ver uma descrição detalhada, e interminável, dos músicos envolvidos nas gravações.

download aqui - 111MB
01 The Shoes of the Fisherman’s Wife Are Some Jive Ass Slippers 9′34
02 Adagio ma Non Troppo 8′22
03 Don’t Be Afraid, the Clown’s Afraid Too 9′26
04 Taurus in the Arena of Life 4′17
05 Hobo Ho 10′07
06 The Chill of Death 7′38
07 The I of Hurricane Sue 10′09

Boa audição!
Blue Dog

.:interlúdio:. John Surman - Proverbs and songs (1997)

Proverbs and songs, do compositor e saxofonista inglês John Surman, fica bem longe do comum. Basta dizer que são composições para saxofones ou clarone — sempre de Surman –, mais órgão e coral. Na primeira audição, fiquei um pouco chocado, principalmente com as intervenções trovejantes do coral; na segunda, já achei tudo mais bonitinho; na terceira, estava tão curioso e perto da felicidade musical que tive de afastar meus preconceitos, mormente os timbrísticos. Na verdade, meu choque foi sempre com o coral, pois a combinação sax + órgão resulta maravilhosa. Não é um disco que eu indique a todos, mas apenas àqueles que não fogem das esquisitices criativas. É uma espécie de jazz sacro…

Mas o sax de Surman permanece lá, poderosamente eufônico, acima de Deus.

John Surman: Proverbs And Songs

1. Prelude 3:11
2. The Sons 4:55
3. The Kings 6:41
4. Wisdom 7:39
5. Job 4:50
6. No Twilight 7:42
7. Pride 5:00
8. The Proverbs 4:06
9. Abraham Arise! 5:24

All composed by Surman
Recorded live June 1, 1996, Salisbury Cathedral

John Surman, baritone and soprano saxophones, bass clarinet;
John Taylor, organ;
Salisbury Festival Chorus, conducted by Howard Moody

BAIXE AQUI - DOWNLOAD HERE

PQP

Página 1 de 84123456»...Última »


eXTReMe Tracker